NO SERTÃO DA PARAÍBA, LULA INICIA SUA MARCHA PARA A VOLTA AO PLANALTO

Na cidade de Monteiro (PB), a 300 quilômetros de João Pessoa, o ex-presidente Lula inicia, neste domingo, sua caminhada para tentar reconquistar a presidência da República; ao lado de Dilma Rousseff, do também presidenciável Ciro Gomes e de diversos governadores, ele fará a inauguração popular da transposição do São Francisco.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia neste domingo sua caminhada para tentar reconquistar a presidência da República.

O local escolhido foi a cidade de Monteiro (PB), a 300 quilômetros de João Pessoa, onde, ao lado da presidente deposta Dilma Rousseff, do também presidenciável Ciro Gomes e de quatro governadores – Ricardo Coutinho, da Paraíba, Camilo Santana, do Ceará, Wellington Dias, do Piauí, e Rui Costa, da Bahia, ele fará a inauguração popular da transposição do São Francisco, uma obra histórica que irá beneficiar 12 milhões de pessoas do agreste nordestino.

A transposição, idealizada desde o Império e tirada do papel por Lula, é considerada a obra mais importante da história do Brasil, desde a mudança da capital para a Brasília, feita por Juscelino Kubitschek. Além de acabar com a indústria da seca, ela pode transformar o sertão do Nordeste numa nova fronteira agroindustrial.

Em primeiro lugar em todas as pesquisas, Lula seria eleito presidente se as eleições fossem hoje, mas as mesmas forças que executaram o golpe de 2016 trabalham para inabilitá-lo com eventuais condenações judiciais.

Nas cidades beneficiadas pela transposição, a população local se emociona com a chegada da água. Confira, acima, o vídeo de seu Ivanildo, um dos que expressam sua gratidão pela obra.Com Informações de Brasil 247.

Kátia quer Dilma disputando senado no Tocantins

SENADORA QUER EX-PRESIDENTE TENTANDO SE ELEGER PELO SEU ESTADO

A senadora Katia Abreu, ex-DEM, que ainda escapa da prometida expulsão do PMDB, agora articula a candidatura de Dilma pelo Tocantins, seu Estado, formando dupla para o Senado, em 2018. De adversária ferrenha de Dilma, a senadora virou sua mais íntima amiga após ganhar o cargo de ministra da Agricultura. Sua atitude agressiva, no impeachment, gerou um movimento para expulsá-la do partido.

Ministros do STF admitiram a esta coluna que uma eventual candidatura de Dilma será barrada no Supremo Tribunal (STF).

“Provocado”, o STF fará cumprir o artigo da Constituição que prevê suspensão de direitos políticos de presidente que sofre impeachment.

Armação de Renan com Ricardo Lewandowski “fatiou” ilegalmente o artigo da Constituição que vincula o impeachment à inelegibilidade.Com informações de Diário do Poder.

“Maldição” persegue nove ministros da Casa Civil

De Dirceu a Padilha, todos os nomeados para a pasta neste século acumulam problemas na Justiça: processos, condenação e até prisões. Em comum entre eles, os fantasmas da Lava Jato. O Congresso em Foco conta a história e a situação de cada um

 

Cobiçada pelos políticos por causa de seus superpoderes, a Casa Civil virou sinônimo de problema político e criminal neste início de século. Todos os nove titulares que a comandaram desde 2003 enfrentam complicações na Justiça. Um roteiro que se repete desde a queda de José Dirceu (PT), em 2005, no auge das revelações do mensalão. Quem não caiu por denúncias no período em que chefiou a casa, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff, enrolou-se depois. Os ex-ministros sofrem com processos, condenações e até prisões. É a “maldição” da Casa Civil, que persegue Dirceu, Dilma, Erenice Guerra, Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante, Jaques Wagner, Lula e, agora, Eliseu Padilha. Em comum entre eles, os fantasmas da Lava Jato.

Com denúncias que reforçam delação premiada de executivo da ea Civil para retirar a próstata neste fim de semana, Padilha pode nem voltar mais ao gabinete. Desde que lá chegou, deu baixa no hospital algumas vezes, com dores e problemas de pressão arterial. Dessa vez, porém, a pressão vem da Lava Jato, com tanta força que ameaça até derrubar seu chefe.

A Fonte fez uma lista a seguir as maldições que acompanharam os nove ministros da Casa Civil empossados neste século. Não está na lista Pedro Parente, atual presidente da Petrobras, nomeado para a pasta ainda em 1999 e que só deixou o cargo em janeiro de 2003, nem os dois interinos que passaram pelo cargo (Eva Chiavon e Carlos Eduardo Esteves Lima) nos últimos 14 anos.

Padilha, de solução a problema para Temer

Lula: ministro por um dia, réu em cinco ações

Jaques Wagner e as empreiteiras baianas 
Mercadante: tráfico de influência e obstrução à Justiça Gleisi, a única ré do Senado na Lava Jato

Palocci: grandes negócios e complicações

Erenice, entre suspeitas de lobby e corrupção

Dilma: da “mãe do PAC” ao impeachment

Dirceu: o superministro que foi parar na cadeia

Fonte:Congresso em Foco

Espera por emprego nunca foi tão longa como na era Temer

A recessão de Michel Temer e o caos instaurado para permitir a derrubada de Dilma Rousseff afetou diretamente o brasileiro; em 2016, quase 20% dos 11,8 milhões de desempregados já procuravam uma vaga há pelo menos dois anos; em relação a 2014, esse grupo explodiu, crescendo 90%: passou de 1,2 milhão de pessoas para 2,3 milhões no ano passado; especialistas afirmam que os jovens são os mais afetados e alertam que, quanto maior a demora, mais difícil será para o trabalhador se recolocar no mercado; embora o ministro Henrique Meirelles tenha dito que o país já está saindo da recessão, o desemprego não dá trégua e se torna cada vez mais longo.

Em 2016, quase 20% dos 11,8 milhões de desempregados já procuravam uma vaga há pelo menos dois anos. Em relação a 2014, esse grupo explodiu, crescendo 90%: passou de 1,2 milhão de pessoas para 2,3 milhões no ano passado. Também explodiu o grupo de brasileiros que ficou de um ano a menos de dois anos buscando trabalho. Passou de 1 milhão de pessoas em 2014 para 2,16 milhões em 2016, alta de 104%. Somados, são 4,46 milhões de trabalhadores procurando emprego há mais de um ano. Os dados foram divulgados pelo IBGE ontem.

“‘Quanto mais se demora para conseguir um emprego, mais aumentam as dificuldades de contratação, pois esses trabalhadores perdem seu capital humano específico e conhecimentos práticos. Ficam enferrujados. E quem está empregado passa a agir como se tivesse sem emprego, freando o consumo, com medo de ser demitido e demorar muito tempo para se reinserir no mercado — analisa Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

O levantamento mostra ainda que, em 2016, a falta de trabalho atingia um contingente bem maior, de 22,6 milhões de brasileiros, se considerados os 11,8 milhões que estavam desempregadas; outros que estavam disponíveis para trabalhar, mas, por algum motivo, ainda não tinham procurado vaga; e aqueles que queriam trabalhar mais, pois se encontravam subocupadas em empregos que consumiam menos de 40 horas por semana. Esse grupo cresceu 46% entre 2014 e 2016.”(Fonte:Brasil 247)

KATIA DESMENTE BOATO SOBRE DILMA CANDIDATA AO SENADO PELO TOCANTINS

“A presidente cogitou pela primeira vez uma possível candidatura e os especuladores de plantão não deram trégua. Nunca declarei que sou candidata ao governo em 2018 e muito menos a presidente Dilma falou a respeito comigo. Sobre 2018 só falarei em 2018”, disse a senadora Kátia Abreu (PMDB) sobre informações de suposto convite dela à presidente deposta; segundo o boato, chapa majoritária teria Katia como candidata a governadora, tendo Dilma disputando uma vaga ao Senado pelo Tocantins, e o ex-governador Siqueira Campos, de 87 anos, como candidato à outra vaga no Senado.

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) negou nesta terça-feira, 21, informação divulgada nas redes sociais e em alguns veículos do estado, sobre um suposto convite dela para que a presidente deposta Dilma Rousseff disputasse uma candidatura a senadora pelo Tocantins. 

Em entrevista à agência AFP, Dilma, que foi destituída da Presidência da República no golpe parlamentar de 2016, mas manteve os direitos políticos, admitiu a possibilidade de disputar uma vaga no Senado ou na Câmara.

“A presidente cogitou pela primeira vez uma possível candidatura e os especuladores de plantão não deram trégua. Nunca declarei que sou candidata ao governo em 2018 e muito menos a presidente Dilma falou a respeito comigo. Sobre 2018 só falarei em 2018. Agora é hora de trabalho duro. Não é hora de politicagem. O Tocantins está precisando de resultados e não de campanha eleitoral antecipada”, disse Kátia Abreu a uma fonte de Notícias. 

Segundo o site uma fonte, Kátia teria convidado Dilma para disputar uma vaga de senadora pelo estado, numa chapa majoritária em que ela, Kátia, seria candidata a governadora e teria o ex-governador Siqueira Campos, de 87 anos, como candidato à outra vaga no Senado.(Fonte:Tocantins 247)

Eike Batista leva o ex-minsitro Guido Mantega ao centro da Lava-Jato

Em depoimento, o empresário relata atuação do ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma para cobrar repasses para saldar dívidas de campanhas petistas. Dinheiro foi transferido para conta ligada a marqueteiros do PT

A Polícia Federal deflagrou, nas primeiras horas da manhã de ontem, nova fase da Lava-Jato e trouxe à baila a participação do empresário Eike Batista e da Mendes Júnior no financiamento do PT e do PMDB, e ainda levou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para a cadeia por pelo menos cinco horas. Por conta do estado de saúde da mulher dele, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, decidiu revogar a ordem dele mesmo, mandando soltar o petista. O juiz determinou o confisco de até R$ 10 milhões em contas do ex-ministro e dos outros sete alvos de mandados de prisão temporária, por cinco dias.

A 34ª etapa do caso recebeu o apelido de Arquivo X, em referência à letra usada na maioria dos negócios de Eike, o homem que já foi o brasileiro mais rico do país e hoje enfrenta processos de recuperação judicial de seus empreendimentos. Segundo os investigadores, a apuração é embasada no pagamento de propinas a partir de um negócio bilionário da Petrobras com o estaleiro OSX Construção Naval S/A, de Eike, e Mendes Jr. Trading. Os beneficiários foram o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu; o ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR); o PT e diretores e funcionários da estatal ligados ao PMDB. Eike disse que, após Mantega lhe pedir R$ 5 milhões, doou US$ 2,35 milhões ao partido por meio de conta no exterior dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura. Todos os que se manifestaram negaram irregularidades.

A partir de licitação em 2011, em julho do ano seguinte, a Petrobras contratou o consórcio formado pela OSX e pela Mendes Júnior, o Integra Offshore. Foram acertados US$ 922 milhões (R$ 2,97 bilhões) para serem construídas as plataformas P-67 e P-70, para exploração de petróleo na camada pré-sal.

De acordo com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, a contratação gerou “três vertentes de corrupção”. Na primeira, verificam-se pagamentos de R$ 7,39 milhões para o operador do PMDB João Augusto Rezende Henriques, preso e condenado na Operação Lava-Jato. O repasse, denunciado pelo delator Eduardo Musa, que atuou na OSX e na Petrobras, foi confirmado: a Mendes Júnior entregou os valores em 2013 para a Trend, a firma do lobista. “Há indicativos de que esse operador trabalhava para interesses do PMDB”, explicou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Fonte:correio braziliense

O vazio

Para impor ao PT uma derrota arrasadora, as elites brasileiras fizeram terra arrasada das instituições políticas

Com a deposição de Dilma Rousseff, a democracia

O desgaste dos mecanismos de representação e a fragilidade de Temer criam um vazio no centro do sistema político
O desgaste dos mecanismos de representação e a fragilidade de Temer criam um vazio no centro do sistema político

brasileira corre um dos mais graves riscos de sua história. O que é dizer muito, considerando quão acidentada foi ela.   

As elites nacionais nunca tiveram apreço genuíno pela democracia. Sempre pareceu a seus intelectuais uma planta exótica, mal adaptada ao nosso clima. Diziam que era uma “ilusão”, que podia funcionar no Hemisfério Norte, onde seria natural para uma população branca e europeia, mas que nunca daria certo por aqui. Para eles, o Brasil não nascera para ser uma sociedade democrática. 

Atravessamos os primeiros cem anos de vida republicana aos trancos e barrancos, indo de uma ditadura a outra, com breves intervalos de democracia controlada e limitada. Em matéria de instituições democráticas, estávamos léguas atrás de muitos de nossos vizinhos latino-americanos. 

Em todos os retrocessos, recuos e interrupções que experimentamos, nunca havíamos, no entanto, chegado ao ponto em que estamos. Nenhuma das rupturas anteriores criara um vazio no centro do sistema político. 

O que as elites, em especial o capital financeiro e os oligopólios de comunicação, fizeram foi um despropósito. Com o intuito de derrotar o PT e evitar que continuasse na Presidência com a provável vitória de Lula em 2018, terminaram por fazer terra arrasada das instituições políticas. 

Aliaram-se ao que de pior havia no Congresso, para que paralisasse o governo com suas pautas-bomba, e exacerbaram a crise de imagem do Legislativo. Incensaram os franco-atiradores do Judiciário e encorajaram a sedição de pedaços do aparelho repressor do Estado, levando à subversão da segurança jurídica. Convocaram as parcelas mais reacionárias da sociedade para ir às ruas externar seu ódio, amplificando divisões e conflitos. Mandaram para o espaço a respeitabilidade da imprensa.     

Achavam-se capazes de uma intervenção “cirúrgica”, dirigida apenas contra seus alvos, mas atingiram o sistema político como um todo. As instituições, suas regras e o conjunto de seus integrantes foram jogados na vala comum do descrédito. Nada e ninguém se salva, nada presta, a não ser o paladino da vez.   

Mesmo para uma liderança autêntica, seria difícil enfrentar adequadamente um cenário como esse. O que esperar, então, de um personagem da envergadura de Michel Temer?  

Ele é uma resposta tão pequena diante de uma situação tão complicada que apenas explicita o vazio político que vivemos. É o menor presidente de nossa história, o que menos respaldo tem na opinião pública, o mais refém dos esquemas que o levaram ao cargo. O que mais medo tem de ser vaiado quando sai do palácio. 

O intuito era derrotar Lula e o PT (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)
O intuito era derrotar Lula e o PT (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

A mesma coalizão que o inventou o encabrestou um dia após a posse como interino, para que não caísse na ilusão de que mandaria. Usando da ferramenta por excelência dos tempos atuais, uma “delação” (que depois desapareceu do noticiário), fizeram com que logo percebesse os estreitos limites de sua área de manobra. No caso da política econômica, que seu papel era ficar calado. 

É errado imaginar que essa é a sina de todo vice que assume a seguir a um impeachment. O caso de Itamar Franco mostra que não.  

Na nomeação do ministro da Fazenda, Itamar revelou-se presidente desde o primeiro momento, muito antes da posse definitiva. Indicou quem achou que devia e o substituiu quando houve por bem, dois meses depois. O primeiro era um político pernambucano, famoso pelos frevos e a boa conversa. O segundo um técnico mineiro, com uma correta carreira no serviço público. 

Não se discute se foram bons ou maus ministros. O relevante é que quem os escolheu tinha autoridade para tal, não se submetendo às determinações de ninguém. Itamar não perguntou à TV Globo se podia nomear fulano ou sicrano. Não teve de terceirizar a política econômica, transferindo o comando para o “mercado”.  

O desgaste dos mecanismos de representação, que vem sendo acelerado há três anos, e a fragilidade de Temer, seja para as funções de chefe de governo, seja para as de chefe de Estado, criam um vazio no centro do sistema político. Sem alguém para lhe dar direção, ele desorganiza-se. 

Pode-se gostar ou não de um presidente, aprovar ou reprovar suas políticas. O que não existe na democracia é um vácuo de chefia legítima, onde grupos de interesse e milícias do setor público fazem o que querem. Onde quem tem força manda.

Marcos Coimbra/Agência Brasil

Impeachment de Dilma divide opiniões na América Latina

A Argentina, principal sócia do Brasil no bloco regional Mercosul, reagiu com cautela à destituição de Dilma Rousseff, cujo mandato presidencial será concluído por seu vice, Michel Temer. Em nota divulgada nessa quarta-feira (31), o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “respeita o processo institucional verificado no pais-irmão” e reafirmou a vontade de continuar o processo de integração, num contexto de “respeito aos direitos humanos, às instituições democráticas e ao direito internacional”.

As reações ao impeachment de Dilma e à posse de Temer deixaram em evidência a crise que se instalou no Mercosul no fim de junho, quando o Uruguai concluiu seu mandato como presidente pro tempore do bloco. Cada um dos cinco países exerce o cargo rotativo por seis meses, antes de entregá-lo ao próximo, em ordem alfabética.

A partir de agosto, seria a vez da Venezuela, mas três dos quatro membros fundadores se opuseram. O Brasil, governado interinamente por Michel Temer, argumentou que os venezuelanos não haviam cumprido os requisitos necessários para serem considerados membros plenos. A Argentina e o Paraguai consideram que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está violando a cláusula democrática (condição para integrar o bloco) ao mandar prender líderes opositores.

A Venezuela – que assumiu a presidência do Mercosul à revelia do Brasil, da Argentina e do Paraguai e em meio a uma grave crise econômica e política – foi o mais duro a reagir contra oimpeachment de Dilma. Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, anunciou que vai retirar definitivamente seu embaixador em Brasília, “para resguardar a legalidade internacional e em solidariedade ao povo do Brasil”.

O Equador e a Bolívia também prometeram retirar seus embaixadores de Brasília. E, juntamente com a Nicarágua, denunciaram o que consideram ser um “golpe parlamentar” contra Dilma Rousseff perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral, Luís Almagro, foi ministro das Relações Exteriores do Uruguai, no governo do ex-guerrilheiro Jose “Pepe” Mujica.

Almagro tem sido um dos maiores críticos da Venezuela. Segundo ele, a democracia naquele país deixou de existir, quando Maduro começou a perseguir seus opositores, que nesta quinta-feira (1º) convocarão uma grande marcha de protesto. Eles conquistaram maioria no Congresso em dezembro e estão juntando assinaturas para convocar um referendo revogatório com o objetivo de destituir Maduro antes do  fim de seu mandato em 2019. O objetivo é realizar o plebiscito antes do fim do ano, para realizar novas eleições presidenciais. Depois desse prazo, mesmo se Maduro for derrotado nas urnas, o vice dele assumirá o poder.

Cuba (que está em pleno processo de reaproximação com os Estados Unidos, depois de mais de meio século de guerra fria) também criticou o impeachment de Dilma. Mas a Venezuela foi além dos demais, ao prometer “congelar as relações políticas e diplomáticas com o governo [de Temer] que surgiu desse golpe parlamentar”.

Foi graças à destituição do então presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012, que a Venezuela conseguiu aderir ao Mercosul. Sua entrada havia sido aprovada pelos governos dos quatro países fundadores, que na época eram todos de esquerda. Mas tinha sido vetada pelo Congresso paraguaio, dominada pelo Partido Colorado, de direita – atualmente no poder.

Apesar de o impeachment estar previsto na constituição paraguaia, o processo-relâmpago que destituiu Lugo foi considerado um “golpe parlamentar” pelos governos da região, que suspenderam o Paraguai do Mercosul até o vice-presidente concluir o mandato e convocar novas eleições presidenciais. O vencedor, Horácio Cartes, é do Partido Colorado que votou contra Lugo.

Enquanto o Paraguai estava afastado – sem voz, nem voto –, a Venezuela foi admitida no Mercosul e tinha até meados de agosto para incorporar centenas de normas e adquirir status de membro pleno. Isso não aconteceu, até porque a conjuntura internacional mudou: os preços das commodities (entre eles o do petróleo, principal produto de exportação venezuelano) caíram. As economias regionais deixaram de crescer ao ritmo da década anterior, quando sobrava dinheiro para financiar planos sociais.

De todos os membros do Mercosul, o Paraguai foi o mais crítico da Venezuela. O maior jornal do país, o ABC Color, deu menos destaque à saída de Dilma do que ao fim do “bolivarianismo” – movimento lançado pelo ex-presidente da Venezuela Hugo Chavez, que pregava a união da América Latina e a adoção de um modelo econômico regional alternativo, mais voltado para a área social. Em menor ou maior medida, a Argentina, o Brasil, a Bolívia, o Uruguai e o Equador – seguiram uma receita parecida, reduzindo de forma significativa a pobreza. “Temer confirma o fim do Brasil bolivariano”, anunciou o jornal.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet – que como Dilma foi vítima da ditadura militar e cumpre seu segundo mandato – emitiu comunicado manifestando respeito “pelos assuntos internos de outros Estados e em relação à recente decisão adotada pelo Senado brasileiro”. Além de expressar confiança de que o Brasil vai resolver seus desafios, Bachelet manifestou “apreço e reconhecimento à ex-presidenta Dilma Rousseff” e afirmou que os dois países “mantiveram relação intensa e produtiva durante seu mandato”.

Os argentinos – que enfrentam três anos de estagnação econômica e cujo presidente, Mauricio Macri, em oito meses de governo anunciou ajustes, sem conseguir atrair os investimentos previstos – esperam que o impeachment acabe com o clima de incerteza política que paralisava os negócios. Na imprensa, muitos analistas dizem que o panorama pode continuar complicado, com o surgimento de novas denúncias e o PT na oposição.

Ex-presidentes

Os ex-presidentes da região que conviveram com 13 anos de governos petistas também se manifestaram. A antecessora da Mauricio Macri, Cristina Kirchner, expressou a sua opinião sobre o impeachment pelo Twitter: “América do Sul, outra vez laboratório da direita mais extrema. Nosso coração junto ao povo brasileiro, Dilma, Lula e os companheiros do PT. Se consumiu no Brasil o golpe institucional”, disse.

Cristina é acusada por Macri de ter esvaziado os cofres públicos e deixado como herança uma inflação anual de dois dígitos – uma situação que o obrigou a tomar medidas de ajuste, na esperança de atrair investimentos.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vasquez, manteve silêncio. Seu antecessor, Jose “Pepe” Mujica – que é hoje senador do mesmo partido –, afirmou em reunião com líderes sindicais que oimpeachment de Dilma “foi um golpe anunciado”, mas que serviu de lição: “A companheira Dilma não teve cintura para negociar e, sobretudo, surpreendeu muita gente de suas próprias fileiras porque quis frear o peso da crise econômica com algum tipo de medida relativamente conservadora”.

Imprensa

A notícia da saída de Dilma e da posse de Michel Temer foi manchete na imprensa latino-americana, que refletiu o debate no Brasil entre aqueles descontentes com a crise – que acham que o PT afundou a economia – e os que dizem que a ex-presidenta foi julgada injustamente, por um crime menor e por políticos comprovadamente corruptos.

“Dilma disse que se consumou um golpe de Estado”, noticiou o jornal argentino Clarin, ao explicar que ela não foi julgada por corrupção – mas pela manipulação de contas públicas (“pedaladas fiscais”). “É o fim de uma era no Brasil”, acrescentou. O jornal de maior circulação na Argentina descreve Temer como um político “conciliador”, que mede suas palavras e terá a difícil tarefa de fazer os ajustes necessários. Acrescentou que considera “todos culpáveis” pela situação e opina que “o poder dominante” se aproveitou das circunstâncias “para transferir a responsabilidade da eleição de uma maioria nacional a meia centena de senadores”, o que abre perigoso precedente na região.

O jornal argentino Pagina 12, de esquerda, resumiu o impeachment em um título de duas palavras: “Golpe Consumado”. Acrescentou que, mesmo destituída, Dilma terá futuro politico. Seus opositores não obtiveram o apoio necessário de dois terços do Senado para inabilitá-la de exercer cargos políticos durante oito anos. A agencia oficial Telam também ressalta a decisão de Dilma de continuar se opondo aos “golpistas”.(fonte:agência brasil)

Dilma sofre impeachment; entenda o que ocorre agora

Com a concretização do impeachment, o PMDB chega mais uma vez à Presidência de forma indireta

A presidente Dilma Vana Rousseff foi afastada definitivamente do cargo de chefe de Estado do Brasil, nesta quarta-feira (31), após votação no senado federal. Ao todo foram 61 votos a favor, 20 contra e 0 senadores votaram nulo. Com a confirmação do impeachment, Temer tomará posse em solenidade no Congresso Nacional, ainda nesta quarta.

Na sequência, foi votado se Dilma ficará ou não inabilitada para o exercício de funções públicas por oito anos. Por 42 votos favoráveis, 36 contrários e 3 abstenções, ficou decidido que Dilma poderá exercer função pública.

O agora presidente em exercício, pretende se pronunciar às 20h, para após isso, viajar para China, onde vai participar do encontro do G20 (grupo das maiores economias do mundo).

Com a concretização do impeachment, o PMDB chega mais uma vez à Presidência de forma indireta. A última vez que isso aconteceu foi em 1985, quando o então vice José Sarney assumiu após Tancredo Neves morrer antes de tomar posse.

A presidente da República afastada, Dilma Rousseff, fará declaração à imprensa após a decisão do Senado sobre o processo que pede seu afastamento definitivo do cargo. O pronunciamento de Dilma será realizado no Palácio da Alvorada, por volta das 13 horas.(fonte:notícias ao minuto)

Dilma acompanhará votação ao lado de Lula e ex-ministros

Ex-ministros mais próximos da petista, como Jaques Wagner e Miguel Rossetto, também deverão acompanhá-la

A presidenta eleita Dilma Rousseff deve assistir à votação final do julgamento do processo de impeachment, nesta quarta-feira (31), na residência oficial, o Palácio da Alvorada, acompanhada de alguns aliados, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também estarão ao lado de Dilma o presidente do PT, Rui Falcão, e o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), um de seus principais defensores no Congresso nacional.

Segundo o portal G1, ex-ministros mais próximos da petista, como Jaques Wagner e Miguel Rossetto, também deverão acompanhá-la enquanto o Senado decide se aprova ou rejeita o impeachment.

Após o Senado tomar uma decisão, a presidente afastada pode fazer um pronunciamento informaram nesta terça (30) os assessores de Dilma. Embora a decisão ainda não tenha sido divulgada, o pronunciamento deverá ocorrer no Palácio da Alvorada. A expectativa entre senadores, entretanto, é que ainda pela manhã o resultado já será conhecido.(fonte:notícias ao minuto)