Além de perder o mandato como governador duas vezes, Miranda também foi impedido de assumir o senado quando foi eleito para o cargo em 2010.

O governador cassado do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB) é o único político da história do estado a ser eleito e perder o mandato duas vezes para o mesmo cargo.

A trajetória de Miranda na vida pública começou em 1990, como deputado estadual. Ele voltou a ser eleito para o cargo em 1994 e 1998, quando foi escolhido presidente da Assembleia Legislativa.

Em 2002 se aliou ao então governador Siqueira Campos e concorreu ao Palácio Araguaia. Venceu e ficou no cargo até 2009, quando foi cassado pela primeira vez.

Desde então foram muitas as polêmicas. Relembre aqui alguns dos principais episódios.

Primeira cassação

Marcelo Miranda foi eleito governador pela primeira vez em 2002 e cumpriu integralmente o mandato até 2006, quando foi reeleito.

Durante a segunda campanha, se voltou contra o antigo aliado, Siqueira Campos e acabou superando ele nas urnas. Ele continuou no Palácio Araguaia até 2009, quando foi cassado.

A decisão na época foi do Tribunal Superior Eleitoral, por irregularidades encontradas na campanha de 2006. Miranda ficou inelegível pelo prazo de oito anos.

O comando do executivo acabou com o então presidente da Assembleia Legislativa, Carlos Gaguim. Ele venceu uma eleição indireta e ficou no cargo até o fim de 2010, mas não conseguir se reeleger e foi sucedido por Siqueira Campos.

Campanha ao Senado

Por causa da decisão do TSE em 2009, o político acabou impedido de assumir o mandato como senador quando foi eleito para o cargo em 2010. Ele foi o mais votado em todo o estado, mas teve o diploma negado com base na Lei da Ficha Limpa.

Quem assumiu foi o primeiro suplente, senador Vicentinho Alves (PR).

Eleições de 2014 e avião em Piracanjuba

Durante as eleições de 2014, Marcelo Miranda precisou ir à Justiça para conseguir o direito de se candidatar.

Ele era o favorito nas intenções de voto, mas não tinha certeza se poderia continuar no governo em função da condenação em 2009.

Ele foi autorizado a concorrer, mas o candidato a vice, Marcelo Lélis (PV), foi impedido.

Marcelo formou chapa com Cláudia Lélis (PV) e acabou ganhando no voto popular. Durante a campanha, a Polícia Civil apreendeu um avião com R$ 500 mil em dinheiro e santinhos da chapa Miranda-Lélis em Piracamjuba (GO). O caso levaria à nova cassação dele em 2018. 

Avião foi apreendido pela polícia com R$ 500 mil e santinhos e candidato político, em Piracanjuba, Goiás (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Operações da Polícia Federal

Ao longo do segundo mandato, Marcelo Miranda foi alvo de várias operações da Polícia Federal que investigam esquemas de corrupção. O primeiro caso foi em novembro de 2016, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Reis do Gado.

O inquérito investiga um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. Miranda chegou a ser conduzido coercitivamente para prestar depoimento no caso. Parentes dele foram indiciados, inclusive o pai, Brito Miranda.

Em outubro de 2017, foi lavado para depor novamente. Ele foi interrogado por um ministro do Superior Tribunal de Justiça na quinta fase da Operação Ápia.

Marcelo Miranda é investigado em operação da Polícia Federal (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Na época, a investigação era sobre um esquema que seria comandado pelo Procurador Geral de Justiça do estado, Clenan Renault de Melo, para beneficiar algumas empresas através de ações do Ministério Público Estadual. Miranda não respondeu a nenhuma pergunta do ministro.

No último dia 6, o governador foi intimado para depor pela terceira vez. Ele se tornou alvo da operação Pontes de Papel, um desdobramento da Ápia que investiga pagamento de propina em obras rodoviárias.

O novo depoimento durou cerca de três horas, mas como a investigação está em segredo de Justiça o conteúdo não foi divulgado.

Nova cassação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou na manhã desta quinta-feira (22) os diplomas do governador Marcelo Miranda (MDB) e da vice-governadora Cláudia Lelis (PV).

O processo, que analisa caixa dois durante a campanha de 2014, começou em 2015 após uma aeronave ser apreendida com R$ 500 mil em Goiás.

O advogado Thiago Boverio, que representa o governo, informou que vai recorrer da decisão. “Há muitos fatos para esclarecer.

O próprio ministro disse que há muitos indícios e isso tudo será esclarecido nos embargos declaratórios.

Quanto à execução, o que ficou bem claro é que o ministro tomou para si a possibilidade de decidir sobre isso”, disse.

A decisão tem efeito imediato e o governador deverá deixar o cargo para realização de novas eleições, na qual o vencedor deverá ocupar o cargo até o final deste ano.

Porém, a defesa do advogado pode recorrer ainda dentro do próprio órgão.

G1 Tocantins

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