terça-feira, agosto 16, 2022

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MP apura se pacientes do Samu tinham objetos furtados, em Goiânia

Há denúncia de que pessoas eram furtadas e dopadas, diz promotor
Órgão investiga fraude no encaminhamento de pacientes para UTIs

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) está apurando se os suspeitos de fraude no encaminhamento de pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para Unidades de Terapia Intensiva (UTI) furtavam objetos de quem era transportado pelas ambulâncias. De acordo com o promotor José Carlos Miranda Nery Júnior, alguns funcionários do órgão denunciou que os pacientes eram furtados e depois dopados.

“Alguns dos funcionários disseram que havia reclamações de vários pacientes atendidos que tinham a carteira, aparelhos celulares que eram furtados no momento do atendimento. Estes funcionários do Samu relataram pra gente que muitas das vezes os autores desses furtos eram funcionários do próprio Samu”, afirmou o promotor.

A operação SOS Samu foi deflagrada pelo MP-GO na terça-feira (21) na Grande Goiânia. De acordo com as investigações, um grupo composto por médicos, funcionários do Samu e donos de hospitais fraudava o encaminhamento de pacientes para serem internados em UTIs particulares. No total, 21 pessoas foram presas.

Um socorrista do Samu que não quis se identificar lamentou o fato e disse que a fraude não reflete com a realidade do “O que aconteceu, isso foi um caso isolado de pessoas que acontece, que faz isso aí. A gente nem sabia”, relatou.

Entre os detidos estão um membro da diretoria do Samu e donos de UTIs. Segundo o MP, o foco era pacientes que tinham plano de saúde. Após ser feito o atendimento de urgência pelo Samu, os socorristas entravam em contato com a central de regulação, responsável por controlar o encaminhamento das vagas das UTIs.

Ao invés de mandar o paciente a algum hospital vinculado ao SUS, encaminhavam para unidades particulares. Com isso, as UTIs ficavam cheias de pacientes, garantindo lucro para os médicos e donos dos leitos.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (Gaeco) diz que, em alguns casos, os médicos tomaram ações que colocaram em risco a saúde dos pacientes. “Um paciente que precisava de glicose e não foi ministrado. Foi dada medicação para induzir o coma, para que ele fosse internado”, disse o coordenador da divisão, Luis Guilherme Gimes.

MP faz ação para combater fraudes no Samu, em Goiânia, Goiás (Foto: Cassiano Rolim/TV Anhanguera)
Ação prendeu médicos e funcionários do órgão, na capital (Foto: Cassiano Rolim/TV Anhanguera)

Em outro caso, o MP afirma que um dos suspeitos colocou a vida de um homem em risco para transportá-lo para um hospital que fazia parte do esquema fraudulento. “Temos uma testemunha que foi ouvida e nos disse que um paciente, vítima de AVC, foi atendida pelo Samu e eles estavam praticamente em frente de um hospital. Fizeram contato com a regulação e o médico regulador determinou que esse paciente fosse encaminhado para outro hospital, que não era o mais próximo, mesmo gerando perigo de morte”, explicou Gimenes.

Agora, os investigadores tentam localizar os prontuários médicos para saber se houve morte causada pela ação dos médicos, socorristas e donos de UTIs.

“O que chamou mais atenção foi exatamente isso, que era a questão de você ter um serviço que era pra dar atendimento de saúde do paciente e, ao invés de dar um atendimento pra melhora da saúde, você tem um atendimento pra piora da saúde pra justifcar o encaminhamento para uma UTI”, reiterou o promotor.

A defesa de um dos médicos presos durante a operação disse que o cliente está tranquilo e colaborando com as investigações.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que vai abrir uma sindicância para apurar todos os fatos e, se forem confirmadas a participação dos servidores e do diretor, vai tomar as medidas cabíveis, que pode até exonerar os funcionários.

Propina
Os subornos, conforme a denúncia, eram passados por médicos e por proprietários de UTIs por meio de depósitos bancários ou até mesmo entregando dinheiro em espécie diretamente aos integrantes do esquema. Entre as provas colhidas pelo MP estão confissões de pessoas envolvidas no esquema e quebra de sigilos bancários.

“Servidores técnicos, enfermeiros e socorristas começaram recebendo R$ 100 e hoje já estava em R$ 500. Já um médico podia receber até o valor de uma diária de internação na UTI”, disse o coordenador do Gaeco.(fonte:g1/go)

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