terça-feira, agosto 16, 2022

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Gravações de Sérgio Machado derrubam segundo ministro do governo Temer

Fabiano Silveira pediu demissão do Ministério da Transparência após ter sido flagrado aconselhando Renan sobre a Lava Jato

Em apenas três semanas de governo, o presidente interino Michel Temer perde o segundo ministro pelo mesmo motivo: a divulgação de áudios em que os ocupantes da Esplanada aparecem em conversas indecorosas envolvendo a Lava Jato. O Ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, entregou sua carta de demissão no começo da noite desta segunda-feira (30) após um dia marcado por críticas da sociedade civil, de políticos e de órgãos de fiscalização.

Silveira foi flagrado em uma conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), seu padrinho político, e com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, na qual aconselhava o senador sobre como deveria proceder mediante as investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Lava Jato. Machado também é o responsável por gravar as conversas com o senadorRomero Jucá (PMDB-RR), o que resultou em sua queda do Ministério do Planejamento há exatamente uma semana. 

Num primeiro momento, o Palácio do Planalto havia se manifestado pela permanência de Silveira na Pasta. Havia uma preocupação de Temer em não criar conflito com Renan Calheiros, responsável pelas indicações de Silveira para os Conselhos do Ministério Público (CNMP) e da Justiça (CNJ). A tentativa de evitar qualquer desgaste com o presidente do Senado se dá porque é naquela Casa em que será feita a análise definitiva do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Pesaram contra Silveira também a falta de apoio de servidores e de órgãos internacionais. As manifestações de servidores – que já vinham acontecendo desde que ele assumiu o posto – ganharam força. Hoje pela manhã, horas depois de o Fantástico ter divulgado as conversas de Silveira com Machado e Renan, o ministro foi impedido de entrar no prédio de onde despachava. Servidores levaram vassouras para o Ministério e tentaram invadir a sala do mandatário, sinalizando que fariam uma “higienização” da Pasta. Também nesta manhã, mais de 200 de 400 cargos foram entregues em protesto à permanência de Silveira no cargo. Críticas vieram também de órgãos de outros países, como da ONG Transparência Internacional, que também questionaram a posição do governo de manter Silveira como titular de uma Pasta responsável por tratar de Transparência e combate à corrupção.

Os episódios recentes, envolvendo Jucá e Silveira, mancham a imagem de Temer. O peemedebista tem assim se desgastado com a opinião pública e com investigadores da Lava Jato, que se mostram críticos diante das posturas dos ministros. O esforço de Temer, de usar seu histórico de Constitucionalista, e de incluir sempre em seus discursos a afirmação de que manterá o bom andamento da Lava Jato, ainda não convenceu completamente a opinião pública. A fala do presidente interino acaba contrastada pelos flagras de Machado com seus ministros.

Além do desgaste de imagem, os episódios recentes dificultaram a vida de Temer no Congresso, onde líderes de partidos que compõem a base governista – como DEM, PPS e PSDB – fizeram pela segunda vez críticas à demora de Temer em demitir os ministros. As duas casas legislativas são de extrema importância para qualquer um que quer governar um país. Sobretudo no caso de Temer, que precisa aprovar matérias impopulares para tentar salvar a economia da bancarrota deixada pelo governo Dilma Rousseff.(fonte:época)

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