Requião expõe racha no PMDB: ‘Governo Temer seria desastre igual ao de Dilma’

Agência Senado
Image copyrightAgencia Senado Image captionRoberto Requião diz que se sente isolado no partido, mas que não pensa em desfiliação

O senador paranaense Roberto Requião está no PMDB há mais de 30 anos, desde a época do MDB, e foi pela sigla deputado, governador do Paraná e prefeito de Curitiba. Hoje, diante da saída do partido da base aliada, diz não reconhecer o PMDB em que entrou, considera a reunião de terça-feira “uma piada” e reprova Temer no poder: “sem proposta, seria um desastre igual ao que está sendo o da Dilma”.

Para Requião, o partido não pode sair do governo, porque nunca entrou efetivamente. “Ele (o PMDB) nunca se sentiu representado.”

Duro crítico do plano batizado de Uma Ponte para o Futuro, prévia do que seria um governo Temer na área econômica, o senador afirma que as medidas causariam a “maior crise social da história do Brasil”.

O plano de reformas liberais inclui relaxamento de leis trabalhistas, privatizações, concessões e custos salariais menores. “É uma espécie de protocolo dos sábios do mercado”, diz.

Isolado no partido, não pensa em se desfiliar. “Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?”

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O senhor esteve na reunião da terça-feira (que decidiu pela saída do PMDB do governo)?

Roberto Requião – Não, o Paraná não compareceu à reunião.

BBC Brasil – Como avalia a saída do partido?

Roberto Requião – Em primeiro lugar, a saída de um partido do governo é uma coisa normal no sistema democrático. Mas, tudo isso tem que ter um pressuposto: por que vamos sair? O que queremos ao sair? O que propomos para o país? Não vi nada nisso. Vi na mesa o (Eduardo) Cunha, o (Eliseu) Padilha e o (Romero) Jucá comandando uma reunião em que não sei quem votou, porque não havia identificação de eleitores, foi por aclamação. Logo não se pode nem saber se era o PMDB que estava lá.

E não há nenhuma proposta alternativa, pelo contrário. O Jucá é o porta-voz de um documento que se chama Uma Ponte para o Futuro, que é uma espécie de protocolo dos sábios do mercado. É mais radical do que toda a operação fiscal do (ex-ministro da Fazenda) Joaquim Levy, que beneficia o capital especulativo e prejudica duramente o trabalho. É pior do que o que se propôs para Grécia, Itália, Portugal e Espanha. Mas esse documento não é do partido.

BBC Brasil – Ele não pode ser considerado uma proposta?

Roberto Requião – Claro que não. Não tem proposta. Esse documento foi levado a uma reunião nacional da Fundação Pedroso Horta (órgão de formulação política do PMDB) e foi rejeitado. Nem puseram em votação porque havia uma rejeição absoluta da base partidária.

Não entendo o que significa sair do governo. Por quê? Para quê? Propondo o quê? Digo isso com conforto, porque me manifesto contra a política econômica do governo desde o primeiro dia.

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Image captionPara senador, PDMB não tem projeto para o país e reunião de terça foi “uma piada”

BBC Brasil – Na sua visão, o Ponte para o Futuro seria pior do que a política econômica do governo?

Roberto Requião – Seria um verdadeiro horror e é uma contradição com a história do PMDB. O documento base do PMDB é Esperança e Mudança. É um documento de retomada do desenvolvimento, de ativamento das garantias sociais. É o Estado social, do meio ambiente, do respeito às leis trabalhistas, que protege o trabalho interno.

Esse (Ponte para o Futuro) nem o FMI faria tão ruim. Nos coloca numa situação de primarização da economia.

BBC Brasil – Quais suas principais críticas em relação ao documento?

Roberto Requião – Ele não é para ser colocado num contexto de disputa eleitoral para o povo brasileiro. É para o mercado, para os banqueiros, porque ele teria uma rejeição absoluta no país. Agora o PMDB sai do governo. E tem mais ainda: será que o PMDB já foi governo? Acho que não foi.

Se o PMDB estivesse no governo, se os ministros da Dilma representassem o partido, a convenção não sairia do governo, os ministros teriam o controle da sigla, estariam representando suas bases. Mas o partido nunca se sentiu representado. Como sete ministros não têm influência alguma? Porque não eram ministros do partido. O meu PMDB nunca foi governo. Isso foi um produto de um acordo congressual.

BBC Brasil – Então, para o senhor, o PMDB não está representado no documento e nem na reunião?

Roberto Requião – O PMDB que conheço não estava representado nisso e muito menos nesse documento. O PMDB poderia sair do governo, claro que poderia. Monta convenções no Brasil inteiro, formula uma proposta e diz: olha, o governo da Dilma está indo por um caminho neoliberal que não satisfaz os caminhos traçados ao longo da nossa história. Mas esse pessoal estava fazendo exatamente o contrário.

BBC Brasil – Mas o senhor é a favor da saída do governo dadas as atuais circunstâncias?

Roberto Requião – Não. Sou favorável à mudança da política econômica do Brasil. Não posso falar em sair do governo porque nunca entrei.

BBC Brasil – Como vê a posição de Michel Temer hoje?

Roberto Requião – Ele não foi à reunião (de terça-feira). A carta dele (à presidente Dilma Rousseff, que veio a público em dezembro) mostra que ele se sentia isolado, que não era parte de nada, não era parte das discussões econômicas. Isso é fato.

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Image captionSenador diz que não houve crime de responsabilidade e Dilma deve acabar mandato

BBC Brasil – Para o senhor, a saída do PMDB aumenta as chances de um impeachment?

Roberto Requião – Não acho que uma coisa tem a ver com a outra. O impeachment legal é o julgamento de um crime de responsabilidade. E não houve esse crime. Não é uma questão de acreditar ou não: não houve.

E eu sou contra a política econômica da Dilma, talvez eu seja o maior opositor dentro do Congresso. Esse crime de responsabilidade atinge o comportamento de 16 governadores do Brasil. Tem algum impeachment contra eles, que fizeram a mesma coisa?

BBC Brasil – Como vê a campanha pró-impeachment?

Roberto Requião– É uma jogada de quem perdeu eleição, e do capital financeiro, que quer comandar o Brasil. Dentro do Congresso propõem o fim das estatais, transformá-las em sociedades anônimas; propõem colocar limite no endividamento – se os Estados Unidos tivessem limite para o endividamento teriam fechado na última crise.

É um pacote que marcha paralelamente à derrubada do governo da Dilma: a entrega do petróleo; a liquidação da Petrobras; corte de investimentos do Minha Casa Minha Vida… (sendo que) a maior indústria brasileira é a construção civil. Está caminhando a entrega do país. E, do meu ponto de vista, há um autismo social da Dilma. Ela não está enxergando nada, está repetindo políticas liberais: primeiro o Joaquim Levy, depois trocado pelo Barbosa.

BBC Brasil – Como avalia a política econômica?

Roberto Requião – (Dilma) está perdidíssima. O Levy era uma sinalização para o mercado, que levou a um arrocho fiscal e fez o governo perder completamente seu apoio sindical. Foi minando suas bases. E quem votava a favor de todos os erros da Dilma no Congresso? O PMDB e o PSDB. A favor do Levy, a favor das bobagens do Barbosa.

BBC Brasil – É uma posição contraditória?

Roberto Requião – Claro! Acho que, em defesa da democracia, a Dilma tinha que terminar seu mandato.

BBC Brasil – O senhor falou em ameaça à democracia. Acha que os caminhos que estamos percorrendo na política arriscam o sistema democrático?

Roberto Requião – (Os caminhos) são imprevisíveis. Há uma campanha amplíssima de desmoralização, em parte merecida, da política e dos políticos. Isso pode abrir espaço para vir um super-herói, dependendo das circunstâncias, da direita ou da esquerda.

Image captionAdmirador de Moro no início de seu trabalho, Requião diz que juiz passou os limites da legalidade

BBC Brasil – Quem seria esse super-herói?

Roberto Requião – Pode vir um Bolsonaro, um general salvador. Por isso prefiro que as coisas sejam resolvidas dentro do processo democrático. Sérgio Moro, por exemplo. Achava um sujeito extraordinário no começo do seu trabalho, mas extrapolou os limites do direito.

Sem o trabalho dele e dos procuradores, nós não saberíamos de nada. Só que são juízes e não percebem a utilização de seus exageros para a dominação do capital financeiro sobre o país. Eles estão sendo instrumentalizados e (ficam) satisfeitíssimos pela própria vaidade. Agora, o trabalho deles é muito bonito.

BBC Brasil – Mas é questionável?

Roberto Requião – Porque está atropelando espaços do garantismo jurídico. Acho que o Moro é quem menos acredita na Justiça no Brasil. Porque ele provoca esses vazamentos para pressionar o Supremo Tribunal Federal. Mas Moro tem que ver o que aconteceu primeiro com Weimar (república estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial), que, num esforço moralizante, só punia os progressistas e a esquerda. E deu margem para o surgimento do Hitler. O que aconteceu na Itália quando surge o Berlusconi. Quer dizer, estão embalados pela sua visão paladina e estão abrindo espaço para a direita brasileira.

Não quero que parem. Mas não podem passar do limite legal.

BBC Brasil – Quais seriam esses limites? A condução coercitiva do Lula?

Roberto Requião – Não. A condução coercitiva foi um espetáculo para a mídia, não foi um ato de justiça. O vazamento dos grampos é uma tentativa de comoção nacional. O limite é da razoabilidade, que a lei estabelece. Como é que você joga na mídia uma conversa pessoal de um presidente com um ex-presidente, que é seu amigo? Quando não tem nada a ver com o processo. Fui um entusiasmado incentivador no começo. Mas estão provocando um conflito social que não podem segurar. E outra coisa: o país não está debatendo nada. Tudo está vindo embalado na movimentação moralizante.

BBC Brasil – E o diálogo dentro do PMDB?

Roberto Requião – O PMDB não discute. Sou da bancada do Senado e ela não se reúne. Há uma ausência de projeto.

BBC Brasil – Isso vem se intensificando nos últimos anos?

Roberto Requião – O PDMB tem documentos magníficos. (A falta de diálogo) Foi parte da captura do PMDB pelos empregos, pela fisiologia, com a parte corrompida do PT. É o que eu digo: se esse pessoal que está no ministério é PMDB, por que não tinha um apoio no diretório nacional? Chegaram pelos acordos com o PT. Há uma vontade de poder, com um projeto capenga. A “Ponte para o Futuro” causaria a maior crise social da história do Brasil.

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Image captionTemer não está pensando no país, está pensando no poder, diz senador

BBC Brasil – Como seria um governo do PMDB?

Roberto Requião – Acho que, sem uma proposta, seria um desastre igual ao está sendo o da Dilma. O Temer deveria estar pensando no Brasil e ele está capturado por aquele pessoal da extrema direita. Ideologicamente, ele está capturado, está bancando esse projeto louco. Ele é vice-presidente da República e está pensando no poder. Ele acredita que aquele seja um projeto nacional, mas não é, é um desastre nacional.

Estamos no caminho de uma crise. Com Temer, sem Temer, com Dilma, sem Dilma e não há um projeto nacional. A reunião do PMDB foi uma piada. Saímos do governo e não tiveram coragem para colocar em discussão a Ponte para o Futuro, porque acho que, mesmo lá naquela farsa, não passava. Aquilo foi uma piada. E terminou com Padilha, Jucá e Cunha de mãos dadas para cima, para o alto e para a glória. Não é o PMDB em que eu entrei, muito tempo atrás.

BBC Brasil – O senhor pensa em desfiliar-se?

Roberto Requião – Eu não! Acho que a briga é dentro do partido. Sou uma frente de resistência, desde que nasci. Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?

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Grupo se reúne na Praça Cívica em apoio à Dilma

De acordo com a organização, 5 mil pessoas estão no local. Já a Polícia Militar falou em 300 manifestantes. O grupo se reuniu por volta de 17h.

praça civica“A Dilma é honesta, o povo é testemunha, quem vai sair é o cunha”. Esse é um dos gritos do grupo de manifestantes pró-Dilma que estão reunidos desde às 17h na Praça Cívica, em Goiânia, na noite desta quinta-feira (31). Os manifestantes vão dar a volta na Praça Cívica e seguir pela Rua Dez até a Praça Universitária.

Há outras manifestações sendo realizadas em diversas cidades do Brasil.

Em Goiânia, os manifestantes usam adesivos e empunham cartazes e faixas em apoio à presidente Dilma. Muitos deles usam coletes da Central Única dos Trabalhadores de Goiás (CUT-GO).

O prefeito Paulo Garcia, a deputada Adriana Acorsi, pessoas ligadas ao SindSaude, Movimento dos Sem Terra (MST) e Movimento Camponês Popular (MCP) também participam do ato.

A Praça Cívica não foi interditada e a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) controla o trânsito no local.

Empresários redobram pressão contra Dilma e cobram o Congresso

pagar o pato
© Fernando Bizerra Jr. Campanha da Fiesp em Brasília contra o Governo Dilma.

Se o Brasil fosse comparado a uma panela de pressão poderia se dizer que os empresários resolveram, de uma vez, aumentar fogo. Impacientes por se sentar à mesa do crescimento, já não escondem a torcida para que a presidenta Dilma vá para casa e o vice, Michel Temer, assuma. O sinal mais claro e recente foi dado pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) que, em representação de centenas de entidades da indústria, comércio, serviços e agricultura, ocupou nesta terça-feira os principais jornais do país com uma ostensiva campanha publicitária. Os lemas “Impeachment já” e “Chega de pagar o pato” imprimiram-se em 16 rodapés de página que chegaram às bancas de todo o país e apareceram no fundo da tela de um jornal brasileiro. A ofensiva de marketing soma-se à onda de campanhas anti-Governo que a federação já vinha patrocinando há meses e simboliza a mudança de postura dos empresários paulistas que apostam hoje, não pela renúncia de Dilma Rousseff, e sim por pressionar deputados e senadores para que priorizem o impeachment da presidenta.

Mais sutis, mas na mesma linha, mostraram-se os empresários que participaram nesta terça-feira de um seminário sobre como destravar os investimentos em infraestrutura, celebrado na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Nos corredores, dava-se por certo, e com naturalidade, o final político de Dilma Rousseff no curto prazo, sobretudo após o rompimento do PMDB com o Governo. A sensação é de pressa. “Ela não chega no final de abril. Ela vai cair porque passou por cima da lei e porque o povo está cheio. Há uma paralisia irremediável na economia, 2015 foi o pior ano para minha empresa em três décadas. Nunca vi nada igual”, critica um dos participantes que não quer ser identificado por manter contratos com o Governo. “O impeachment é um caminho sem volta. Nós não conseguimos ter a confiança do mercado, nem ter um mínimo de governabilidade”, explicou um dos participantes, funcionário de uma empresa pública federal.

Para Claudio Frischtak, da Consultoria Internacional de Negócios Inter.B e palestrante do evento, o Brasil vive o “fenômeno da bola de neve”. “Quando a bola começa a rodar você desconhece o tamanho que pode adquirir, mas chega um momento em que pode se tornar irreversível. Nós ainda não chegamos nesse ponto, mas já estamos no começo de um processo de irreversibilidade. A dinâmica pró-impeachment é tão forte que fica difícil de reverter”, explica Frischtak, que não lembra precedentes de um envolvimento similar do empresariado brasileiro em uma questão política. “E não é só o grande empresariado que é a favor, é também o médio e o pequeno empresário, o que faz uma enorme diferença. Nunca há unanimidade, mas se fizermos um levantamento hoje, veríamos que 95% dos empresários não querem o Governo atual”, completa Frischtak.

Essa unanimidade, no entanto, não existia há cerca de quatro meses entre os donos do dinheiro. Enquanto o foco da FIESP era exigir a renúncia de Dilma Rousseff, a Firjan rechaçava o impeachment da presidenta. Em dezembro, a federação que representa os empresários do Rio sustentava que o processo de impeachment estava gerando “tumulto” e dificultava ainda mais o esforço do empresariado para encontrar um interlocutor no Governo que ajudasse a destravar a economia. Em mais um exemplo de como o cenário atual de crise é dinâmico e imprevisível, a sede da federação fluminense está forrada, desde a última manifestação do 15 de março, de adesivos verde amarelo com a legenda pró-impeachment na mesma linha que os colegas de São Paulo: “Todos nós falamos, agora o Congresso precisa ouvir”.

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Dilma cancela ida aos EUA e evita que Temer assuma após desembarque do PMDB

dilma + temerA presidente Dilma Rousseff decidiu nesta terça-feira (29) cancelar a viagem que faria aos Estados Unidos na próxima quinta (31) para participar da 4ª Cúpula Sobre Segurança Nuclear, que acontecerá em Washington.

A decisão foi tomada no momento em que o PMDB oficializa o desembarque definitivo do governo federal e a crise política que a petista enfrenta se acirra com a possibilidade de que outros partidos aliados também se afastem do governo.

Interlocutores da presidente afirmam que ela ainda pode mudar de ideia e comparecer ao evento, mas Dilma ordenou que a viagem da equipe precursora -responsável por verificar questões de segurança e de logística para o presidente da República em qualquer tipo de evento-, marcada para esta terça, também fosse cancelada.

Inicialmente, Dilma viajaria aos Estados Unidos na quinta-feira de manhã mas, com o agravamento da crise, já havia pedido que o embarque fosse realizado à noite.

O cancelamento da viagem também evitará que o vice-presidente Michel Temer, presidente nacional do PMDB e principal articulador do rompimento, assuma o comando do país por dois dias.

De acordo com a Constituição, o vice-presidente da República assume o posto de presidente sempre que o titular sai do território nacional.

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Marina Silva diz que Temer na Presidência provocaria “bololô”

Ex-ministra voltou a defender que melhor saída seria impugnação da chapa Dilma-Temer

marinaA ex-ministra Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, disse na madrugada desta terça-feira (29), durante entrevista ao apresentador Jô Soares, no Programa do Jô, que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, se aprovado, cumpriria uma “formalidade”, mas não sua “finalidade”.

Se o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumisse, segundo ela, ocorreria um “bololô”.

A expressão foi usada antes pelo apresentador, para se referir à possibilidade de afastamento da presidente e do vice, que provocaria, segundo ele, uma confusão ainda maior que o impeachment.

Para Marina, no entanto, Dilma e Temer têm responsabilidades equivalentes pela atual crise.

— Os dois partidos [PT e PMDB] estão implicados igualmente.

A ex-ministra voltou a defender que a melhor saída para a crise seria a impugnação da chapa Dilma-Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que provocaria novas eleições se ocorresse ainda em 2016.

Jô tratou a entrevistada como candidata e perguntou se ela já teria escolhido nomes para o Ministério. Marina negou que já tenha tomado qualquer decisão.

— Não é uma mentira branca nem mentira negra ou preta. É a mais profunda verdade e pago um preço muito alto quando digo que não sei se serei candidata. Meu objetivo de vida não é ser presidente, é ver o Brasil melhor.

A líder da Rede Sustentabilidade afirmou que pensa na possibilidade de concorrer ao Planalto, mas que não quer “instrumentalizar” a crise.

— O mais importante é dar contribuição genuína. (…) Não fico ligada em pesquisa de opinião. É um registro de um momento. E é um momento muito delicado da vida do nosso País, com inflação, desemprego, juros altos e descrença nas lideranças políticas.

Marina foi candidata a presidente em 2010, pelo PV, e em 2014, pelo PSB — na vaga herdada de Eduardo Campos, morto em desastre aéreo durante a campanha.

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Com rompimento do PMDB, Planalto quer separar ‘joio do trigo’ no partido

POR PAINEL

Quem é quem Depois de esgotar todas as tentativas de adiar o rompimento do PMDB, decisão que deve se confirmar nesta terça-feira, o Planalto prepara uma ofensiva para separar o “joio do trigo” no partido e ter certeza de quem são os que estão ao seu lado. Confiante de que ainda pode contar com parte da legenda na batalha contra o impeachment de Dilma Rousseff, o governo quer personalizar as críticas nos nomes que já são considerados “perdidos”, mas evitar ataques ao partido de maneira geral.

Esfinge Mesmo após a cisão, Renan Calheiros deve se manter no figurino de presidente do Senado — sem vestir o de dirigente peemedebista.

Inimigo íntimo Petistas lamentam uma ironia: muitos ajudaram Eliseu Padilha a desenhar o mapa de cargos do governo quando ele assumiu a articulação política. Agora, o trabalho é munição contra a própria presidente.

De volta Padilha diz que, ao romper, o PMDB recupera seu protagonismo. “O partido acerta ao seguir suas bases como fazia ao tempo do MDB.”

Dá igual O governo não fez nesta segunda a reunião com ministros de toda a base. Com o corpo mole que alguns vinham fazendo, diz um petista, não fará diferença.

Dentro e fora Além das tarefas de articulação, Lula inicia no fim de semana suas viagens pelo país. Tem agenda em Fortaleza no sábado e em Salvador no domingo.

Respiro Se as negociações para as delações na Odebrecht seguirem os prazos de outras semelhantes, como a da Andrade Gutierrez, as revelações da empreiteira só viriam à tona dentro de alguns meses, depois, portanto, de o processo de impeachment já ter passado pela Câmara.

Muita calma A Corregedoria do CNJ recusou pedido de senadores petistas para investigar Sergio Moro, mas nem sequer chegou a analisar o mérito. Eles se esqueceram de anexar cópia das identidades na peça. Agora, têm 15 dias para corrigir.

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Simples Peemedebistas viram um jeito de Dilma barrar o impeachment: “É só editar medida provisória aumentando os ministérios para 172”, brinca um deles, sobre o número de votos necessários.

Microcosmo No PT, as tratativas do ex-tucano Andrea Matarazzo com o PSD estão sendo vistas como uma derivação do afastamento de Gilberto Kassab do Planalto.

Olha eles Advogados contrários ao pedido de impeachment da OAB diziam que, por coerência, a Ordem deveria pedir investigação de Michel Temer, também citado na delação de Delcídio do Amaral.

Visita à Folha Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, visitou ontem a Folha, onde foi recebida em almoço. Estava acompanhada de Katia Gianone, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social, e de Adélia Chagas, vice-presidente da agência Máquina Cohn & Wolfe.


TIROTEIO

O PMDB não pode deixar a luta política paralisar o país neste momento tão duro. Que o embate se dê no Legislativo.

DO MINISTRO CELSO PANSERA, sobre a possibilidade de o PMDB exigir que seus filiados abandonem os cargos que exercem no governo.


CONTRAPONTO

Ao gosto do freguês

Ainda no início dos trabalhos do Conselho de Ética, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo, disse a deputados do PSOL que acataria a anulação de uma das sessões para não dar margem a mais atrasos no processo sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

— Sou baiano, e aprendi com mestre Bimba que, na capoeira, recuo também é golpe. Às vezes vale dar um passo atrás para dar dois à frente depois.

Ivan Valente (PSOL-SP) brincou:

— Mas isso é puro Lenin, presidente!

Entre as duas, Araújo ficou com a primeira versão. Disse preferir a sabedoria popular.

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Com força-tarefa, Lula tenta evitar impeachment

Ex-presidente articula com deputados e senadores próximos para abater processo contra Dilma

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Ex-presidente Lula: orientação a senadores para que meçam votos contra Dilma em comissão

Brasília – Articulador informal do governo, o ex-presidente Lula conta com uma força-tarefa para tentar evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff e salvar o projeto do PT. Na Câmara e no Senado, parlamentares mais ligados ao ex-presidente, e que conversam com ele com frequência, se organizaram para atuar em várias frentes para abater o processo em curso na Câmara.
A atuação junto ao Palácio do Planalto para conter o impeachment é liderada pelos ministros Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), José Eduardo Cardozo (AGU) e agora também por Eugênio Aragão, novo ministro da Justiça. Os oito deputados titulares da Comissão do Impeachment se reúnem semanalmente com eles e também já se encontraram com Aragão, que assumiu a pasta há pouco menos de duas semanas.

A “tropa” de Lula é composta majoritariamente por parlamentares de São Paulo, berço político do PT, e do Rio Grande do Sul, onde os petistas ainda possuem considerável capital político.
Os deputados mais ligados ao ex-presidente – entre eles Paulo Teixeira (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ), um dos escalados por Lula para defender o governo e que foi alçado à titular na Câmara por articulação do ex-presidente – montaram um grupo e dividiram a bancada em três frentes de atuação.

A jurídica, na qual trabalham Damous, ex-presidente da OAB do Rio, Teixeira e José Mentor (PT-SP); a de Orçamento, para destrinchar e tentar desmontar, na Comissão do Impeachment, os pontos mais ligados a denúncia das pedaladas fiscais, sob a tutela de Pepe Vargas (RS) e Henrique Fontana (RS); e a frente política, que mede os votos dos parlamentares da base, na qual atuam Arlindo Chinaglia (SP), Marco Maia (RS), Paulo Pimenta (RS) e Carlos Zarattini (SP).

As questões de ordem apresentadas nas reuniões do órgão e discursos contra o impeachment ficam mais a cargo dos partidos mais fiéis da base: PCdoB, PDT e Silvio Costa (PTdoB-PE), vice-líder do governo na Câmara. Mas Pimenta e Damous também costumam fazer discursos inflamados da tribuna, como na última segunda-feira, quando Damous chamou o QG da força-tarefa da Lava-Jato de “Guantánamo de Curitiba”. Ele também criticou a OAB, que se posicionou a favor do impeachment, e disse em 1964 a entidade também “embarcou na canoa do golpe”.

Partideco

“Diversos órgãos de imprensa estão denunciando mundo afora que há em curso neste país um golpe midiático, espetacularizado, com participação de determinados setores do sistema de Justiça brasileiro localizado na nossa Guantánamo chamada Curitiba. Isso não fica assim, não somos um partideco. Somos movimentos sociais e partidos políticos enraizados na população brasileira e não vamos aceitar o golpe”, bradou.

Lula costuma se reunir com os senadores e pedir mobilização contra o impeachment, orientando que procurem os integrantes da comissão na Câmara e tentem medir os votos. Nesta semana, em encontro em Brasília, Lula também pediu que já preparem o terreno no Senado, mas parlamentares admitiram que, caso o processo seja aprovado na Câmara, ele vai gerar um “efeito bola de neve” que não poderá ser contido no Senado. “Ele está energizado contra o impeachment”, contou um senador petista.

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“Nesta fase do impeachment, situação de Collor era melhor que a de Dilma”

Para o deputado estadual Ibsen Pinheiro, a petista é alvo de mais acusações de crime de responsabilidade, mas que não se pode ignorar mobilização de setores próximos ao PT

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Líder do PMDB gaúcho analisa semelhanças e diferenças entre a situação de Dilma e de Collor

A seu favor, a presidente Dilma Rousseff tem a capacidade de mobilização de setores historicamente próximos a seu partido, o PT. Por outro lado, na comparação com a mesma fase do processo de impeachment contra Fernando Collor, ela é alvo de um maior número de acusações de crime de responsabilidade.

Essa é a avaliação do deputado estadual Ibsen Pinheiro, líder do PMDB gaúcho e uma das principais testemunhas do início da queda do ex-presidente.

Segundo o peemedebista, que aceitou o pedido de afastamento do hoje senador e presidiu a Câmara dos Deputados durante o processo, o “clima” para o impeachment está em um “acelerado” processo de mudança, com uma piora da situação de Dilma por causa da delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) e da revelação de conversas com o ex-presidente Lula, mesmo que elas sejam consideradas judicialmente ilegais.

Ele faz uma previsão: se a votação for apertada, a presidente tende a escapar do impeachment. “Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação”, diz, ao explicar que a situação à época foi definida por causa do “pequeno”, mas “vergonhoso” episódio do veículo Fiat Elba adquirido com recursos provenientes de corrupção.

Para Pinheiro, assim como Collor, os próximos fatos é que selarão o destino de Dilma. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Em julho passado, o sr. disse à BBC Brasil que não via uma crise político-institucional e, por isso, não havia clima para impeachment. E agora?

Ibsen Pinheiro – Lembro de ter dito que faltavam dois elementos: o primeiro é técnico, é o jurídico, a tipificação da conduta. E o segundo é o político-popular. Ninguém cogita destituir o presidente por um fato menor, ainda que bem definido, como a pedalada fiscal. Não me parecia fundamento para um impeachment, e também não via a presença do sentimento popular.

Bom, as coisas se alteraram, especialmente após a delação do senador Delcídio do Amaral envolver a presidente e o ex-presidente Lula. Posteriormente, as gravações determinadas pelo juiz Sergio Moro trazem também a presença dos dois em atividade que, em tese, alguns já definem como tentativa de intervenção em investigação judicial. O que aí teria também a característica de configurar, em tese, crime de responsabilidade.

O sentimento popular agora tem um grau de mobilização espontânea muito significativo, e a definição do fato corresponde à tipificação do crime de responsabilidade.

BBC Brasil – Mesmo ainda sem comprovação, a delação do Delcídio piora muito a situação da presidente?

Ibsen Pinheiro – A comprovação é um pré-requisito essencial, mas, num processo de impeachment, o julgador, que é o deputado no primeiro momento e o senador no segundo, não é um técnico nem um jurista, salvo exceções.

Um exemplo concreto: houve um senador que foi gravado incidentalmente, pois o monitorado era seu interlocutor, por decisão de um juiz de primeiro grau. Logo faltava a decisão do foro especial, que é o Supremo. Falo do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Ibsen Pinheiro comandou o processo que afastou Fernando Collor da presidência
Reprodução/Facebook

Ibsen Pinheiro comandou o processo que afastou Fernando Collor da presidência

Num processo criminal, essa prova não pode ser usada, mas o senador perdeu o mandato por causa dessa conversa. Porque o julgamento político ocorreu: “não podemos ignorar esse fato, ele é verdadeiro e grave”. Então foi fundamento para a cassação.

BBC Brasil – É como se, no processo no Congresso, o imoral pesasse mais do que o ilegal?

Ibsen Pinheiro – Num processo político, o fundamento moral tem mais peso. Mas o peso decisivo é o fundamento político aliado à percepção dos fatos. Se o fato está comprovado, pouca relevância tem se essa comprovação surgiu com o devido processo legal ou por uma escuta ilegal.

BBC Brasil – A Comissão Especial está instalada, e já corre o prazo para a defesa da presidente. O que é determinante agora?

Ibsen Pinheiro – A primeira manifestação relevante da comissão vai ser a última, que é o parecer. Ela agora está fazendo reuniões que a rigor são preparatórias, não houve a defesa ainda. Ela vai ouvir especialistas, juristas, mas essa é uma atividade mais midiática do que de conteúdo. Embora possa ser útil, claro, para discutir em tese o problema.

BBC Brasil – Se formos comparar com o mesmo momento do caso Collor, em 1992, a situação de Dilma é melhor ou pior?

Ibsen Pinheiro – Melhor num aspecto e pior num outro. Pior porque o volume de acusações compatíveis com a definição do crime de responsabilidade é maior por causa da quantidade de delações, das entrevistas e das gravações.

No caso de Collor, as acusações pesadíssimas não eram contra ele, eram contra PC Farias. As acusações de cumplicidade eram importantes do ponto de vista político, mas não tiveram comprovação. A entrevista do irmão, do motorista, eram genéricas: Passavam a ideia de verdade, mas não tiveram comprovação. Um pequeno fato, e vergonhoso, foi o fator decisivo: o Fiat Elba.

A situação dele, até o Fiat Elba, era menos carregada de acusações de crime de responsabilidade.

BBC Brasil – E em que ponto Dilma está em melhor situação?

Ibsen Pinheiro – Ela pode estar minoritária, mas não está isolada. Ao contrário do Collor, foi candidata de um grande partido, o PT, e com apoio de um partido pequeno, mas com grande tradição política, o PC do B. E esses partidos têm base e têm inserção social, especialmente em alguns setores da vida sindical e estamentos sociais de grande vinculação política e ideológica com o PT. É um número significativo, como se viu nas manifestações a favor do governo.

Para Pinheiro, caso a votação seja apertada, o impeachment não vai passar
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 22.03.16

Para Pinheiro, caso a votação seja apertada, o impeachment não vai passar

Eu diria que a opinião pública mobilizou-se a favor do impeachment, esse é o sentimento generalizado. Mas que os setores dos quais o PT tem ramificações, influência e história, junto com o PC do B, têm uma capacidade de mobilização significativa.

BBC Brasil – Se o sr. pudesse fazer uma aposta agora, diria que ela vai cair?

Ibsen Pinheiro – Não há clareza hoje para afirmar. Escuto e leio com frequência que a presidente precisa de 172 votos. Não, não precisa. Ela precisa que os votos contra, as abstenções e as ausências somem 172 deputados.

Então, em vez de responder sim ou não, vou responder condicionado: se for por votação apertada, acho que não passa (o impeachment). Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação.

BBC Brasil – Esse clima existe agora?

Ibsen Pinheiro – O clima está em um processo de mudança muito acelerado. E ele depende de fatos também. Doutor Ulysses (Guimarães) dizia que tudo é importante na vida política, mas a cadeira principal pertence à sua excelência, o fato. Não posso adivinhar nem especular, mas pode ocorrer algo que altere profundamente a situação.

Lembro que o Collor, no começo, tinha do seu lado duas das maiores bancadas – o PDS, antiga Arena, e o PFL. E tinha outra bancada grande, que era de quase uma centena de deputados do PMDB. Sei bem porque era o líder da bancada, tínhamos 235 deputados. E desses, quase uma centena votou a favor do confisco da poupança, embora a liderança tenha combatido tenazmente. E votaria com o Collor no caso do impeachment.

Mas a sucessão dos fatos – a entrevista do irmão, do motorista, o Fiat Elba –, devastou (o apoio).

BBC Brasil – O PMDB está ensaiando um rompimento com o governo. Como o senhor avalia isso?

Ibsen Pinheiro – É uma profunda alteração e aceleração de um sentimento do PMDB. Vejo festejando de um modo singular, porque o PMDB gaúcho foi contra essa coligação antes da eleição. Tivemos de dizer ao Michel Temer que o apreço que tínhamos por ele não seria afetado, mas nós não votaríamos na chapa que integrava.

Nunca quisemos essa parceria porque nunca apreciamos as políticas públicas do PT. Entendemos como profundamente equivocado você fundamentar políticas sociais no endividamento. Isso é cruel com os supostos beneficiários. Porque quando essa política não se sustenta, são os mais vulneráveis que pagam a conta.

Não fizemos nenhuma indicação ao governo Dilma. Não houve nenhum representante do PMDB gaúcho.

BBC Brasil – Mas o Eliseu Padilha esteve lá, na Aviação Civil.

Ibsen Pinheiro – Mas não representava o PMDB gaúcho. Foi porque recebeu um convite pessoal. Antes dele foi o Mendes Ribeiro (na Agricultura, morto no ano passado). Nós convivemos com isso, o PMDB não expulsa os seus divergentes. Ainda bem, porque já fui divergente. Eles não representavam o PMDB gaúcho. Representavam o PMDB nacional? Pode ser.

Agora, o sentimento pela saída é muito forte. Nesta semana o deputado Osmar Terra, na reunião da Executiva, nos informou que já são 13 os diretórios estaduais que apoiam o afastamento. Treze é a um diretório da maioria absoluta. Embora a votação não seja por diretório, e sim por membro do Diretório Nacional, intuo que está se construindo um sentimento muito amplo pelo afastamento.

Não sei se é necessariamente pelo impeachment, não é isso que estará se votando.

BBC Brasil – Por quê?

Ibsen Pinheiro – Houve um fato que agravou em muito (a relação), que foi a posse do ministro Mauro Lopes (deputado do PMDB, na Aviação Civil). Ora, foi uma decisão unânime da Convenção Nacional que o PMDB, neste prazo para estudar o afastamento, não aceitasse nomeação.

Fernando Collor atualmente é senador pelo estado do Alagoas desde 2007
WALDEMIR BARRETO/ AGÊNCIA SENADO

Fernando Collor atualmente é senador pelo estado do Alagoas desde 2007

O PMDB não gostou da atitude de seu deputado e não gostou também da atitude da presidente, pareceu uma afronta ao PMDB. Ela poderia ter esperado mais duas semanas para fazer a nomeação depois da reunião do Diretório Nacional. Este fato incrementou enormemente a tendência pelo afastamento. É o mais provável hoje.

BBC Brasil – Mas o partido não fica numa situação complicada, já que também tem sido implicado nas delações e nas investigações da Lava Jato?

Ibsen Pinheiro – A delação premiada, quando aponta o nome, isso não é bom para quem é apontado. Mas não basta dizer que fulano também participou porque indicou, nomeou, pois isso não pode ser crime de responsabilidade. Senão a Dilma responderia pelos atos de todos os quadros que ela nomeou.

Não se vê em relação ao Temer uma prova, nem sequer uma acusação. A não ser a de ter responsabilidade política nas nomeações do PMDB. Mas crime de responsabilidade, não há nenhuma acusação.

BBC Brasil – E não é complicado sair depois de todos esses anos ao lado do PT?

Ibsen Pinheiro – Se o PMDB se afasta, poderá dizer a verdade, que é convincente: que esteve durante anos no governo, mas não esteve no poder, que está nas mãos exclusivamente do presidente da República.

O PMDB esteve no governo com ministros, mas nunca esteve no poder, que é o que define o principal: a política econômica, a financeira, a externa, a de defesa. Tudo isso é o presidente sozinho.

BBC Brasil – O sr. dizia acreditar que Eduardo Cunha não agiria “com seus humores” sobre o impeachment. Mas ele acabou aceitando o pedido logo após ficar claro que o PT votaria contra ele no Conselho de Ética…

Ibsen Pinheiro – Tenho a impressão que ele agiu olhando para o seu projeto de sobrevivência. Isso não chega a ser anormal, o político está sempre vinculado à sua sobrevivência ou a seu crescimento político. Por isso alguns erros graves se praticam.

Na véspera eu disse: ele vai acolher o pedido. Porque a sobrevivência dele, o cacife dele, está na administração do processo de impeachment. Isso foi tão verdadeiro que em grande parte, por causa disso, ele conseguiu trabalhar o retardamento do seu processo no Conselho de Ética.

Há um processo de sustentação mútua e recíproca entre a Presidência da República e a Presidência da Câmara. Ambas se sustentam uma com o fantasma da outra. Mas, a essa altura, esse fator é irrelevante. Há uma consciência clara de que a pauta tem como primeiro ponto o impeachment, e depois fica aberta para a questão do processo de cassação.

BBC Brasil – O sr. acha que o Cunha, como réu da Lava Jato e alvo de processo de cassação, tem condições de tocar o processo de impeachment?

Ibsen Pinheiro – O quadro perfeito seria que o presidente da Câmara tivesse imparcialidade e uma imagem intocada. Mas infelizmente a escolha nem sempre é feita por esse critério. Então se elegem pessoas com imagem desgastada, devastada. Às vezes injustamente. Outras vezes com procedência bem clara, como é o caso atual.

Mas na função de presidir (o processo), o perfil moral do condutor não é relevante. Porque a legalidade é muito precisa, muito clara, muito expressa. O que ele tem de fazer, está fazendo. A Câmara instituiu a Comissão Especial, que vai dar um parecer, que vai a voto. Sim, não, abstenção e ausência. A Presidência da Câmara tem um papel importante na condução formal, mas no conteúdo não tem papel nenhum.

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Por que o impeachment anda mais rápido que o processo de Cunha?

Líder da Câmara pode retardar e acelerar o funcionamento do plenário e das comissões da Casa conforme seus interesses

A tentativa de cassar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por meio de um processo no Conselho de Ética começou em 13 de outubro, 50 dias antes de ele aceitar um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, em 2 de dezembro – dando início ao trâmite que pode culminar na derrubada do governo petista.

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Agência Brasil Processo contra Cunha foi aberto em 2 de março, após vários recursos do presidente da Câmara

Apesar disso, a presidente corre risco real de ser afastada do cargo antes de o julgamento de Cunha ser concluído.

O ritmo de análise dos dois procedimentos tem variado em grande parte devido aos interesses do presidente da Câmara, cujo cargo lhe confere poder de acelerar ou retardar o funcionamento do plenário e das comissões da Casa – apontam parlamentares tanto da base governista como de partidos independentes.

Diante disso, muitos têm questionado a legitimidade de Cunha para conduzir o processo contra Dilma.

“Um deputado que é réu (em processo no Supremo Tribunal Federal) é isento para conduzir o processo de impeachment da presidente? Eu acho que não”, disse o deputado José Carlos Araújo (PR-BA), presidente do Conselho de Ética da Câmara.

Após adotar medidas que atrasaram a instalação da comissão especial de impeachment, o presidente da Câmara agora trabalha para acelerar seu funcionamento, convocando sessões plenárias também às segundas e sextas-feiras – o que é incomum no Congresso, que em geral funciona de terça a quinta.

O objetivo é apressar os prazos para a apresentação da defesa da presidente (dez sessões plenárias) e para a comissão especial de impeachment votar seu parecer (cinco sessões). A expectativa da oposição é que essas duas etapas sejam concluídas na segunda semana de abril.

Em seguida, o parecer será submetido ao plenário, que avaliará se aprova a abertura de um processo contra a presidente no Senado.

Está em discussão proposta do líder do Solidariedade, Paulo Pereira, o Paulinho da Força, de realizar essa votação no domingo, 17 de abril, com objetivo de atrair manifestantes contra o governo para a frente do Congresso.

Se mais de dois terços dos deputados votarem pela abertura de um processo de impeachment, tal decisão ainda terá que passar pelo crivo da maioria dos senadores. Se uma eventual decisão nesse sentido passar nas duas Casas, Dilma fica automaticamente afastada do cargo enquanto é julgada pelo Senado.

O processo contra Cunha foi aberto em 2 de março, após sucessivos recursos de aliados do presidente da Câmara terem protelado a decisão do conselho.

Para alguns parlamentares, a atuação inicial de Cunha no sentido de atrasar a instalação da comissão de impeachment teve como objetivo tirar o foco dos trabalhos no Conselho de Ética. Ele poderia ter instalado a comissão especial de impeachment no início de fevereiro, mas preferiu recorrer da decisão do STF que definiu em dezembro o rito de impeachment – como esperado, os recursos não foram aceitos.

“Ele (Cunha) não estava preocupado com o futuro do país, com a economia. Quis acirrar os ânimos para sair da vitrine”, criticou o deputado Julio Delgado (PSB-MG).

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Agência Brasil Após adotar medidas para atrasar instalação da comissão de impeachment, Cunha trabalha para acelerar seu funcionamento

Apoio da oposição?
O líder do PSOL, deputado Chico Alencar, por sua vez, acusa a oposição de ter apoiado essa estratégia: “O importante para eles é protelar (o processo do Cunha) até resolver o caso da Dilma aqui na Câmara. Eles priorizaram. A questão principal é derrubar a Dilma, e Cunha é o fiador da celeridade dos trabalhos da comissão especial e da apreciação (do impeachment) em plenário”.

Deputados de oposição reagem às acusações. O líder do DEM, Pauderney Avelino, diz que seu partido mantém posição pelo afastamento de Cunha.

“Nós temos que abordar uma coisa de cada vez. Independentemente do Cunha, o processo de impeachment anda. O Cunha não tem mais nada a ver com o processo de impeachment, a questão hoje é institucional”, afirmou.

“O processo dele caminha em paralelo ao de impeachment da presidente, e eu não vejo nenhuma dificuldade nisso. O primeiro que chegar ao plenário vai ser votado”, acrescentou.

Um dos principais aliados de Cunha, Paulinho da Força disse que o rito do impeachment e o funcionamento do Conselho de Ética são coisas diferentes.

“No caso da comissão do impeachment, o rito foi determinado pelo Supremo. Então você tem uma regra bem definida. No caso do Eduardo Cunha, o que acontece é que o presidente do Conselho de Ética comete uma série de irregularidades, não cumprindo o regimento da Casa e, consequentemente, o processo acaba voltando (ao início, devido aos recursos que questionaram essas supostas irregularidades)”, disse Paulinho.

O problema é que parte desses recursos foi julgada por aliados de Cunha que ocupam cargos na Mesa Diretora da Câmara. Araújo, o presidente do Conselho, nega que tenha desrespeitado o regimento.

“Na fase inicial, que avaliou a admissibilidade (da denúncia contra Cunha), usaram tudo o que podiam e não podiam para retardar. Foram eles (os aliados de Cunha) que retardaram”, disse o presidente do conselho.

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Agência Brasil Expectativa da oposição é que Dilma se defenda e comissão especial de impeachment vote parecer até meados de abril

Próximos passos
O processo contra Cunha que corre no Conselho de Ética pede sua cassação pois ele teria mentido na CPI da Petrobras, quando foi questionado sobre se possuía contas no exterior.

Dados repassados pela Suíça à Procuradoria-Geral da República no ano passado revelaram milhões de dólares em contas naquele país ligadas ao presidente da Câmara.

Cunha apresentou na segunda-feira sua defesa. Ele tem dito que não é dono das contas, mas apenas beneficiário dos recursos.

Após a apresentação de sua defesa, começou a correr o prazo de 40 dias úteis para o conselho levantar provas e ouvir testemunhas. Cunha apontou oito pessoas para serem ouvidas, sendo dois advogados seus na Suíça.

Depois disso, haverá mais dez dias para o relator do processo, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), apresentar seu relatório. Aliados de Cunha trabalham para que o conselho adote uma punição mais branda do que a recomendação de cassação.

Os deputados ouvidos pela BBC Brasil dizem acreditar que o risco de Cunha conseguir protelar a conclusão do processo agora seja menor.

“Tudo é possível. Onde puderem fazer questionamento, eles (aliados de Cunha) farão. Mas acho que o potencial de retardamento está no fim”, disse Alencar, do PSOL.

“Agora o processo do Cunha deve correr tranquilamente no Conselho de Ética. O julgamento deve ser por volta do mês de junho ou julho”, afirmou Paulinho da Força.

STF
Paralelamente ao processo no Conselho de Ética, Cunha enfrenta ações no STF.

No início do mês, ele se tornou réu em um processo criminal, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentro do esquema de corrupção da Petrobras.

Há ainda outros dois inquéritos contra ele na Operação Lava Jato que podem resultar em outras ações.

Além disso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou em dezembro que o Supremo determine o afastamento de Cunha da Câmara dos Deputados sob o argumento de que ele usa o mandato para atrapalhar investigações contra si. No entanto, não há previsão de quando o STF analisará esse pedido.

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‘É guerra e quem tiver artilharia mais forte ganha’, dispara Lula

São Paulo- SP- Brasil- 09/04/2015- Ex-presidente Lula e o governador argentino Daniel Scioli. O encontro aconteceu na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Declaração foi dada em conversa telefônica com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou-se ao general Vo Nguyen Giap, comandante do Exército do Povo do Vietnã, emblemático estrategistas militar que fez tombar em batalha tropas francesas, norte-americanas e chinesas, ao declarar “guerra” aos investigadores da Operação Lava Jato – que investiga supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o petista e sua família.
“É o seguinte meu filho, eu tô com a seguinte tese: é guerra, é guerra e quem tiver artilharia mais forte ganha”, declara Lula, em conversa por telefone com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), monitorada com autorização da Justiça Federal, do Paraná. O parlamentar responde ser aliado nessa batalha. “Presidente estamos nessa guerra também, não tenho nada a perder.”
Os dois falam da persecução criminal em andamento em Curitiba e em Brasília contra o ex-presidente Lula e pessoas ligadas a ele, incluindo seus filhos. Os grampos foram autorizados pelo juiz federal Sérgio Moro – dos processos em primeira instância da Lava Jato – na fase que antecedeu a Operação Aletheia. Deflagrada em 4 de março, o ex-presidente foi o principal alvo. Levado coercitivamente para depor, reagiu publicamente com ataques aos investigadores, a quem classificou de “um bando de loucos”.
Lula faz referência ao estrategista de guerra vietnamita: “Você pode me chamar até de general Giap. Nós já derrotamos os americanos, os chineses, os franceses e estamos para derrotar a Globo agora”.
O ex-presidente e sua defesa têm atacado meios de comunicação, em especial a Rede Globo. Além perseguição política, no grampo da Lava Jato o ex-presidente conta ao senador ter conhecido o lendário general Giap. “Foi lá no Vietnã, estava bem velhinho já, levei a Dilma (Rousseff) para conversar com ele.”
Giap ficou conhecido como Napoleão Vermelho, foi considerado herói nacional em busto histórico situado abaixo, apenas, do ex-presidente Ho Chi Minh – o pai da independência vietnamita. Os dois se conheceram no exílio no sudeste da China. No Vietnã, recrutaram guerrilheiros para a insurgência vietcongue. Giap trabalhou como jornalista, antes de entrar para o Partido Comunista Indochinês. “Vamos levar essa luta”, responde o senador petista – também alvo de investigação da Lava Jato e com o nome citado por delatores.
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