Um dos possíveis presidenciáveis para 2018, ele também afirmou que não será vice de ninguém.

Candidato à Presidência da República em 1998 e 2002, Ciro Gomes (PDT-CE) volta a ter seu nome como um dos possíveis candidatos às próximas eleições. Em entrevista divulgada nesta segunda-feita (27), ele falou sobre a possibilidade, mas deixou claro que não será vice do Lula, como também já foi cogitado. “Serei bastante categórico: não serei vice de ninguém”.

Ele, inclusive, chegou a dizer que a eleição de Lula seria um desserviço para o país. “Temos longa história de parcerias e diferenças. Votei nele em 1989 [no segundo turno], 2002 e 2006. Na Dilma em 2010 e 2014. Entretanto, acho que nesse momento a candidatura do Lula desserve a ele e ao país. Na melhor das hipóteses, ganha e projeta essa confrontação odienta que está rachando o país. Mas a probabilidade de polarizar e perder é muito alta”, considerou.

Ele também deixou claro que, se o Lula for candidato, ele não entrará no páreo. “Não tenho a menor vontade de ser candidato se o Lula for. Menos em homenagem a ele e mais porque a tendência é ele polarizar o processo. E eu ficar falando de modelo econômico… Vou ter um papel nobre, vou lá para meus 12%, 15% no mínimo, mas daí dizer para o povo que acredito que vou ser presidente… Não consigo mentir desse jeito”.

Questionado pela Folha de S. Paulo se, agora, seria a vez de o PT apoiá-lo, ele disse não acreditar, mas defendeu a apresentação de uma nova liderança. “A natureza do PT, e é legítimo isso, é ter candidato próprio. Talvez o ideal fosse apresentar uma nova liderança”.

Ciro Gomes também falou sobre outros possíveis candidatos. Disse que, embora seja a única candidata que apareça, nas últimas pesquisas, com chances de vencer o Lula, Mariana Silva não tem visão administrativa. “Marina é uma boa pessoa. Mas não tem visão administrativa. Hostiliza, no simbólico, o agronegócio, a mineração. Evidentemente nada autoriza nenhum deles a nenhum tipo de abuso. Mas o descuido da Marina com a vida real faz com que ela apresente, como sua única proposta que conheço concreta, uma aberração, que é a independência do Banco Central”, afirmou.

Já sobre Bolsonaro, Ciro Gomes acredita que ele presta um serviço ao Brasil. “Sem ele, esse eleitorado do antipetismo se concentrava todo no PSDB”. E analisou a ascensão de um candidato extremista. “Esse pensamento sempre existiu. O que fez foi sair do armário, pela debacle do PT. Nós do mundo progressista deixamos parte da população imaginar que nosso apreço aos direitos humanos parece contemporizar com a impunidade. Há pessoas que imaginam soluções toscas, que veem muita verdade em ‘bandido bom é bandido morto’.

Conhecido por sua língua afiada, Ciro também não poupou o atual presidente do Brasil, Michel Temer. “Ele, para além de ser essa coisa constrangedora de chefe de quadrilha, sendo um velho e notório malversador de dinheiros públicos, virou chefe de um governo de patetas”, disparou.

João Doria, prefeito de São Paulo, também não foi poupado. “Conheço [Doria] de longuíssima data. O antipolítico, o empresário… Tem dois probleminhas básicos [nessa imagem]. Doria foi chefe da Embratur no governo Sarney. Saiu debaixo de muitas irregularidades no Tribunal de Contas da União e foi violentamente criticado por uma propaganda do turismo brasileiro com bundas de mulher na praia, estimulando claramente o turismo sexual. A segunda coisa: Doria reforçou muito a grande fortuna dele, do liberal, com dinheiro público dos governos do PSDB de Minas e SP, por exemplo”.

Perguntado sobre a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, Ciro continuou “atirando”. “O exibicionismo midiático, ir ao Facebook agradecer o apoio de todos, as gravatinhas borboletas em todo tipo de solenidade, a confraternização descuidada com possíveis réus, a fraude com a gravação da presidente [divulgação do grampo de ligação entre Dilma e Lula] – o que nos EUA é considerado traição e gera até pena de morte, só para ter a relativização dessa leviandade. Isso tudo semeia a semente de matar essa coisa importante que seria a Lava Jato, que ainda pode ser o momento de virada na impunidade. Mandar prender um blogueiro, tem uma coisa patológica nisso. Não falo com prazer, falo com dor”.

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