Massacre em Orlando: O que se sabe até agora

O dia amanheceu trágico para os Estados Unidos quando veio à tona a notícia de que um homem havia aberto fogo contra centenas de pessoas em uma boate gay famosa na cidade de Orlando, na Flórida.

Inicialmente, foram anunciadas 20 mortes, mas até o fim deste domingo, as autoridades confirmaram que pelo menos 50 pessoas morreram no tiroteio, que ficou marcado por ter sido o mais fatal da história dos Estados Unidos.

A polícia também confirmou que o autor dos disparos, identificado como Omar Mateen, de 29 anos, foi morto em uma troca de tiros também na madrugada.

Veja o que se sabe até agora sobre o ataque que chocou o mundo neste fim de semana:

Pelo menos 50 mortos

O DJ que tocava na boate no momento do ataque é consolado pela amiga
O DJ que tocava na boate no momento do ataque é consolado pela amiga

As informações dão conta de que havia cerca de 320 pessoas dentro da boate Pulse, uma das maiores de Orlando, no momento do tiroteio. Na hora em que o homem começou os disparos, muitos correram para o local onde estava o DJ para se proteger.

Segundo a polícia de Orlando, há pelo menos 50 vítimas fatais do ataque. Outras 53 pessoas ficaram feridas – algumas em estado grave – e foram levadas a hospitais.

As autoridades começaram a divulgar os nomes das primeiras vítimas no fim deste domingo. Por enquanto, os nomes divulgados foram: Edward Sotomayor Jr; Stanley Almodovar III; Luis Omar Ocasio-Capo; Juan Ramon Guerrero; Eric Ivan Ortiz-Rivera; Peter O. Gonzalez-Cruz. A polícia pediu ainda paciência aos familiars porque os outros nomes ainda estão sendo identificados e as famílias serão notificadas assim que possível.

Por enquanto, ainda não há informações de brasileiros que poderiam ter sido mortos ou feridos no ataque. O Itamaraty divulgou uma nota em solidariedade às vítimas e disse que está em contato com as autoridades locais para trazer mais informações.

“O governo brasileiro recebeu com profunda consternação e indignação a notícia do ataque a casa noturna em Orlando, Flórida (…). O Consulado-Geral do Brasil em Miami está em estreito contato com as autoridades locais e com a comunidade brasileira em Orlando. Até o momento, não há notícia de brasileiros entre as pessoas vitimadas pelo ataque. (…) O governo brasileiro reafirma seu mais firme repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo. Nenhuma motivação, nenhum argumento justifica o recurso a semelhante barbárie assassina”, diz a nota.

Autor tinha origem afegã e trabalhava em empresa de segurança

Identificado pelas autoridades como Omar Mateen, o autor dos disparos nasceu nos Estados Unidos, mas é filho de pais afegãos. Ele tinha 29 anos e foi morto em troca de tiros com a polícia após o ataque na boate.

Na noite deste domingo, houve também a confirmação de que Mateen trabalhava em uma empresa de segurança chamada G4S e, por isso, tinha porte de armas.

“Nós podemos confirmar que Omar Mateen é empregado da G4S desde 10 de setembro de 2007”, afirmou a empresa em nota. “Nós estamos cooperando com todas as autoridades nessa investigação.”

Omar Mateen foi identificado como autor do ataque
Image copyrightCBS Image captionOmar Mateen foi identificado como autor do ataque

O FBI está liderando a investigação do caso como um ato de terrorismo. Ainda não se sabe qual teria sido a motivação do atirador. O grupo extremista que se autodenomina “Estado Islâmico” chegou a reivindicar a autoria do ataque, mas a ligação de Mateen com o grupo ainda não foi confirmada.

Segundo o FBI, as autoridades federais americanas chegaram a entrevistar o autor do ataque em duas oportunidades sobre possíveis ligações terroristas, uma em 2013, e outra em 2014. No entanto, eles não encontraram informações que o comprometessem e encerraram as investigações.

Neste domingo, o pai de Mateen falou à rede de TV americana NBC News e contou que o filho ficou “irritado” quando viu dois homens se beijando no mês passado.

Tiroteio mais fatal da história

Mortes causadas por atiradores não são uma raridade na história americana. A frequência com que esses tiroteios acontecem é, inclusive, tema de grande debate sobre a legislação de porte de armas nos Estados Unidos.

No entanto, o tiroteio na boate em Orlando chamou a atenção por ter sido o mais fatal que já aconteceu em território americano. Com ao menos 50 mortes confirmadas, o ataque deste domingo supera o massacre de 2007 na universidade Virginia Tech, quando um estudante abriu fogo no campus matando 32 pessoas. Considerando ataques terroristas, esse é o pior nos Estados Unidos desde o 11 de setembro.

Testemunhas foram ouvidas pela polícia
Image copyrightREUTERS Image captionTestemunhas foram ouvidas pela polícia

Obama faz apelo por legislação sobre armas

Mais uma vez, o presidente Barack Obama precisou vir a público manifestar suas condolências sobre um novo massacre causado por um atirador. Essa é a 13ª vez que ele teve de fazer isso em oito anos de governo. E Obama aproveitou a oportunidade para tentar reverter aquilo que ele mesmo já chamou de “grande frustração” de seu período na Presidência: a legislação sobre armas.

“O dia de hoje marca o tiroteio mais mortal que já tivemos na história dos Estados Unidos. Isso é também um lembrete sobre como é fácil para alguém colocar as mãos em uma arma e atirar em pessoas numa escola, numa igreja, num cinema ou em uma boate”, afirmou Obama.

“Temos que decidir se esse é o país onde queremos viver. E a atitude de não fazer nada é uma decisão também”, completou.

Obama fez apelo sobre legislação de armas
Image copyrightREPRODUÇÃO Image captionObama fez apelo sobre legislação de armas

Doação de Sangue para vítimas

O ataque deste domingo deixou pelo menos 53 feridos, e centros de doação de sangue em Orlando usaram as redes sociais para pedir doações “urgentes” para atender as vítimas.

No entanto, a situação reacendeu uma polêmica nos Estados Unidos, já que gays ainda são proibidos de doar sangue no país.

No final do ano passado, a FDA (Food and Drug Administration), a Anvisa americana, derrubou a proibição vitalícia à doação de sangue por gays.

Ainda assim, homens que tenham tido relações sexuais com outro homem nos 12 meses anteriores à coleta continuam proibidos de doar.

Mais cedo, rumores nas redes sociais indicaram que a cidade de Orlando havia suspendido temporariamente qualquer veto à doação de sangue por gays. No Twitter, porém, autoridades de saúde afirmaram que os boatos são falsos.

Ao fim do dia, um dos principais centros de doação de sangue de Orlando, OneBlood, disse que a resposta da populaçõa havia sido tão imediata, que eles já estavam pedindo a doadores para voltarem ao longo da semana, porque conseguiram preencher os estoques.

Comoção mundial

O ataque nos Estados Unidos gerou comoção mundial e muitos líderes internacionais se solidarizaram com as vítimas.

O presidente Barack Obama chamou o tiroteio de “ato de ódio e de terror” e disse que o país não se renderá ao medo.

“Nenhum ato de terror pode mudar o que somos. Diante do ódio e da violência, nós vamos amar uns aos outros. Não vamos nos render ao medo e nos virarmos uns contra os outros.”

O presidente francês, François Hollande, disse que ficou “horrorizado” com a notícia e que os Estados Unidos podem contar com todo o apoio da França.

No Canadá, o primeiro ministro, Justin Trudeau, afirmou que está “profundamente chocado e abalado” pelo que aconteceu.

“Nós prestamos solidariedade a Orlando e a toda a comunidade LGB. Estamos em luto com nossos amigos dos Estados Unidos e da Flórida e oferecemos toda a ajuda que estiver ao nosso alcance.”

No Twitter, a hashtag #LoveIsLove (Amor é Amor) figurou o dia todo como uma das mais compartilhadas mundialmente na rede social em apoio às vítimas do ataque.

Passeatas em solidariedade às vítimas do ataque aconteceram em diversas cidades dos EUA
Image copyrightAP Image captionPasseatas em solidariedade às vítimas do ataque aconteceram em diversas cidades dos EUA

Quem também se manifestou sobre o tiroteio foram os pré-candidatos à Presidência, Hillary Clinton, dos Democratas, e Donald Trump, dos Republicanos.

Enquanto Trump reiterou sua política de proibição à imigração islâmica, Clinton manifestou seu apoio à comunidade LGBT.

“O que aconteceu em Orlando é apenas o começo. Nossa liderança é fraca e ineficiente. Eu sugeri e pedi a proibição. Precisamos ser duros”, disse Trump.

“Para a comunidade LGBT: por favor, sei que você tem milhões de aliados em todo o nosso país. Eu sou um deles. Continuaremos lutando por seu direito de viver livremente, abertamente e sem medo. O ódio não tem absolutamente nenhum lugar na América”, disse Clinton, que assim como Obama, chamou o tiroteio de “ato de terror” e endossou o discurso dele sobre a questão das armas.

“Finalmente, é preciso manter as armas, como a que foi usada na noite passada, fora das mãos de terroristas ou outros criminosos violentos. Este é o tiroteio mais fatal da história dos Estados Unidos e nos lembra mais uma vez que as armas e a guerra não têm lugar nas nossas ruas.”(fonte:bbc notícias)

Atirador mata cerca de 20 pessoas e fere mais de 40 em boate gay de Orlando

A polícia de Orlando, nos Estados Unidos, informou que aproximadamente 20 pessoas foram mortas e pelo menos 42 ficaram feridas por um atirador na boate Pulse no início da madrugada de hoje (12). O homem ainda fez reféns, mas foi morto durante uma troca de tiros com a polícia. A boate é voltada para o público LGBT.

Um policial chegou a ser atingido no capacete, segundo informações divulgadas no Twitter da polícia de Orlando. Os feridos foram levados para os hospitais da cidade.

Em dois dias, este é já o segundo caso de tiroteio em Orlando. Na sexta-feira, 10, um homemmatou a tiros a cantora Cristina Grimmie após um show.(fonte:agência brasil)

Crescente uso de ‘drogas do estupro’ na América Latina preocupa autoridades

A história começa com uma mulher despertando nua em uma cama de um quarto de hotel no qual não se lembra de ter entrado. Ela foi drogada em uma festa. E as únicas pistas que restam do que ocorreu na noite anterior são as marcas de estupro ainda visíveis em seu corpo.

Esse é um drama comum em toda América Latina, onde muitas mulheres se tornam vítimas de abuso sexual, frequentemente quando ainda são adolescentes. “Os estupros realizados com a ajuda de drogas eram raros quando comecei a trabalhar com o tema”, diz Maria Elena Leuzzi, presidente da ONG Ajuda a Vítimas de Estupro, organização que é referência para vítimas de abuso sexual na Argentina. “Hoje são mais frequentes. É muito fácil conseguir essas substâncias.”

Leuzzi diz receber ao menos quatro telefonemas por fim de semana de mulheres contando a mesma história: divertiam-se em festas ou casas noturnas de Buenos Aires e, depois, não se recordavam de mais nada.

Casos assim se repetem por todos os países da região. “Só na Cidade do México, mais de 300 mulheres são estupradas por ano sob o efeito de drogas, e o número é cada vez maior”, afirma Laura Martínez, presidente da Associação para o Desenvolvimento Integral de Pessoas Estupradas (ADIVAC, na sigla em espanhol), a única organização civil que atende casos de violência sexual no México.

Com 20 anos de experiência no laboratório de química forense da Procuradoria de Justiça da Cidade do México, o toxicologista Carlos Díaz faz um cálculo semelhante. “Em média, analisamos uma denúncia por dia. É notório que o uso de substâncias que facilitam o estupro está aumentando. E a grande maioria das vítimas tem menos de 25 anos de idade.”

Díaz adverte que existe “um catálogo cada vez mais amplo de substâncias psicotrópicas” usadas para se cometer abusos sexuais. O objetivo é sempre o mesmo: anular a vontade da vítima e transformá-la em um “brinquedo” na mão no agressor. Um brinquedo que não terá qualquer lembrança do ataque.

Ao alcance da mão

María José Coni e Marina Menegazzo
María José Coni e Marina Menegazzo foram drogadas e, depois, assassinadas(ARQUIVO PESSOAL)

No caso de Cristina (nome fictício), a primeira coisa que ela viu ao acordar foi o tapete vermelho do quarto de hotel. Seus braços e pernas doíam. Sua roupa estava espalhada ao lado da cama. Em uma pequena mesa, sob uma luminária, o relógio marcava 13h.

Dezesseis horas antes, ela havia se arrumado na casa de uma amiga da faculdade para irem juntas a uma festa. Cristina se lembra de ter conhecido um rapaz, com quem conversou e dançou salsa. Não sabe por que pediu que a amiga fosse embora.

A ONU já alertava em 2010 para o rápido aumento do uso das “drogas de estupro” e o surgimento de novas substâncias do tipo.

O relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) apresentado naquele ano destacou a “evolução muito rápida” desses crimes e ressaltou o fato de que, em muitos países, narcóticos usados com este fim são vendidos sem controle.

No caso da América Latina, as drogas mais usadas são a benzodiazepinas, obtidas facilmente em qualquer farmácia.

Foi essa a substância encontrada nos corpos das turistas argentinas María José Coni e Marina Menegazzo, assassinadas na cidade costeira de Montañita, no oeste do Equador.

Isso reforça a teoria de suas famílias, para quem as jovens foram drogadas e conduzidas pelos acusados até suas casas, sem conseguir resistir.

“Os estupradores sabem quais quantidades levam a um estado de sedação e à perda de memória. Ao misturar com álcool, o efeito é potencializado”, diz Emilio Mencías, do Instituto Nacional de Toxicologia e Ciências Forenses da Espanha.

As benzodiazepinas são drogas de efeito sedativo e hipnótico receitadas para o combate a estresse, crises nervosas, sonolência e ansiedade.

Ainda que em muitos países se costume exigir uma receita médica ao vendê-las, os controles são facilmente burlados. Em outros, nem a receita é necessária, segundo a ONU.

Da Burundanga ao GHB

Bebida
Drogas são colocadas nas bebidas das vítimas(GETTY IMAGES)

A burundanga, talvez a “droga de estupro” mais conhecida na América Latina, cresce de forma silvestre em quase toda a região.

Chamada também de estramônio, trombeta ou “sopro do diabo”, ela tem como princípio ativo a escapolamina.

Segundo o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, este alcaloide provoca desorientação, alucinações, amnésia e, em doses elevadas, pode ser mortal.

No entanto, apesar da fama, é cada vez menos usada em abusos sexuais.

“Ela incapacita a vítima, mas também pode torná-la agressiva. Não é prática para o criminoso, que prefere outras drogas”, diz Pilar Acosta, médica do hospital Santa Clara de Bogotá e vice-presidente da Associação de Toxicologia Clínica Colombiana.

Uma das drogas silenciosas que está substituindo a burudanga é o GHB.

Seu nome científico é ácido gama-hidroxibutírico e é difícil detectá-lo. Ele é usado com fins medicinais no tratamento do alcoolismo, mas seus usos ilegais são mais frequentes e conhecidos.

A substância também é chamada de êxtase líquido, porque seu primeiro efeito é a euforia. “Não é complicado de sintetizar – e alguns criminosos até o preparam com removedor de tinta”, afirma Díaz.

O GHB não tem odor nem cor – o que faz com que a vítima não perceba que ingeriu a substância.

Foi o que aconteceu com Andrea, no Peru. Ela sempre foi tímida, mas sua última lembrança da noite em que a estupraram é de estar dançando em cima do bar de uma boate em um balneário ao sul de Lima. Estava irreconhecível.

Ela havia tomado uma bebida oferecida por dois jovens e, logo, estava beijando um deles. Depois, foi com eles para o estacionamento. Acredita que entrou num carro cinza, mas não tem certeza.

Jovem deitada
Vítima acorda após estupro sem lembranças da noite anterior(THINKSTOCK)

O Centro de Informação para Educação e Abuso de Drogas do Peru (Cedro) alertou que, no último verão, a venda de GHB se popularizou nas praias de Lima.

Representante da instituição, Milton Rojas explica que as drogas sintéticas ficaram mais baratas no país e jovens que antes não as compravam agora conseguem fazê-lo.

À BBC Mundo, representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) destacaram que os controles internacionais do comércio de GHB são mínimos.

Para o órgão, nem o uso legal da droga se justifica, porque há medicamentos mais seguros para tratar as mesmas doenças e condições.

Estupros sem registro

Os dramas de Cristina e Andrea ainda são invisíveis. Na América Latina e na Espanha, há uma ausência significativa de observatórios especializados em abusos sexuais que envolvam fármacos. Nem os especialistas da agência da ONU contra Crimes e Drogas, a UNODC, têm estatísticas precisas.

“É arriscado dar números exatos, porque eles não existem. Analisamos oito ou nove denúncias por semana. Isso ninguém pode refutar”, afirma Díaz.

A pouca informação existente na região é fragmentada e depende quase sempre de iniciativas isoladas de governos.

Na Colômbia, o relatório mais recente foi feito pela Universidade Nacional, após reunir documentos do Grupo de Elite de Delitos Sexuais, uma unidade de investigação especializada criada em Bogotá.

Entre junho de 2013 e março de 2014, foram denunciadas 184 agressões sexuais só na capital colombiana, das quais 53, ou quase um terço, foram facilitadas por drogas.

Ter informações exatas sobre esses casos é importante para criar políticas públicas, assim como um bom diagnóstico pode curar um doente.

“Estamos vendo só a ponta do iceberg”, diz Mencías, acrescentando que um em cada cinco estupros atendidos nos hospitais de Barcelona e Madri envolve drogas.

Drogas invisíveis

Pílulas
Medicamentos com benzodiazepina podem ser obtidos com relativa facilidade

Diferentemente da maioria das vítimas, Isabel acordou em sua própria cama. Não lembrava da festa a que fora na casa de amigos, em Barcelona, e pensou que havia bebido demais, nada além disso.

Mas logo descobriu sinais em seu quarto e no banheiro que indicavam que alguém havia estado com ela. Seu corpo também tinha marcas. Quando foi atendida no hospital, confirmaram o estupro, mas os exames toxicológicos deram negativo.

“Meu primeiro conselho para uma vítima quando há suspeita de que ela tenha sido drogada é fazer exames imediatamente”, diz Leuzzi. “As evidências desaparecem muito rápido.” A maioria das “drogas de estupro” são eliminadas do organismo em menos de 12 horas.

Então, a única maneira de detectá-las é com um exame capilar, feito em centros especializados. O processo é mais longo, requer a elaboração detalhada da história clínica do paciente e, em muitos casos, a vítima deve pagar pelo teste.

Ainda que Isabel tenha chegado a tempo no hospital, nada foi detectado. Provavelmente porque, assim como vários países latino-americanos, a Espanha também tem um problema com seu protocolo médico para o tratamento de casos desse tipo.

“Normalmente, se busca por cocaína, maconha, benzodiacepinas e álcool. Não se procura por mais substâncias psicotrópicas, porque o protocolo não exige isso”, afirma Díaz.

O GHB e outras drogas muitas vezes passam despercebidas pelos exames, que são fundamentais em um processo judicial por estupro.

Segundo Acosta, na Colômbia os equipamentos e agentes químicos necessários para detectar essas substâncias também não são comumente encontrados em centros médicos.

“É uma questão de custo. Além disso, muitos criminosos aprenderam a usar as drogas mais difíceis de rastrear”, diz a médica.

Festa
Efeito da droga pode durar por até 8 horas(THINKSTOCK)

Sem um exame que comprove que a vítima foi drogada e muitas vezes sem qualquer lembrança do agressor, o estupro costuma ser o início de um drama judicial longo e doloroso.

De acordo com o Instituto Nacional de Toxicologia e Ciências Forenses da Espanha, só uma em cada cinco mulheres que foram drogadas para facilitar o abuso denuncia.

Isabel se atreveu a isso e começou um processo legal interminável.

Ela chegou a reconhecer o agressor nas gravações da câmera de segurança do seu edifício, mas as imagens só mostram que ela entrou de mãos dadas com ele em casa. O acusado garante que a relação foi consensual. E, para Isabel, é muito difícil provar o contrário.

Conselho

Talvez o conselho mais comum ouvido por uma adolescente que começa a sair para boates é “Nunca perca seu copo de vista”.

E o conselho não é um exagero. As “drogas de estupro” precisam ser ingeridas para surtir efeito.

“É um mito que o simples contato com a substância pode drogar alguém. Nenhuma delas atua desta forma”, diz Mencías.

Mas a quantidade necessária para drogar uma pessoa é tão pequena e se dilui tão rápido que bastam alguns segundos de desatenção para que o agressor a coloque em uma bebida – e, num local de festa, não é difícil um descuido assim.

Para tentar limitar o uso de fármacos em delitos sexuais, a ONU recomenda que a indústria química desenvolva medidas de segurança como adicionar corantes e sabores em seus produtos para que a vítima se dê conta se ingerir a substância. Mas essa é apenas uma recomendação.

A difusão de informações sobre o problema é outro passo importante para que ele comece a ser combatido.

Desde que vários meios de comunicação e organismos internacionais começaram a denunciar o crescente uso das “drogas de estupro” e suas consequências, Martinez, da ADIVAC, passou a receber um tipo inédito de telefonema: de mulheres com histórias ocorridas meses ou anos atrás.

Elas dizem que sempre sentiram que algo estranho ocorrera na ocasião. Hoje, afirmam com convicção: “Fui estuprada.”

EgyptAir adverte familiares que identificação de vítimas de acidente vai demorar

Agência Lusa/Agencia Brasil

A EgyptAir advertiu hoje (21) os familiares das vítimas da queda do avião da companhia no Mar Mediterrâneo que a recuperação dos corpos e sua identificação vai prolongar-se por algum tempo.

Os parentes das vítimas egípcias e francesas reuniram-se com representantes da empresa, incluindo o presidente Safwat Moslem, e com um especialista estrangeiro em acidentes aéreos e na ajuda aos familiares.

O perito, que não foi identificado no comunicado da companhia, disse que o processo de recuperação dos restos mortais levará “tempo prolongado”.

Sobre a identificação por meio de testes de DNA e a coleta de amostras dos familiares, o perito afirmou que esse processo também vai demorar algumas semanas.

A EgyptAir manifestou o compromisso de apoiar os parentes das vítimas “com todos os meios ao seu alcance”.

No avião, que fazia a rota Paris-Cairo, viajavam 56 passageiros, entre eles 36 egípcios e 15 franceses, sete membros da tripulação e três dos serviços de segurança. Um cidadão português também estava entre os passageiros.

As causas do acidente ainda são desconhecidas, apesar de ter sido confirmado hoje que a tripulação enviou alertas sobre a presença de fumaça no interior, pouco antes de o avião cair.

Os primeiros restos humanos e fragmentos foram detectados a 290 quilômetros da costa egípcia, ao norte da cidade de Alexandria.

A comissão responsável pela investigação do acidente disse que ainda é “muito cedo” para tirar conclusões baseadas em mensagens automáticas que indicavam a existência de fumaça na cabine.

“Estamos investigando todas as informações colhidas, mas é muito cedo para tirar qualquer conclusão, afirma a comissão, em comunicado.

Os sinais emitidos sobre a presença de fumaça podem ser devido a “outras causas”, adianta a comissão, insistindo que é necessário mais tempo para analisar os dados.

França diz que houve fumaça em avião da EgyptAir

Os sinais de presença de fumaça são emitidos automaticamente através de um sistema denominado ACARS

Os investigadores franceses confirmaram neste sábado (21) que o avião da EgyptAir que caiu na quinta-feira passada no Mediterrâneo, emitiu sinais de presença de fumaça em seu interior logo antes do acidente.

“Podemos confirmar que os sensores do aparelho emitiram mensagens que indicavam que havia fumaça na cabine pouco antes de as comunicações serem interrompidas”, disse à Agência Efe um porta-voz do Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França.

De acordo com a publicação da Agência de notícias EFE, o BEA está associado à investigação do acidente porque o avião, um Airbus, é montado na França, e também porque o mesmo tinha partido do aeroporto parisiense de Roissy-Charles de Gaulle e 15 de seus 66 ocupantes eram franceses.

Os sinais de presença de fumaça são emitidos automaticamente através de um sistema denominado ACARS, acrescentou o porta-voz.

Este elemento, que tinha sido revelado pelo site especializado “The Aviation Herald”, “não permite, por enquanto, tirar qualquer conclusão sobre as causas do acidente”, afirmou o funcionário do BEA.

O avião da EgyptAir, que fazia a rota entre Paris e a cidade do Cairo, caiu no mar efetuando duas voltas bruscas após desaparecer dos radares e perder altitude a uma grande velocidade.(fonte:noticias ao minuto)

 

Salah Abdeslam fica em silêncio diante de juízes franceses

Da Agência Lusa

O advogado Frank Berton, um dos advogados do extremista islâmico Salah Abdeslan, informou que seu cliente não quis se pronunciar no depoimento de hoje (20) e que irá fazê-lo mais tarde. A informação foi dada à agência de notícias France Presse.

O integrante do comando radical muçulmano que atacou Paris no dia 13 de novembro chegou cedo ao Palácio da Justiça para ser ouvido pelos juízes de instrução, no primeiro interrogatório após as investigações dos ataques que mataram 130 pessoas.

“Salah Abdeslam usou o seu direito ao silêncio, recusando-se a responder às perguntas do juiz”, disse o procurador de Paris.

“Também não quis especificar as razões que o levaram a fazer o uso do seu direito ao silêncio. Recusou-se a confirmar, do mesmo modo, as declarações que havia feito anteriormente à polícia e ao juiz de instrução belga”, acrescentou.

“Ele [Salah Abdeslam] quis exercer o direito ao silêncio, devemos dar-lhe tempo”, disse Frank Berton.

O advogado do acusado lamentou que o seu cliente esteja numa cela da prisão de Fleury-Merogis, em Paris, sob vídeovigilância permanente. “Sente-se vigiado as 24 horas do dia, isso não o deixa em boas condições”, acrescentou.

O advogado disse ainda que pretende conversar sobre o assunto com o ministro da Justiça francês.

Exército egípcio diz que encontrou destroços de avião da EgyptAir

Da Agência Lusa

O Exército egípcio anunciou que encontrou hoje (20) destroços do avião e objetos pessoais de passageiros do voo Paris-Cairo, da EgyptAir, que caiu nessa quinta-feira no Mediterrâneo com 66 pessoas.

“Aviões e navios do Exército encontraram objetos pessoais dos passageiros e destroços do aparelho a 290 quilômetros ao norte de Alexandria”, informa o Exército, em comunicado.

“As buscas prosseguem e estamos retirando da água tudo o que encontramos”, acrescenta o comunicado.

O avião, que fazia o voo MS804, caiu no mar na madrugada de ontem entre as ilhas do Sul da Grécia e a Costa Norte do Egito por razões ainda desconhecidas.

O presidente egípcio, Abdel Fattah Al Sisi, anunciou nessa quinta-feira à noite a intensificação das operações de busca, após anúncios contraditórios sobre a localização de outros destroços.

A equipe de buscas egípcia trabalha em colaboração com a Grécia, França, o Reino Unido, Chipre e a Itália.

Ontem, as autoridades gregas e egípcias confirmaram a descoberta de destroços do aparelho, o que foi desmentido em seguida.

As mesmas autoridades consideraram ainda remota a possibilidade de haver sobreviventes, o que foi reiterado tanto pela companhia aérea egípcia, quanto pelos governos egípcio e francês, que enviaram  condolências aos parentes das vítimas.

No avião, viajavam 56 passageiros, entre eles um português, 30 egípcios e 15 franceses, além de sete tripulantes e três seguranças.

Até agora, sabe-se apenas que o Airbus A-320 da EgyptAir desapareceu dos radares e perdeu muita altura no espaço aéreo egípcio, fazendo duas voltas bruscas enquanto caía de cerca de 37 mil pés para cerca de 15 mil.

As causas do acidente são desconhecidas e todas as hipóteses estão em aberto. A possibilidade de um atentado terrorista está sendo considerada, apesar de nenhum grupo terrorista ter reivindicado até agora, a autoria do acidente.

Sobreviventes de Hiroshima esperam desculpas de Obama

Da Sputnik/E Agencia Brasil

Os sobreviventes das explosões nucleares da cidade japonesa de Hiroshima declaram que as desculpas por parte do presidente norte-americano, Barack Obama, seriam bem-vindas, divulgou a agência Reuters.

O conselho das organizações dos sobreviventes de explosões nucleares no Japão pretende inclusive exigir desculpas do presidente dos EUA durante sua visita a Hiroshima, prevista para 27 de maio, divulgaram os representantes do conselho durante uma coletiva em Tóquio na terça-feira (17).

“Nós certamente gostariam de receber uma desculpa por pessoas que perderam as suas vidas, que perderam os seus namorados, pais que perderam as suas crianças”, disse Terumi Tanaka, chefe da organização e natural da cidade de Nagasaki que tinha 13 anos quando ocorreu a explosão da bomba atômica, durante a coletiva de terça.

Enquanto isso, de acordo com ele, a prioridade é eliminar todas as armas nucleares eternamente.

Obama, que em 2009 recebeu o prêmio Nobel da Paz parcialmente por razão de tornar a questão de não proliferação das armas nucleares o tema central da sua agenda, será o primeiro presidente americano que visitará Hiroshima, o local do primeiro bombardeio atômico, que tinha sido realizado em 6 de agosto de 1945.

Mas, a Casa Branca mais cedo informara que Obama não tem planos de pedir desculpas pelo bombardeio nuclear.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA realizaram bombardeios com bombas atômicas das cidades de Hiroshima e Nagasaki no resultado dos quais morreram de 130 a 250 mil pessoas. O caso é o único de uso das armas nucleares na história, e o papel dos bombardeios na rendição do Japão e a sua justificação ética ainda são pontos debatidos entre acadêmicos e na sociedade.

Mulher deixa bilhete na lição do filho denunciando violência doméstica

Professora encontrou o recado e avisou a direção da escola que acionou a polícia

POR /Diario da Manhã

Uma mulher uruguaia que vivia presa à vigilância do marido, elaborou um plano muito bem executado para denunciar a violência doméstica que sofria há muito em casa.

A vítima vive em Benalmádena, na província de Málaga, sul da Espanha, onde não podia sair sozinha na rua, usar o celular ou entrar em redes sociais sem a permissão do marido. Além disso, de acordo com relato da mulher à polícia local, o homem fazia checagens frequentes no telefone e filtrava qualquer contato estranho.

Em desespero, a mulher conseguiu esconder um bilhete de socorro em meio a lição de casa de seu filho de 8 anos. Nele havia uma explicação sobre a situação a qual vivia e escreveu seus dados pessoais e até o endereço.

A professora da criança achou o recado dentro do livro do aluno e avisou a direção da escola, que entrou em contato com a polícia e o Centro Municipal da Mulher de Benalmádena.

As autoridades junto à escola elaboraram um plano cuidadoso para investigar o caso sem levantar suspeitas, a fim de proteger a vítima.

O casal foi convocado para uma reunião pedagógica e quando chegou ao local, o marido ficou esperando do lado de fora. A mulher entrou na instituição sozinha e relatou aos policiais os maus-tratos, além de afirmar que o homem havia até colocado fogo na cama para intimidá-la. Ela estava com vários hematomas pelo corpo.

Após o relato da vítima, o homem foi detido ali mesmo, mas foi liberado sob a condição de se manter afastado da vítima a uma distância estabelecida pela polícia, além de usar uma pulseira eletrônica que informa às autoridades caso a medida seja descumprida.

Mãe e filho estão recebendo assistência do Instituto Andaluz da Mulher, órgão governamental dedicado à promoção da igualdade dos gêneros.

Vida de condenados à morte depende da família da vítima na Arábia Saudita

Além do perdão da família da vítima, outra alternativa é o pagamento de quantias milionárias

Após vários meses de discussões em sua família, Ibrahim decidiu perdoar a vida do assassino de seu irmão, que tinha sido condenado por um tribunal da Arábia Saudita a morrer decapitado com três golpes de sabre longo.

“Fiz isto para agradar a Deus, sem exigir dinheiro em troca do perdão”, confessou em declarações à Agência Efe este cidadão saudita que só se identificou pelo nome Ibrahim.

Na Arábia Saudita, onde em 2015 foram executadas 153 pessoas, uma vez que as autoridades sentenciam um suspeito de assassinato à pena capital, só o perdão da família da vítima ou o pagamento de quantias milionárias podem salvar sua vida.

Ibrahim conta que sua mãe passou meses tentando convencê-lo de que perdoar o culpado seria uma mostra de clemência.

“A brutalidade do crime alimentava em mim o desejo de vingança, por isso que rejeitava aceitar o pedido da minha mãe, assim como as mediações que algumas pessoas fizeram para que perdoasse o assassino”, relatou Ibrahim.

No entanto, Ibrahim explicou que as súplicas e os prantos dos parentes do sentenciado fizeram ele optar pelo perdão.

“Fui ao juiz para renunciar ao direito de sangue”, disse Ibrahim, em referência à prerrogativa escrita na sharia, ou lei islâmica, que dá aos parentes da vítima a possibilidade de perdoar o assassino em troca de nada, ou pelo pagamento de uma quantidade de dinheiro que no Islã é conhecida como “deya”.

“Não exigi a deya, o perdoei (o assassino) para que Deus me recompense, mas pedi ao juiz que o obrigue a deixar a cidade onde vivemos para que eu e minha família não o encontremos na rua”, concluiu Ibrahim.

No entanto, o caso de Ibrahim é excepcional, já que a maioria das famílias outorga o perdão só em troca do pagamento de uma alta quantidade de dinheiro.

Nos casos de assassinato por engano, a sharia determina uma “deya” de 100 camelos, ou seu equivalente em dinheiro, mas nos casos de crimes premeditados não há uma quantidade fixada, por isso que a família da vítima é livre para exigir o que queira.

Uma “deya” deste tipo pode chegar a alcançar a soma de 50 milhões de riales sauditas, equivalentes a cerca de 11,7 milhões de euros ou cerca de US$ 13,3 milhões.

Esta situação transformou este tipo de pagamento em um “mercado do perdão” ou como qualificam alguns veículos de imprensa de informação nacionais: “negócios do castigo”, já que a quantidade fixada para perdoar a vida não costuma ser menos que 10 milhões de riales sauditas, mais de 4 milhões de euro.

Durante o ano passado, segundo os casos publicados na imprensa, foram pagos em perdões o equivalente a US$ 22,6 milhões, sem contar alguns casos em que não são anunciadas as quantias.

Um imame de uma mesquita de Riad, o xeque Ahmed al Qarani, criticou em declarações à Efe as enormes “deyas” pagas em troca do perdão da vida de um réu.

“Esgotam a sociedade, porque o dinheiro é colhido entre os membros da tribo, por isso que muitos se veem obrigados a contribuir para não ficar mal perante a família do assassino, apesar de serem pessoas de poucos recursos”, lamentou o clérigo.

Nesse sentido, Qarani aconselha que o pagamento da “deya” seja razoável, “porque o exagero é absolutamente inaceitável, já que faz com que as pessoas sejam obrigadas a pagar despesas que estão acima de suas capacidades econômicas”.

Em setembro, a mãe de um condenado à morte por assassinato, pediu à comunidade a doação de dinheiro para salvar a vida de seu filho, depois que a família da vítima exigisse uma “deya” equivalente a US$ 8 milhões.

O Governo saudita interveio para ajudar a mulher e pediu às pessoas que doassem em uma conta bancária que foi aberta com essa finalidade.

Governadores e personalidades regionais e locais, inclusive o rei, algumas vezes intercedem junto à família da vítima para que concedam o perdão.

Se for concedido, a família clemente é homenageada pelo governador em uma recepção oficial.

O falecido rei saudita Abdullah bin Abdul Aziz intermediou com sucesso em 2013 13 casos de assassinato e organizou uma recepção em honra às famílias que deram o perdão.

No entanto, há famílias que rejeitam todo tipo de mediação ou compensação econômica e insistem até o final no cumprimento da pena de morte. (fonte:o popular)