Jesseir Coelho de Alcântara pediu providências ao MP e à defesa de Márcia Zaccarelli, condenada por matar recém-nascida, em Goiânia.

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) solicitou ao Ministério Público Estadual (MP-GO) e à defesa da professora Márcia Zaccarelli, condenada pela morte da filha recém-nascida que teve o corpo escondido em escaninho, em Goiânia, pediu providências para que o corpo da criança, que está há 2 anos no Instituto Médico Legal (IML) da capital, seja sepultado de forma “digna”.

O ofício com o pedido, divulgado nesta sexta-feira (10), foi feito pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri da comarca de Goiânia na segunda-feira (6). No documento, o magistrado relata que só descobriu durante o júri de Márcia que o corpo da recém-nascida não havia sido enterrado.

G1 entrou em contato por telefone às 12h40 desta sexta-feira com o advogado de Márcia, Paulo Roberto Borges da Silva, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

G1 também entrou em contato com a assessoria de comunicação do MP-GO, que informou, por telefone, que está checando se o ofício já foi recebido e quais serão as providências a serem tomadas pelo órgão a partir do recebimento.

Juiz Jesseir Coelho de Alcântara enviou ofício ao MP e à defesa de Márcia (Foto: Vitor Santana/G1)Juiz Jesseir Coelho de Alcântara enviou ofício ao MP e à defesa de Márcia (Foto: Vitor Santana/G1)

Juiz Jesseir Coelho de Alcântara enviou ofício ao MP e à defesa de Márcia (Foto: Vitor Santana/G1)

Márcia Zaccarelli foi condenada no último dia 1º de agosto a 8 meses de prisão pela morte da filha e foi absolvida da acusação de esconder o corpo da bebê no escaninho do prédio durante cinco anos.

A mulher chegou a ser presa, em agosto de 2016, quando o ex-marido encontrou o corpo do bebê, e, após ser detida, confessou em vídeo que a matou e escondeu o cadáver no local, versão mudada por ela no dia do julgamento. Ela ficou 51 dias presa e, há dois anos, responde ao caso em liberdade.

De acordo com Jesseir Alcântara, o corpo da criança está no IML desde o dia em que o ex-marido da professora o encontrou no escaninho do prédio. Ele afirma, no documento, que a Justiça só tomou conhecimento de que a bebê não havia sido sepultada durante o júri popular, data em que solicitou informações ao IML.

O magistrado informou que o Instituto Médico Legal o retornou com um laudo de DNA que comprova o vínculo genético entre a criança e Márcia Zaccarelli e também comunicou que, ao longo dos últimos dois anos, mesmo estando em liberdade, a mãe só esteve no órgão uma vez, no momento da perícia.

Márcia Zaccarelli durante julgamento, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)Márcia Zaccarelli durante julgamento, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

Márcia Zaccarelli durante julgamento, em Goiânia (Foto: Vitor Santana/G1)

Depoimento

A professora deu à luz uma menina no dia 15 de março de 2011. A filha, segundo consta no processo, foi fruto de um relacionamento extra-conjugal com um colega de trabalho. O marido de Márcia não podia ter filhos por já ter feito vasectomia. Quando ela começou a sentir contrações, ela ligou para um amigo que a levou para o hospital. Esse amigo ainda deu R$ 3 mil para que a professora fizesse o parto cesárea.

Durante o julgamento, Márcia disse que a bebê era fruto de uma relação extraconjugal que ela havia tido. Ela afirmou que tanto o marido, quanto o amante, sabiam da gravidez, mas nenhum deles queria assumir a filha e haviam pedido para ela praticar aborto. A professora se recusou a fazer o aborto.

Segundo Márcia, quando ela entrou em trabalho de parto, o marido disse para ela “sumir e dar um jeito” na criança. A mulher contou que era mal tratada pelo ex-companheiro e que o homem só denunciou o caso à polícia para que, no processo de separação, ela não tivesse acesso aos bens do casal.

“Eu não queria matar minha filha. A ideia de colocar no escaninho foi dele, que não queria se desfazer da prova, porque era uma forma dele me manter com ele”, disse a mulher.

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Um vídeo feito pela Polícia Civil mostra o depoimento da professora após a prisão. Na gravação, ela deu detalhes de como cometeu o crime e diz que não queria fazer mal à criança. No entanto, descreveu como asfixiou o bebê.

“Na rua, andando, eu não sabia mais o que fazer. Ela começou a chorar. Estava começando a chover. Eu olhava para ela, depois ela dormiu de novo [respira fundo]. Apertei o narizinho dela”, disse na ocasião.

No registro, a mulher chora por diversas vezes. Quando deixou a maternidade com a filha nos braços, a mulher contou que pegou um táxi e parou em uma praça “sem saber o que fazer”.

Nesse momento, alegou que não tinha intenção de matar a filha, mas diz que ficou com “medo”.

Logo em seguida, a mulher afirmou que tem consciência do que fez, mas que é uma boa pessoa. “Eu sei que feri alguém, mas o senhor pode me perguntar, sou uma excelente mãe e sempre fui”, comentou.

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G1 Tocantins.

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