Corpo foi enterrado no cemitério do povoado Sete Barracas, em São Miguel do Tocantins. Raimunda ficou conhecida por lutar pela valorização das quebradeiras de coco.

Homenagens marcaram o enterro de Raimunda Gomes da Silva, conhecida como Raimunda Quebradeira de Coco, na tarde desta quinta-feira (8). O cortejo partiu a pé da igrejinha do povoado Sete Barracas, às 17h, e seguiu em direção ao cemitério local. A líder comunitária lutava contra diabetes e já tinha perdido a visão por causa da doença.

A ex-quebradeira de coco faleceu na própria casa, na noite desta quarta-feira (7). Ela ficou conhecida por lutar pela valorização das quebradeiras de coco no norte do Tocantins desde os anos 80. O velório foi realizado durante o dia na na casa onde ela morava.

“Foi um enterro muito bonito. Todos os filhos e amigos que participaram da luta dela estiveram presentes. Tinham muitas coroas de flores enviadas por autoridades que não puderam vir. O cortejo saiu a pé da igreja até o cemitério do povoado”, disse o secretário de cultura de São Miguel, Orlando Martins.

A prefeitura de São Miguel do Tocantins decretou luto oficial de três dias e ponto facultativo nesta quinta-feira (7).

Raimunda Quebradeira de Coco morreu aos 78 anos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Raimunda Quebradeira de Coco morreu aos 78 anos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Entenda

Raimunda foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que atua nos estados do Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí. Ela rompeu as fronteiras do Brasil. Foi à China, aos Estados Unidos, à França e ao Canadá.

A líder comunitária também chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz e recebeu homenagens da Assembleia Legislativa do Tocantins e do Senado Federal. Em 2009, recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Tocantins (UFT).

O governador Mauro Carlesse (PHS) enviou nota lamentando a morte da líder comunitária. “O Estado do Tocantins perde uma de suas maiores líderes. Dona Raimunda construiu uma extensa folha de serviços ao nosso Estado e ao Brasil, por desenvolver um importante serviço comunitário e também como trabalhadora rural e ativista de destaque nacional, que por sua atuação recebeu, entre outros, o prêmio Bertha Luz, concedido pelo Senado Federal”, diz trecho da nota.

A prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, também lamentou. “Defensora incansável dos direitos das mulheres quebradeiras de coco do Bico do Papagaio, D. Raimunda utilizou-se do seu reconhecimento político para dar voz e valor às causas dos extrativistas da Amazônia. Sua dedicação a um mundo mais justo e igualitário será referência para as gerações futuras. Sua simplicidade e dedicação ao próximo é um exemplo que nos inspira”.

G1 Tocantins.

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