Goiás

Trio é preso suspeito de matar três pessoas durante festa junina em Goiás

Alvo era jovem que teria envolvimento com tráfico de drogas na região do Jardim Florença. Ele foi atingido por 50 tiros.

Três jovens foram presos suspeitos de matar três pessoas e deixar outros cinco feridas durante uma festa junina no Jardim Florença, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Segundo o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), o alvo do grupo era Vinicius Athos Dias, de 26 anos, que foi atingido por 50 tiros. Também morreram a namorada dele, Emili Daniela Veloso da Silva, de 19 anos, e o segurança dele, Wilian Barreto da Silva, de 18. O motivo seria o tráfico de drogas. Os detidos negam o crime.

“O alvo principal seria Vinicius porque ele era um traficante da região e certamente houve a disputa pelo tráfico de drogas. Já a Emili e o Wilian, não sabemos se foi intencional ou não. As outras pessoas baleadas eram transeuntes, estavam na festa e, a princípio, não eram alvos”, disse o delegado responsável pelo caso, Klayter Camilo.

O crime aconteceu por volta das 22h do dia 15 junho, durante uma festa organizada pela própria comunidade, chamada “Arraiá dos Cachaceiros”. Havia cerca de 600 pessoas no local. A investigação apontou que os autores dispararam 61 tiros.

As prisões ocorreram na sexta-feira (29), durante a Operação São João, em Aparecida de Goiânia. Yan Lesley Macedo Silva, de 22 anos, foi preso na casa dele, no Setor Conde dos Arcos, onde os policiais localizaram munição, uma pistola iraraense calibre 9 milímetros e uma mira a laser, que são de uso restrito. Por isto, ele também foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

Reildo Caetano da Silva Júnior, de 24 anos, foi detido na residência dele, no Setor Colina Azul. Alexsander Sousa Oliveira, de 18, também foi preso em casa, no Jardim Tiradentes.

Todos negaram à polícia a participação no caso. Ao serem apresentados à imprensa nesta terça-feira(3), Reildo e Alexander voltaram a dizer que não cometeram o crime e que não conheciam Vinicius. Yan não foi apresentado porque já foi transferido para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Os policiais cumpriram, além dos três mandados de prisão temporária, três de busca e apreensão nas casas dos suspeitos. Segundo o delegado, os agentes encontraram diversos objetos que podem ajudar nas investigações.

Investigação

Apesar de os detidos negarem envolvimento no caso, o delegado afirmou que há provas suficientes da participação deles. “Há elementos que vamos manter em sigilo, mas o depoimento das vítimas e levantamento dos setores de inteligência permitem a comprovação da participação deles, independente da confissão”, disse Klayter.

O investigador explicou que mais pessoas estão envolvidas no crime. A apuração ainda continua para esclarecer a participação de cada um. “Estamos individualizando a conduta no local do crime, temos mais dois envolvidos com mandado de prisão expedidos e trabalhamos na localização deles”, afirmou.

De acordo com a investigação, Vinicius já tinha sofrido duas tentativas de homicídio neste ano, sendo uma dois meses e outra uma semana antes de ser executado. “A hipótese é que as tentativas tenham sido praticadas pelo mesmo grupo. Acreditamos que eles sejam ligados a uma facção criminosa”, disse o delegado.

Os três jovens devem ser indiciados por homicídio qualificado por impossibilitarem a defesa das vítimas, além das tentativas de homicídio. Se condenados, podem pegar de 12 a 30 anos de prisão por cada morte.

Crime

O material de divulgação do “Arraiá dos Cachaceiros”, avisava que era “proibido arma de fogo e arma branca” e informou que quem brigasse seria “retirado do local”.

No dia do crime, uma testemunha contou à TV Anhanguera que, ao ouvir o primeiro tiro, pensou que se tratava de bomba. Segundo ela, quando as pessoas perceberam que eram disparos de arma de fogo, houve correria e confusão.

“Começou o primeiro tiro, ‘pá’. Aí o povo já assustou, pensou que era bomba, né. Aí começou ‘tá, tá, tá’, descarregar, e foi na hora que o povo começou a correr”, lembra.

De acordo com a polícia, Vinícius morreu na hora. Wilian correu por alguns metros, mas também morreu no local. A mulher do Vinícius chegou a ser socorrida e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Buriti Sereno, mas também não resistiu aos ferimentos.

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