Empresário Luciano de Carvalho foi preso durante a operação Urutau e é suspeito de ter participado de esquema de corrupção. Ex-governador também é investigado e está preso há 12 dias.

Luciano de Carvalho Rocha, primo do ex-governador Marcelo Miranda, foi solto na manhã desta segunda-feira (7). O empresário ficou preso por quase sete dias em cumprimento a um mandado de prisão temporária que foi prorrogado pela Justiça. Ele está sendo investigado pela Polícia Federal por supostamente integrar um esquema de desvio de recursos públicos e ocultação de capitais.

Luciano de Carvalho foi preso no dia 1° outubro, quando foi deflagrada a operação Urutau. Naquela ocasião também foram presos Guilherme Costa de Oliveira, suposto preposto de Marcelo Miranda, e Kamile Oliveira Salles, mulher de Luciano.

Os dois últimos tiveram as prisões revogadas durante audiência de custódia, após colaborarem com as investigações. No caso do primo do governador, a Polícia Federal pediu prorrogação da prisão temporária porque ele teria criado obstáculos à apuração dos fatos.

A operação Urutau investiga prejuízos de R$ 50 milhões aos cofres públicos causados por suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, durante os mandatos de Marcelo Miranda no governo do estado. Os investigados teriam agido como laranjas e testas de ferro do ex-governador para esconder capitais.

Investigação sobre laranjas

A Operação Urutau, conforme a Polícia Federal, busca aprofundar as investigações da operação Reis do Gado, em relação a um eixo da organização suspeito de desviar dinheiro de contratos públicos por meio de ‘laranjas’ e ‘testas de ferro’. Esses desvios supostamente eram feitos por meio das construtoras WTE Engenharia e Construarte, ligadas à família Miranda e beneficiadas com contratos milionários durante o governo de Marcelo Miranda.

A WTE Engenharia, conforme a investigação estava formalmente no nome do primo do governador, Luciano de Carvalho e de Marcelino Leão Mendonça. Porém, após a operação Reis do Gado, as atividades dela foram dissipadas e passaram a ocorrer sob a estrutura da Construarte, que foi registrada no nome de Guilherme de Costa Oliveira, mas seria controlada por Luciano.

Para a Polícia, Guilherme Costa era ‘laranja do laranja’. “Todos estes eventos evidenciam uma tentativa de mascarar o controle efetivo e dificultar a apuração das ilegalidades ocorridas em sua atuação, principalmente, nas contratações por ela firmadas com o Estado do Tocantins, sempre por cifras milionárias, durante o período em que Marcelo Miranda estava no comando do governo”, diz trecho da decisão.

Prisão de Marcelo Miranda

O ex-governador Marcelo Miranda e o irmão dele José Edmar Brito Miranda Júnior estão presos há 12 dias. O pai deles, Brito Miranda, chegou a ser preso, mas pagou fiança e saiu da prisão. A prisão deles ocorreu durante a operação 12º Trabalho, realizada pela PF na semana passada.

Os três são apontados pelo Ministério Público Federal como responsáveis por um esquema de corrupção que pode ter desviado mais de R$ 300 milhões dos cofres do Tocantins. Marcelo Miranda foi governador do Tocantins por três mandatos, sendo que foi cassado antes de completar dois deles.

Nesta quinta-feira (3), a defesa do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) apresentou recurso no final da tarde desta quinta-feira (3) no Superior Tribunal de Justiça pedindo que a prisão preventiva do político seja revogada.

Esta é a terceira instância em que o advogado pede a libertação de Marcelo Miranda desde que ele foi preso. Os pedidos já foram negados pelo juiz federal João Paulo Abe em Palmas e pelo desembargador federal Hilton Queiroz, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.

G1 Tocantins.

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