USP fecha laboratório que produzia a ‘pílula do câncer’ em São Carlos

pilula do cancerA Universidade de São Paulo (USP) fechou o laboratório em São Carlos (SP) que vinha produzindo a fosfoetanolamina sintética, conhecida por “pílula do câncer”. Ela estava sendo fabricada no Instituto de Química e era entregue a pacientes que obtiveram na Justiça liminar para o uso da substância, que não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nesta semana, porém, advogados e pacientes que foram à USP voltaram de mãos vazias. Na quinta-feira, 31, dois oficiais de Justiça com um mandado de busca e apreensão acompanharam a tentativa de retirada das pílulas no laboratório, mas o local estava lacrado.

Funcionários contaram que a universidade não tem mais como cumprir as decisões judiciais. O motivo é que a substância deixou de ser produzida e não existe no laboratório qualquer estoque da substância. O fim da produção teria sido determinado pela reitoria da USP.

A reportagem não conseguiu um retorno da universidade para comentar esta decisão, mas houve a confirmação de que o laboratório foi mesmo fechado. Já os funcionários que trabalhavam para sintetizar a substância teriam sido transferidos para atuar no laboratório em Cravinhos (SP), onde a pílula será produzida para ser testada em humanos pelo governo do Estado.

A fosfoetanolamina sintética foi desenvolvida em São Carlos e supostamente seria capaz de curar diferentes tipos de câncer. Os primeiros testes oficiais não confirmaram essa condição, mas pacientes em estado avançado da doença que usaram as pílulas garantem que elas dão resultado.

“Minha mãe usou e o tumor dela reduziu”, afirma Mara Lúcia, em uma comunidade na internet que defende a substância. Já Daiani Coelho fez um desabafo emocionado porque tem câncer e está vivendo à base de morfina. Ela conseguiu na Justiça o direito às pílulas, porém, como pararam de ser produzidas está sem a substância.

“Eu me disponho a ser cobaia, se preciso, para viver um pouco mais”, disse a jovem que tem câncer no estômago. Amigos estão pedindo que quem tiver pílulas sobrando, doem a ela.

Denúncia. Apesar da defesa por parte dos pacientes, muitos médicos são contra a fosfoetanolamina, que sem estudos oficiais de eficácia, continua sem ser considerada um remédio. Nesta semana, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, recomendou que ela seja legalizada pela Anvisa como um suplemento alimentar.

Por sua vez, mesmo sem os testes oficiais, o Senado aprovou na semana passada um projeto de lei que permite a fabricação, distribuição e o uso da pílula. Já a Procuradoria da USP denunciou à Polícia Civil o pesquisador Gilberto Chierice, que desenvolveu a fórmula.

Ele foi acusado de curandeirismo e de crime contra a saúde pública, tendo prestado depoimento à polícia. O inquérito ainda está em andamento e Chierice segue defendendo a tese de que a fosfoetanolamina realmente seria capaz de combater o câncer.

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Se Dilma resistir ao impeachment, Cunha já tem ‘plano B’

cunha aCaso a oposição não consiga os 342 votos necessários para retirar a presidente Dilma Rousseff da presidência, ainda sim ameaça do impeachment está longe de cabar.

Segundo a ‘Gazeta do Povo’, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adiantou, para aliados e líderes partidários, que vai instaurar um novo processo caso o primeiro seja derrotado. O “plano B”  seria o pedido de impedimento apresentado nesta semana pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O maior temor da ala pró-impeachment não está na possibilidade de o Palácio do Planalto conseguir os 172 votos que garantiriam o mandato a Dilma, mas na ausência de deputados em número suficiente para minar a oposição.

Ainda segundo a publicação, a ala anti-Dilma trabalha com a certeza do impeachment, numa estimativa de que ela não terá mais do que 140 votos a favor. No entanto, caso a batalha seja perdida, a guerra continuará. Para João Arruda (PMDB), a única chance de novos processos de impeachment não serem abertos é se o governo conseguir uma votação favorável expressiva, acima de 200 votos. “Do contrário, na semana seguinte a esse primeiro pedido, o Cunha instaura outro processo. E vai ser assim ao longo de todo o ano”, disse ao jornal.

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Marconi vai recorrer de decisão por improbidade administrativa

Em nota, Assessoria Jurídica do governador observa que o recurso tem efeito suspensivo e que a decisão é de primeira instância, sem efetividade imediata e que depende de confirmação pelo Tribunal de Justiça

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Marconi Perillo (Foto: Divulgação)

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB),  vai recorrer da decisão do juiz da 3.ª Vara da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Goiânia, Élcio Vicente da Silva, que estabelece a condenação dele e do deputado federal Sandes Júnior por improbidade administrativa.

Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (1º/4), a Assessoria Jurídica do governador afirma que “ao contrário do que afirma a decisão judicial, não houve, por parte do governador, qualquer ato ou prática de abuso de poder político na campanha eleitoral de 2004” para a Prefeitura de Goiânia.

A nota observa que a decisão não tem efetividade imediata. “É importante ressaltar que o recurso tem efeito suspensivo e que a decisão é de primeira instância, sem efetividade imediata e que depende de confirmação pelo Tribunal de Justiça”, informa a Assessoria Jurídica de Marconi. O juiz Élcio Vicente da Silva acatou a denúncia do Ministério Público que alega que o governador, então no segundo mandato, atuou pela promoção da candidatura de Sandes para a Prefeitura de Goiânia.

Segundo o comunicado, o governador e o Governo de Goiás não promoveram, à época, “nenhum fato com influência sobre o resultado da eleição para a Prefeitura de Goiânia”. A defesa argumenta que a ausência de abuso de poder político relacionado à campanha do então deputado federal Sandes Júnior para a Prefeitura de Goiânia “se comprova mediante o resultado do pleito, já que o candidato citado no processo, o deputado federal Sandes Júnior, não venceu as eleições, nem sequer participou do segundo turno da disputa”.

O deputado federal Sandes Júnior, que concorreu as eleições de 2004 e não passou ao segundo turno, também afirmou que vai recorrer da decisão. Leia, abaixo, a íntegra da nota enviada à imprensa.

NOTA SOBRE A DECISÃO DA 3ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL

A Assessoria Jurídica do governador Marconi Perillo vai recorrer da decisão do juiz da 3.ª Vara da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Goiânia Élcio Vicente da Silva.

Ao contrário do que afirma a decisão judicial, não houve, por parte do governador, qualquer ato ou prática de abuso de poder político na campanha eleitoral de 2004, bem como nenhum fato com influência sobre o resultado da eleição para a Prefeitura de Goiânia.

Isso se comprova mediante o resultado do pleito, já que o candidato citado no processo, o deputado federal Sandes Júnior, não venceu as eleições, nem sequer participou do segundo turno da disputa.

É importante ressaltar que o recurso tem efeito suspensivo e que a decisão é de primeira instância, sem efetividade imediata e que depende de confirmação pelo Tribunal de Justiça.

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Governador de GO e deputado federal são condenados por improbidade

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O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), durante a campanha eleitoral de 2014

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o deputado federal Sandes Júnior (PP-GO) foram condenados nesta quinta-feira (31) em primeira instância na Justiça de Goiás por improbidade. A sentença, divulgada nesta sexta (1º) é assinada pelo juiz Élcio Vicente da Silva e decorre de ação civil pública do Ministério Público goiano. Ambos podem entrar com recurso.

Na sentença, ficam estabelecidas a “perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos por cinco anos” de Perillo e Sandes Júnior. No entanto, como há possibilidade de recurso, ambos continuam cumprindo o mandato.

Segundo a ação do MP, o governo de Goiás usou sua propaganda oficial para alavancar a candidatura de Sandes à prefeitura de Goiânia em 2004. Na época, Perillo cumpria seu segundo mandato como governador — ele está no quarto governo.

Facebook/Reprodução

O deputado federal Sandes Júnior (PP-GO)

Ainda de acordo com o MP, o prejuízo causado aos cofres públicos pela conduta de Perillo e Sandes Júnior foi de R$ 215.578. Ambos também foram condenados a ressarcir o valor gasto com a propaganda oficial com correção pela inflação e a pagar multa de R$ 60 mil.

O governador e o deputado federal foram julgados em primeira instância porque o caso é da esfera cível. O foro privilegiado — STJ, no caso de Perillo, e STF, no caso de Sandes — só vale em processos criminais.

O governo de Goiás informou que Perillo vai recorrer da decisão. Segundo a nota oficial, “não houve, por parte do governador, qualquer ato ou prática de abuso de poder político na campanha eleitoral de 2004, bem como nenhum fato com influência sobre o resultado da eleição para a Prefeitura de Goiânia.” De acordo com o governo goiano, “isso se comprova mediante o resultado do pleito, já que o candidato citado no processo, o deputado federal Sandes Júnior, não venceu as eleições, nem sequer participou do segundo turno da disputa.”

O deputado Sandes Júnior não havia se manifestado até o início da noite desta sexta.

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Dilma exonera vice-diretor da Caixa indicado por Temer

Presidente também exonerou o diretor da Casa da Moeda do Brasil

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Presidente Dilma Rousseff

A presidenta Dilma Rousseff exonerou mais um funcionário do governo indicado pelo PMDB. O vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê de Santanna, foi desligado do cargo nesta sexta-feira (1º). O PMDB decidiu deixar o governo em decisão na última terça-feira (29).

Indicado pelos peemedebistas Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, Derziê é funcionário de carreira da Caixa e trabalhou com o vice-presidente Michel Temer, que é presidente do PMDB, durante o período em que Temer atuou na articulação política do governo, até agosto do ano passado.

A exoneração foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União. Ainda não há indicação oficial de substituto. O governo também publicou nesta sexta-feira a destituição de Paulo Ricardo de Mattos Ferreira da diretoria da Casa da Moeda do Brasil. Para o lugar de Mattos, foi nomeado Jehovah de Araújo Silva Júnior.

Embora nos últimos dias outros nomes indicados pelo PMDB também tenham sido exonerados, como o diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), Walter Gomes de Sousa; e o diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rogério Luiz Abdalla; o governo aceitou ontem (31) a indicação do partido e nomeou Luiz Otávio Oliveira Campos para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Campos foi senador e era secretário-executivo da Secretaria de Portos da Presidência da República, comandada pelo também peemedebista Helder Barbalho. A nomeação para o comando da agência precisa ser apreciada pelo Senado.

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A partir desta segunda-feira, 4, o agendamento para emissão de Carteira de Trabalho será apenas pela internet

Aline Gusmão/Governo do Tocantins
Fotos: Carlessandro Souza/Governo do Tocantins

carteira trabalhoO Sistema Nacional de Emprego do Tocantins (Sine) mudou a metodologia para agendamento da emissão da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).  A partir de abril, a marcação será realizada apenas uma vez por mês e exclusivamente pela internet. Com isso, acontece nesta segunda-feira, 4, a programação dos atendimentos para todo o mês de abril.

Segundo a Diretora do Trabalho do Sine Estadual, Suami Freitas, a medida facilitará o dia a dia dos trabalhadores, evitando que os interessados no serviço se desloquem ao posto desnecessariamente. “As senhas eram entregues uma vez por semana e era comum as pessoas saírem sem conseguir o agendamento. Com a marcação online, os usuários irão ao Sine somente no momento de realizar o serviço de emissão”, explicou.

Para realizar o agendamento pela internet, o interessado deve acessar nesta segunda, 4,  o site Saa.mte.gov.br  e selecionar Estado, Município e Unidade para atendimento. Nesta data, será possível realizar a marcação para todos os dias do mês de abril, sendo disponíveis 30 atendimentos por dia. Excepcionalmente em abril, o agendamento será realizado no dia 4, passando a ser realizado no primeiro dia útil nos meses seguintes.

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Medicamentos podem ser reajustados em até 12,5% a partir de hoje

Pela 1ª vez em mais de 10 anos índice aprovado fica acima da inflação. Autorização foi publicada no ‘Diário Oficial da União’ desta sexta-feira.

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Remédios (Foto: Reprodução)

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos em resolução publicada hoje (1º) no Diário Oficial da União determinou que os preços dos remédios poderá subir até 12,5% a partir desta sexta-feira. A medida atinge mais de 9 mil medicamentos em todo o país.

De acordo com a resolução, o reajuste nos preços dos remédios teve por base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 9 de março de 2016, que acumula variação de 10,36% entre março de 2015 e fevereiro de 2016.

As farmácias e drogarias deverão manter à disposição dos consumidores e dos órgãos de defesa do consumidor as listas dos preços de medicamentos atualizadas, informa a resolução.

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Requião expõe racha no PMDB: ‘Governo Temer seria desastre igual ao de Dilma’

Agência Senado
Image copyrightAgencia Senado Image captionRoberto Requião diz que se sente isolado no partido, mas que não pensa em desfiliação

O senador paranaense Roberto Requião está no PMDB há mais de 30 anos, desde a época do MDB, e foi pela sigla deputado, governador do Paraná e prefeito de Curitiba. Hoje, diante da saída do partido da base aliada, diz não reconhecer o PMDB em que entrou, considera a reunião de terça-feira “uma piada” e reprova Temer no poder: “sem proposta, seria um desastre igual ao que está sendo o da Dilma”.

Para Requião, o partido não pode sair do governo, porque nunca entrou efetivamente. “Ele (o PMDB) nunca se sentiu representado.”

Duro crítico do plano batizado de Uma Ponte para o Futuro, prévia do que seria um governo Temer na área econômica, o senador afirma que as medidas causariam a “maior crise social da história do Brasil”.

O plano de reformas liberais inclui relaxamento de leis trabalhistas, privatizações, concessões e custos salariais menores. “É uma espécie de protocolo dos sábios do mercado”, diz.

Isolado no partido, não pensa em se desfiliar. “Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?”

Leia os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O senhor esteve na reunião da terça-feira (que decidiu pela saída do PMDB do governo)?

Roberto Requião – Não, o Paraná não compareceu à reunião.

BBC Brasil – Como avalia a saída do partido?

Roberto Requião – Em primeiro lugar, a saída de um partido do governo é uma coisa normal no sistema democrático. Mas, tudo isso tem que ter um pressuposto: por que vamos sair? O que queremos ao sair? O que propomos para o país? Não vi nada nisso. Vi na mesa o (Eduardo) Cunha, o (Eliseu) Padilha e o (Romero) Jucá comandando uma reunião em que não sei quem votou, porque não havia identificação de eleitores, foi por aclamação. Logo não se pode nem saber se era o PMDB que estava lá.

E não há nenhuma proposta alternativa, pelo contrário. O Jucá é o porta-voz de um documento que se chama Uma Ponte para o Futuro, que é uma espécie de protocolo dos sábios do mercado. É mais radical do que toda a operação fiscal do (ex-ministro da Fazenda) Joaquim Levy, que beneficia o capital especulativo e prejudica duramente o trabalho. É pior do que o que se propôs para Grécia, Itália, Portugal e Espanha. Mas esse documento não é do partido.

BBC Brasil – Ele não pode ser considerado uma proposta?

Roberto Requião – Claro que não. Não tem proposta. Esse documento foi levado a uma reunião nacional da Fundação Pedroso Horta (órgão de formulação política do PMDB) e foi rejeitado. Nem puseram em votação porque havia uma rejeição absoluta da base partidária.

Não entendo o que significa sair do governo. Por quê? Para quê? Propondo o quê? Digo isso com conforto, porque me manifesto contra a política econômica do governo desde o primeiro dia.

AP
Image captionPara senador, PDMB não tem projeto para o país e reunião de terça foi “uma piada”

BBC Brasil – Na sua visão, o Ponte para o Futuro seria pior do que a política econômica do governo?

Roberto Requião – Seria um verdadeiro horror e é uma contradição com a história do PMDB. O documento base do PMDB é Esperança e Mudança. É um documento de retomada do desenvolvimento, de ativamento das garantias sociais. É o Estado social, do meio ambiente, do respeito às leis trabalhistas, que protege o trabalho interno.

Esse (Ponte para o Futuro) nem o FMI faria tão ruim. Nos coloca numa situação de primarização da economia.

BBC Brasil – Quais suas principais críticas em relação ao documento?

Roberto Requião – Ele não é para ser colocado num contexto de disputa eleitoral para o povo brasileiro. É para o mercado, para os banqueiros, porque ele teria uma rejeição absoluta no país. Agora o PMDB sai do governo. E tem mais ainda: será que o PMDB já foi governo? Acho que não foi.

Se o PMDB estivesse no governo, se os ministros da Dilma representassem o partido, a convenção não sairia do governo, os ministros teriam o controle da sigla, estariam representando suas bases. Mas o partido nunca se sentiu representado. Como sete ministros não têm influência alguma? Porque não eram ministros do partido. O meu PMDB nunca foi governo. Isso foi um produto de um acordo congressual.

BBC Brasil – Então, para o senhor, o PMDB não está representado no documento e nem na reunião?

Roberto Requião – O PMDB que conheço não estava representado nisso e muito menos nesse documento. O PMDB poderia sair do governo, claro que poderia. Monta convenções no Brasil inteiro, formula uma proposta e diz: olha, o governo da Dilma está indo por um caminho neoliberal que não satisfaz os caminhos traçados ao longo da nossa história. Mas esse pessoal estava fazendo exatamente o contrário.

BBC Brasil – Mas o senhor é a favor da saída do governo dadas as atuais circunstâncias?

Roberto Requião – Não. Sou favorável à mudança da política econômica do Brasil. Não posso falar em sair do governo porque nunca entrei.

BBC Brasil – Como vê a posição de Michel Temer hoje?

Roberto Requião – Ele não foi à reunião (de terça-feira). A carta dele (à presidente Dilma Rousseff, que veio a público em dezembro) mostra que ele se sentia isolado, que não era parte de nada, não era parte das discussões econômicas. Isso é fato.

AP
Image captionSenador diz que não houve crime de responsabilidade e Dilma deve acabar mandato

BBC Brasil – Para o senhor, a saída do PMDB aumenta as chances de um impeachment?

Roberto Requião – Não acho que uma coisa tem a ver com a outra. O impeachment legal é o julgamento de um crime de responsabilidade. E não houve esse crime. Não é uma questão de acreditar ou não: não houve.

E eu sou contra a política econômica da Dilma, talvez eu seja o maior opositor dentro do Congresso. Esse crime de responsabilidade atinge o comportamento de 16 governadores do Brasil. Tem algum impeachment contra eles, que fizeram a mesma coisa?

BBC Brasil – Como vê a campanha pró-impeachment?

Roberto Requião– É uma jogada de quem perdeu eleição, e do capital financeiro, que quer comandar o Brasil. Dentro do Congresso propõem o fim das estatais, transformá-las em sociedades anônimas; propõem colocar limite no endividamento – se os Estados Unidos tivessem limite para o endividamento teriam fechado na última crise.

É um pacote que marcha paralelamente à derrubada do governo da Dilma: a entrega do petróleo; a liquidação da Petrobras; corte de investimentos do Minha Casa Minha Vida… (sendo que) a maior indústria brasileira é a construção civil. Está caminhando a entrega do país. E, do meu ponto de vista, há um autismo social da Dilma. Ela não está enxergando nada, está repetindo políticas liberais: primeiro o Joaquim Levy, depois trocado pelo Barbosa.

BBC Brasil – Como avalia a política econômica?

Roberto Requião – (Dilma) está perdidíssima. O Levy era uma sinalização para o mercado, que levou a um arrocho fiscal e fez o governo perder completamente seu apoio sindical. Foi minando suas bases. E quem votava a favor de todos os erros da Dilma no Congresso? O PMDB e o PSDB. A favor do Levy, a favor das bobagens do Barbosa.

BBC Brasil – É uma posição contraditória?

Roberto Requião – Claro! Acho que, em defesa da democracia, a Dilma tinha que terminar seu mandato.

BBC Brasil – O senhor falou em ameaça à democracia. Acha que os caminhos que estamos percorrendo na política arriscam o sistema democrático?

Roberto Requião – (Os caminhos) são imprevisíveis. Há uma campanha amplíssima de desmoralização, em parte merecida, da política e dos políticos. Isso pode abrir espaço para vir um super-herói, dependendo das circunstâncias, da direita ou da esquerda.

Image captionAdmirador de Moro no início de seu trabalho, Requião diz que juiz passou os limites da legalidade

BBC Brasil – Quem seria esse super-herói?

Roberto Requião – Pode vir um Bolsonaro, um general salvador. Por isso prefiro que as coisas sejam resolvidas dentro do processo democrático. Sérgio Moro, por exemplo. Achava um sujeito extraordinário no começo do seu trabalho, mas extrapolou os limites do direito.

Sem o trabalho dele e dos procuradores, nós não saberíamos de nada. Só que são juízes e não percebem a utilização de seus exageros para a dominação do capital financeiro sobre o país. Eles estão sendo instrumentalizados e (ficam) satisfeitíssimos pela própria vaidade. Agora, o trabalho deles é muito bonito.

BBC Brasil – Mas é questionável?

Roberto Requião – Porque está atropelando espaços do garantismo jurídico. Acho que o Moro é quem menos acredita na Justiça no Brasil. Porque ele provoca esses vazamentos para pressionar o Supremo Tribunal Federal. Mas Moro tem que ver o que aconteceu primeiro com Weimar (república estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial), que, num esforço moralizante, só punia os progressistas e a esquerda. E deu margem para o surgimento do Hitler. O que aconteceu na Itália quando surge o Berlusconi. Quer dizer, estão embalados pela sua visão paladina e estão abrindo espaço para a direita brasileira.

Não quero que parem. Mas não podem passar do limite legal.

BBC Brasil – Quais seriam esses limites? A condução coercitiva do Lula?

Roberto Requião – Não. A condução coercitiva foi um espetáculo para a mídia, não foi um ato de justiça. O vazamento dos grampos é uma tentativa de comoção nacional. O limite é da razoabilidade, que a lei estabelece. Como é que você joga na mídia uma conversa pessoal de um presidente com um ex-presidente, que é seu amigo? Quando não tem nada a ver com o processo. Fui um entusiasmado incentivador no começo. Mas estão provocando um conflito social que não podem segurar. E outra coisa: o país não está debatendo nada. Tudo está vindo embalado na movimentação moralizante.

BBC Brasil – E o diálogo dentro do PMDB?

Roberto Requião – O PMDB não discute. Sou da bancada do Senado e ela não se reúne. Há uma ausência de projeto.

BBC Brasil – Isso vem se intensificando nos últimos anos?

Roberto Requião – O PDMB tem documentos magníficos. (A falta de diálogo) Foi parte da captura do PMDB pelos empregos, pela fisiologia, com a parte corrompida do PT. É o que eu digo: se esse pessoal que está no ministério é PMDB, por que não tinha um apoio no diretório nacional? Chegaram pelos acordos com o PT. Há uma vontade de poder, com um projeto capenga. A “Ponte para o Futuro” causaria a maior crise social da história do Brasil.

Agencia Brasil
Image captionTemer não está pensando no país, está pensando no poder, diz senador

BBC Brasil – Como seria um governo do PMDB?

Roberto Requião – Acho que, sem uma proposta, seria um desastre igual ao está sendo o da Dilma. O Temer deveria estar pensando no Brasil e ele está capturado por aquele pessoal da extrema direita. Ideologicamente, ele está capturado, está bancando esse projeto louco. Ele é vice-presidente da República e está pensando no poder. Ele acredita que aquele seja um projeto nacional, mas não é, é um desastre nacional.

Estamos no caminho de uma crise. Com Temer, sem Temer, com Dilma, sem Dilma e não há um projeto nacional. A reunião do PMDB foi uma piada. Saímos do governo e não tiveram coragem para colocar em discussão a Ponte para o Futuro, porque acho que, mesmo lá naquela farsa, não passava. Aquilo foi uma piada. E terminou com Padilha, Jucá e Cunha de mãos dadas para cima, para o alto e para a glória. Não é o PMDB em que eu entrei, muito tempo atrás.

BBC Brasil – O senhor pensa em desfiliar-se?

Roberto Requião – Eu não! Acho que a briga é dentro do partido. Sou uma frente de resistência, desde que nasci. Não tenho outras opções melhores. Você não propõe que eu vá para o PT, né?

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Um quinto da população brasileira é obesa, diz estudo

Estudo publicado na revista científica Lancet mostra que um quinto da população brasileira adulta, ou quase 30 milhões de pessoas, é obesa.

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Brasil tem cerca de 30 milhões de obesos

O número é maior entre as mulheres: 23% delas, ou 18 milhões, eram obesas em 2014. Entre os homens, o índice é de 17% (11,9 milhões).

Os números colocam o Brasil entre os países mais obesos do mundo. Entre os homens, só fica atrás de China e EUA; entre as mulheres o Brasil fica em 5º, atrás também de Rússia e Índia.

A comparação é feita em números absolutos e todos os países listados estão entre os mais populosos do mundo.

No ranking masculino, o Brasil está à frente da Índia, que tem população maior que a do Brasil.

Em 1975, o Brasil estava em 10º no ranking de homens obesos e 9º no de mulheres.

Por outro lado, o estudo mostra que o país melhorou em relação a pessoas abaixo do peso: o Brasil aparecia em 9º nos dois rankings em 1975 e agora está em 18º entre os homens e 13º entre as mulheres. Cerca de 3% da população adulta brasileira (4 milhões) estão abaixo do peso.

São consideradas obesas, de acordo com a pesquisa, pessoas que tem o IMC (índice de massa corporal) acima de 30. Para se calcular o IMC deve-se elevar ao quadro a altura da pessoa e dividir pelo peso o resultado obtido.

Mundo

A pesquisa, coordenada por cientistas do Imperial College London, comparou o IMC de cerca de 20 milhões de homens e mulheres de 1975 a 2014. Os dados se referem a 186 países.

O estudo conclui que há mais adultos no mundo classificados como obesos do que como abaixo do peso

Diz também que um quinto dos adultos do mundo será obeso em 2025 e que as chances de atingir as metas da ONU para frear a obesidade nos próximos dez anos são “virtualmente zero”. O objetivo da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que em 2025 os índices não sejam maiores que os de 2010.

Seguindo a pesquisa, desde 1975 a obesidade triplicou entre homens e dobrou entre mulheres. O número de obesos passou de 105 milhões em 1975 para 641 milhões em 2014.

Enquanto isso o número de pessoas abaixo do peso aumentou de 330 milhões para 462 milhões no mesmo período. Mas caiu em termos proporcionais: de 14% para 9% em homens e de 15% para 10% em mulheres.

O principal autor do estudo, Majid Ezzat, disse que há uma “epidemia de obesidade grave”.

“Nossa pesquisa mostrou que em 40 anos nos fizemos a transição de um mundo em que o número de pessoas abaixo do peso era o dobro das obesas para um em que há mais obesos que pessoas abaixo do peso”.

“Embora seja reconfortante saber que o número (proporcional) de pessoas abaixo do peso caiu nos últimos anos, a obesidade global chegou a um ponto de crise.”

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Grupo se reúne na Praça Cívica em apoio à Dilma

De acordo com a organização, 5 mil pessoas estão no local. Já a Polícia Militar falou em 300 manifestantes. O grupo se reuniu por volta de 17h.

praça civica“A Dilma é honesta, o povo é testemunha, quem vai sair é o cunha”. Esse é um dos gritos do grupo de manifestantes pró-Dilma que estão reunidos desde às 17h na Praça Cívica, em Goiânia, na noite desta quinta-feira (31). Os manifestantes vão dar a volta na Praça Cívica e seguir pela Rua Dez até a Praça Universitária.

Há outras manifestações sendo realizadas em diversas cidades do Brasil.

Em Goiânia, os manifestantes usam adesivos e empunham cartazes e faixas em apoio à presidente Dilma. Muitos deles usam coletes da Central Única dos Trabalhadores de Goiás (CUT-GO).

O prefeito Paulo Garcia, a deputada Adriana Acorsi, pessoas ligadas ao SindSaude, Movimento dos Sem Terra (MST) e Movimento Camponês Popular (MCP) também participam do ato.

A Praça Cívica não foi interditada e a Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) controla o trânsito no local.