Estudantes do Colégio Estadual Família Agrícola José Porfírio de Souza, protestaram contra o novo diretor da unidade escolar.

Nesta segunda feira (17), os estudantes, realizaram diversos protestos contra a nomeação do novo diretor Carlos Gomes, que por interferência política na unidade escolar e a pedido do atual prefeito da cidade de São Salvador André Borba assumiu o cargo. Os alunos revoltados recusaram entrar nas salas de aula, colocaram cartazes nos espaços da unidade escolar e gritaram em protesto. Nesta segunda feira, foi o primeiro dia de aula depois que o novo diretor assumiu o cargo.

Isso vem acontecendo devido à exoneração do diretor Cirineu da Rocha, que contribuiu com a construção da unidade escolar, buscando as parcerias com as comunidades, agricultores e instituições públicas e privadas. Com a equipe escolar construiu-se a proposta pedagógica a partir dos princípios da Educação do Campo e os instrumentos da Pedagogia da Alternância. 

Camila dos Santos, estudante do 2º Ano disse que não duvida do profissionalismo do novo diretor Carlos, mas sim, do que ele representa. Ou seja, “uma ruptura do processo construído há anos, e que por capricho do atual prefeito que não tem preocupação de uma educação de qualidade para os filhos dos trabalhadores, tem tentado trocar os profissionais com capacidade técnica por outros com objetivo de assim cumprir com suas promessas de campanhas”, desabafou indignada.  Já o estudante Jorge da Silva, do 1º Ano Técnico em Agropecuário Integrado ao Ensino Médio, relata que: “o novo diretor é uma pessoa despreparada para gerir essa unidade escolar por desconhecer os princípios da Educação do Campo e os Instrumentos da Pedagogia da Alternância algo que é de suma importância para o bom funcionamento na modalidade de educação”.

Estudantes, pais, alunos e agricultores estão lutando pela volta do Cirineu da Rocha.

Em nota, o prefeito criticou o jornal por erros de concordância e pontuação na matéria postada, sem muito o que falar, achou mais fácil criticar e ameaçar um veículo de comunicação que apenas está fazendo o seu papel de informar a população.

Quando um jornal sério publica suas matérias, faz isso com responsabilidade e sem mentiras. Sobre as críticas? Todas elas, fazem parte do jornalismo.

O jornal mapa da noticia aguarda a resposta do prefeito sobre este assunto.

Conheça mais da história da unidade escolar

 O Colégio Estadual Família Agrícola José Porfírio de Souza, (CEFA), nasceu a partir de uma negociação após a implantação das Usinas Hidrelétricas de Peixe Angical e São Salvador do Tocantins, como forma compensatória as famílias atingidas, seria construída uma Escola Família Agrícola – EFA, que atenderia a todos os reassentamentos e demais famílias de agricultores familiares da região, sendo pactuado no documento “Termo de Compromisso para Implantação de Reassentamentos Coletivos” assinado pelos componentes do foro de negociação em outubro de 2008, onde ficaram definidas as responsabilidades das partes envolvidas, cabendo à CESS o aporte de recursos financeiros para aquisição de área e construção da Escola Família Agrícola e às famílias reassentadas e o MAB – Movimento dos Atingindo por Barragens, discussão e articulação da proposta pedagógica com a participação da Secretaria de Educação do Estado do Tocantins.

O entendimento das comunidades atingidas é que a construção da Escola Família Agrícola seria de extrema importância para além do pedagógico construir também um debate sobre o planejamento e organização da produção de alimentos para a região onde foram construídas as hidrelétricas de São Salvador, Cana Brava e Peixe Angical, incluindo as regiões Sul e Sudeste do Estado do Tocantins.

Assim, ao longo de 10 anos foram realizadas diversas reuniões com a SEDUC – Secretaria de Educação do Estado do Tocantins, com a participação de representante da CESS, Tractebel Energia, prefeitos, bem como reuniões com as famílias dos reassentamentos e demais comunidades de agricultores familiares da região, que resultaram na constituição da Associação de Apoio à Escola Família Agrícola José Porfírio de Souza, que tem como objetivos principais: I) A promoção do desenvolvimento rural sustentável, através da educação, da formação dos jovens, valorizando o espírito de solidariedade e respeito ao meio ambiente; II) A formação integral, visando uma educação pautada em valores humanos, técnico-científico e artístico-cultural, garantindo aos jovens do campo uma melhor qualidade de vida; III) A geração de trabalho e renda através da pré-profissionalização dos jovens estudantes.

Após ter um tempo sem discussão e reuniões, mas acreditando ser possível, em 2015, teve uma retomada dos debates sobre a implementação da Escola Família Agrícola José Porfírio de Souza, através de reuniões e debates entre a Secretaria de Educação, prefeituras da região e as comunidades, Reassentamentos e Assentamentos das Regiões Sul e Sudeste do Tocantins, que resultou por parte da prefeitura de São Salvador através da lei nº 386/2015 de 13 de Fevereiro de 2015, a doação ao Estado do Tocantins das estruturas da Escola Piabanha I, com sua respectiva área, localizada no Reassentamento Piabanha I. Na época com ajuda do prefeito Charles Evilacio M. Barbosa, que abraçou a causa da escola. 

Mas para a efetivação da unidade escolar e a necessidade de mais espaços para alojamento a Associação dos Agricultores do Reassentamento Piabanha-I, cedeu o Centro Comunitário e a área comunitária para implementar o alojamento e as unidades de produção.

Acreditando que com toda essa junção de forças e apoio levou o governador Marcelo Miranda, a sancionar a lei nº 3.040/2015, criando o Colégio Estadual Família Agrícola José Porfírio de Souza no Município de São Salvador do Tocantins.

Assim em 07 de março de 2015 inicia as atividades da referida unidade escolar, com um prédio doado pelo município e alojamento cedido pela associação e os demais aportes sendo coletados através de doação e empréstimo garantindo assim seu funcionamento.

A construção dessa unidade de ensino tem como objetivo um novo projeto de desenvolvimento para a região sul/sudeste do Estado do Tocantins, que está mais isolada e que, portanto, necessita de um trabalho que venha auxiliar no seu crescimento e nada melhor do que através da melhoria da educação do povo que aqui reside. Essa proposta deve ser pautada num pensar de políticas, princípios e métodos pedagógicos comprometidos com a tarefa de proporcionar à população condições de se manter na escola, garantindo assim essa mudança e melhoria não só de sua população, mas de toda a região.

Então é necessário pensar que para um Projeto de Educação do Campo dar certo, primeiramente devemos repensar sua concepção de educação, lembrando que esta deve estar preocupada com o desenvolvimento humano de todas as pessoas, de todo mundo. Nesse sentido não podemos esquecer que para isso precisa contrapor-se um pouco aos valores anti-humanos que sustentam o formato da sociedade capitalista atual, ou seja, o consumismo, o individualismo, o egoísmo, o conformismo e reafirmarmos práticas e posturas humanizadoras como a solidariedade, a sobriedade, a indignação diante das injustiças, a autoconfiança, a esperança e o amor ao próximo entre outras.

Judite da Rocha

 

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