Consumo excessivo de energéticos pode causar hepatite

De maneira geral, energéticos são, teoricamente, naturais

No início de novembro, o British Medical Jornal (BMJ) publicou um artigo enviado por médicos do Colégio de Medicina da Universidade da Flórida sobre como um homem de 50 anos, sem histórico de problemas no fígado, contraiu hepatite, depois de ingerir, diariamente, de quatro a cinco latas de energético por aproximadamente três semanas. Esse é o segundo caso de intoxicação do fígado em função de energéticos registrado nos E.U.A, desde 2011.

“Embora o consumo desse tipo de bebida não seja, geralmente, associado à ocorrência de hepatite, não tenho dúvidas de que os energéticos – muitas vezes vendidos como “naturais” e potencialmente “benéficos” à saúde – podem desencadear a doença”, afirma a hepatologista do HCor – Hospital do Coração, Dra Edna Strauss.

Norte-americano e trabalhador do ramo da construção civil, o paciente descrito no conteúdo divulgado pelo BMJ teria abusado da ingestão de energéticos para poder suportar o ritmo intenso de trabalho. Antes de ser atendido pela emergência, ele já estava, há duas semanas, sofrendo com fortes dores de estômago e vômito. Após passar por uma biopsia, ficou constatado que o homem havia desenvolvido um quadro agudo de hepatite tóxica e, por ser portador do vírus da hepatite C, houve risco de insuficiência hepática grave e óbito.

“Para prevenir casos como este, o melhor é evitar a ingestão frequente de energéticos. Claro, eventualmente, podemos consumi-los com moderação. Porém não temos conhecimento prévio dos mecanismos de lesão tóxica de nosso fígado”, afirma a médica. “Assim, é preciso ter cuidado. Afinal, enquanto alguns problemas hepáticos podem ser desencadeados por causa da ingestão contínua desse tipo de bebida, outros podem ocorrer, independentemente da dose ingerida, por meio de idiossincrasias ou da susceptibilidade dos diferentes sistemas enzimáticos presentes no organismo de cada um”, revela a Dra Edna.

Atenção à composição

O artigo norte-americano ainda revelou que o quadro de hepatite em questão ocorreu, principalmente, porque as marcas de energético ingeridas pelo paciente continham mais que o dobro do limite diário de niacina (vitamina B3) suportado pelo organismo. “O fígado é como se fosse uma grande usina. Tudo o que entra pela boca, ou mesmo pelas veias, acaba passando por ele para sofrer transformações e, em seguida, ser aproveitado pelo restante de nossos órgãos. Para realizar esse processo, o fígado dispõe de um grande “painel” de enzimas e sistemas enzimáticos especializados em “desintoxicar” o que ingerimos”, explica a hepatologista. “Esses sistemas variam de pessoa para pessoa. Por isso, as agressões que ocorrem em uma, podem não ocorrer em outra e vice-versa. Contudo, sempre que o limite diário de vitaminas e nutrientes é altamente excedido, tais substância se acumulam e, posteriormente, tornam-se tóxicas. Portanto, também é importante ter atenção com a composição destes produtos, mesmo que a quantidade ingerida não seja tão grande”, alerta a médica.

Promova substituições

De maneira geral, energéticos são, teoricamente, naturais. Porém, a maioria deles possui substâncias estimulantes como cafeína, guaraná, chá verde, além de vitaminas em doses exageradas. Também podem conter substâncias que aumentam o metabolismo ou ainda hormônios que propiciam maior desenvolvimento muscular. Nestas últimas eventualidades as probabilidades de efeitos deletérios são ainda maiores, incluindo a hepatotoxicidade. “Os energéticos não trazem elementos dietéticos indispensáveis. Portanto, é possível substituí-los por opções menos agressivas, como sucos, chás e, caso o objetivo seja apenas combater o sono, por exemplo, café, mas sem exageros. Dessa forma, é possível preservar o bom funcionamento do organismo e manter a saúde”, conclui a hepatologista do HCor.(fonte:noticias ao minuto)

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