Segundo Funaro, Joesley temia que Cunha fizesse uma delação e o comprometesse. Por isso, incentivou-o a se antecipar, mas deveria omitir crimes do dono da JBS.

Há algo de novela das oito na nova prisão de Joesley Batista. O delator dos supostos crimes de Joesley, o operador financeiro Lucio Bolonha Funaro, era amigo do dono da JBS, a ponto de frequentar a casa dele no Jardim Europa, em São Paulo, e dividir o jatinho em viagens de férias na Grécia e no Caribe.

Funaro contou num dos depoimentos de seu acordo que Joesley o incentivou a fazer delação. De acordo com o operador, o dono da JBS temia que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha fizesse uma delação e o comprometesse. Segundo o relato de Funaro, Joesley o teria aconselhado a se antecipar a Cunha, mas com uma condição: deveria omitir os crimes de Joesley que conhecia.

Funaro diz que essa conversa ocorreu no primeiro semestre de 2016, quando a Operação Lava Jato havia descoberto as contas que Cunha mantinha na Suíça e o mandato do então todo poderoso deputado corria o risco de cassação. O plano de Joesley, de acordo com Funaro, era evitar o que chamava de efeito dominó que uma delação de Cunha provocaria: cairiam Funaro, Joesley e a JBS.

Eis o que diz Funaro no vídeo que integra o seu acordo: “Tanto eu como Joesley ficamos comprometidos a partir daquela data a ter uma definição de que, se eu sentisse que o deputado Eduardo Cunha corresse algum risco de ser cassado e, antes de ser cassado, ou durante o processo de cassação, ou após o processo de cassação, eu vislumbrasse alguma chance dele aderir a um processo de delação premiada, eu deveria sair na frente do deputado Eduardo Cunha para proteger a minha pessoa e o grupo JBS”.

Funaro cumpriu apenas uma parte do trato: fez o acordo, mas não preservou Joesley.

O motivo, segundo o próprio Funaro, foi financeiro. Ele diz ter levado alguns calotes do dono da JBS entre 2011 e 2015, que chegam a R$ 120 milhões quando somados os negócios lícitos e ilícitos, nas contas do operador.

Funaro chegou a chamar Joesley de ladrão em depoimento que prestou na 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, em outubro do ano passado: “Ele roubou de mim, do (Eduardo) Cunha e do Geddel (Vieira Lima). Só da Alpargatas, R$ 81 milhões”, disse.

Funaro diz ter ajudado a JBS a comprar a Alpargatas do grupo Camargo Corrêa em novembro de 2015, no que classificou de um “negócio lícito”. A família Batista pagou R$ 2,67 bilhões pela empresa, vendida menos de dois anos.

O operador contou que Joesley pagou para o grupo comandado por Cunha e políticos do MDB um total de R$ 177 milhões quando se soma contribuições legais para campanha e pagamentos ilícitos.

Os valores ilegais eram a propina que Joesley pagava ao grupo de Cunha e Geddel para ter acesso a dinheiro emprestado com juro barato por um programa de financiamento da Caixa, o FI-FGTS.

O próprio Joesley contou em seu acordo de delação que pagou R$ 90 milhões entre 2011 e 2014 a Eduardo Cunha para ter acesso a recursos do FI-FGTS. O sócio da JBS afirmou que foi Funaro quem lhe disse que só teria acesso a recursos do FI-FGTS se pagasse suborno a Cunha, que o grupo do MDB que mandava na Caixa criaria “dificuldades intransponíveis” para ele. Nesse período, as empresas do grupo J&F, que controla a JBS, receberam R$ 2,89 bilhões do FI-FGTS.

A propina, de acordo com Joesley, variava de 3% a 3,5% sobre o valor do financiamento. Com informações da Folhapress.

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