Suicidas do aeroporto de Bruxelas eram irmãos e tinham ligação com Abdeslam

Dois irmãos de apelido El Bakraoui, que já tinham ficha na polícia mas não por terrorismo, foram identificados entre os supostos homens-bomba dos atentados dessa terça-feira (22) no aeroporto de Zaventem, em Bruxelas, informou hoje (23) a emissora pública RTBF.

Um deles, Khalid, tinha alugado, com identidade falsa, a casa na Rue du Dries, no bairro de Forest. No local, no último dia 15, ocorreu um tiroteio em que um dos suspeitos morreu e dois fugiram, incluindo Salah Abdeslam, envolvido nos atentados de Paris e posteriormente detido.

Khalid e Ibrahim El Bakraui, ambos de Bruxelas, estavam nos registros da polícia por atos de vandalismo, mas não por crimes ligados a terrorismo, acrescentou a RTBF.

Duas explosões foram registradas no aeroporto de Zaventem, com um intervalo de vários segundos, na área de venda de bilhetes das empresas Brussels Airlines e American Airlines. Quatorze pessoas  morreram e 100 ficaram feridas. Na estação do metrô de Maalbeek, a 200 metros da sede da Comissão Europeia, uma terceira explosão provocou a morte de pelo menos 20 pessoas e ferimentos em cerca de 100.

Com informações da Agência Lusa

‘Vamos sair, não vamos morrer’: brasileira narra desespero em trem atingido por bomba

Moradora de Bruxelas há quase 20 anos, a jornalista brasileira Samla da Rosa, 53, estava no trem do metrô que foi atingido em um dos atentados na manhã desta terça-feira.

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Brasileira estava no vagão à frente dos que foram atingidos por explosão em Bruxelas

Ela estava no vagão à frente dos que foram destruídos pela explosão. “Tínhamos medo de outra explosão e estávamos certos de que íamos morrer”, conta.

“A solidariedade nessa hora é imensa. Agarrei uma moça que estava queimada no rosto e chorava muito. Ela não conseguia sair do lugar. Eu amparei-a e falei: vamos sair, não vamos morrer”, diz ela.

Os ataques a bomba em Bruxelas deixaram pelo menos 30 mortos – 20 deles no metrô, de acordo com o prefeito da cidade.

O nível de alerta para terrorismo foi elevado ao máximo. A ação ocorreu dias após a prisão, em Bruxelas, de Salah Abdeslam, principal suspeito pelos ataques de Paris em novembro.

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Imagem mostra pessoas saindo do metrô (Crédito: Samla Rosa)

Em entrevista à BBC Brasil, Samla contou que o vagão no qual se encontrava estava lotado, e os passageiros rapidamente se deram conta de que se tratava de um atentado.

“Foi um desespero. Imediatamente os paramédicos chegaram. Eu tive apenas intoxicação”, relata. “Eles (paramédicos) estavam correndo para os mais feridos. Tinha muita gente queimada. Ninguém fez lista de vítimas. Só os mais feridos ficaram lá”, afirmou, já em sua casa.

“Amigos, hoje vivi um momento daqueles que tentamos entender… mas é muito difícil. Eu estava no trem do metrô que sofreu o atentado. Ia de casa ao centro de Bruxelas.

O trem já havia dado partida da estação Maalbec. Tudo se passou muito rápido. A explosão foi surda e só nos demos conta que estávamos no meio de um atentado quando os vidros das janelas caíram sobre nossas cabeças e vimos fogo do lado de fora do trem, além de trilhos destruídos. Alguns gritaram de pânico: ‘é um atentado terrorista’. Eu e as pessoas sentadas à minha frente nos deitamos no chão e nos abraçamos. Tínhamos medo de outra explosão e estávamos certos de que íamos morrer.

Alguém reagiu e gritou que tínhamos que sair dali porque íamos morrer sufocados pela fumaça. Pouco a pouco começamos a pular a janela do trem, protegendo o nariz para não respirar aquele ar sufocante. As portas estavam bloqueadas. Quando saí dei-me conta que haviam muitos feridos, os outros vagões de trás do nosso estavam destruídos… a esta altura, a fumaça já havia tomado tudo.

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Segundo Samla, havia muita fumaça

O condutor do trem falava ao rádio e mostrava ferimentos ao rosto. Dizia que havia evacuado seu trem e ia começar a guiar as pessoas para fora da estação. Ele começou a abanar sua pequena lanterna para mostrar o caminho. Não conseguíamos ver nada, porque a fumaça era muito forte. Alguns degraus da escada rolante faltavam por causa da explosão e a gente tentava encontrar a saída.

A solidariedade nessa hora é imensa. Um abraça o outro. Eu agarrei uma moça que estava queimada no rosto e chorava muito. Ela não conseguia sair do lugar. Eu amparei-a e falei: vamos sair, não vamos morrer. Deixei-a nas mãos dos paramédicos ao lado de fora e espero que ela um dia consiga ter uma vida normal.

Finalmente estávamos todos lá, na calçada. A polícia começou a chegar e logo fomos cercados por ambulâncias. Muitos feridos, gente queimada e um braço solto na calçada que jamais esquecerei.                                                                                                                                                                                                                                      Colaborou Marcia Bizzotto, de Bruxelas para a BBC Brasil

Balanço parcial aponta morte de ao menos 21 pessoas em explosões na Bélgica

Ainda não há confirmação de motivação terrorista, mas as autoridades do país declararam estado de alerta máximo

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Francois Lenoir/Reuters

Ao menos 21 pessoas morreram, segundo um balanço provisório, em várias explosões na manhã desta terça-feira (22/3) em Bruxelas, informou Pierre Meys, porta-voz dos bombeiros. São 11 mortos no Aeroporto Internacional de Zaventem, segundo o balanço. Há também uma dezena de mortos estação de metro Maelbeek em Bruxelas, onde aconteceu uma explosão. Pessoas relataram ter ouvido gritos em árabe antes dos incidentes, mas as autoridades ainda não confirmam motivação terrorista. O país declarou alerta máximo de terrorismo.

Foram duas explosões no principal terminal aeroportuário da Bélgica e uma no metrô. Equipes de resgate atuam nos dois locais, onde há informações de feridos. As autoridades esvaziaram as estações de metrô e suspenderam o deslocamento de trens em Bruxelas. O aeroporto foi fechado para pousos e decolagens e o tráfego aéreo foi interrompido e desviados para outras regiões. As rodovias de acesso ao terminal também foram bloqueadas por policiais.

Segundo informações preliminares, dois dispositivos foram explodidos perto da área do check-in da American Airlines. “Ocorreram duas explosões na sala de embarque e uma equipe de primeiros socorros já está no local”, afirmou Anke Fransen, porta-voz do aeroporto.

Alerta máximo
O ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, declarou o alerta máximo de terrorismo devido às explosões. O fato ocorre quatro dias depois da prisão de Salah Abdeslam, um dos principais suspeitos de ter comandado os atentados em Paris, no fim do ano passado. A suspeita é de que os atos de hoje tenham ocorrido por retaliação.

Algumas autoridades europeias já declaram que os ataques são de natureza terrorista. A presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaité, disse através da conta oficial da presidência no Twitter que aconteceram “atos terríveis de terrorismo em Bruxelas”. “A minha solidariedade com todos os atingidos”, disse a política nesta manhã.

O ministro de relações exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, também usou a rede social Twitter para dizer que tinha o horrível sentimento de “não se, mas quando” haveria ataques contra Bruxelas. “A Letônia está junto com Bruxelas e a Bélgica em solidariedade contra o terrorismo”, disse.

Com informações da France Presse e da Agência Estado

Duas explosões no aeroporto de Bruxelas. Há vítimas mortais

Duas explosões foram ouvidas esta manhã no aeroporto de Zaventem, em Bruxelas, na Bélgica, avança a CNN.

Foram registadas, esta manhã, duas explosões no Aeroporto Zaventem, em Bruxelas, na Bélgica.bruxelas

Segundo dados reportados à SkyNews, as explosões aconteceram junto à zona de partida de uma companhia aérea norte-americana.

De acordo com o jornal belga L’Echo há registo de 13 mortos e, pelo menos, 35 feridos. Segundo a Sky News, o local está a ser evacuado. Todos os voos foram suspensos, bem como a circulação de comboios.

Não são ainda conhecidas as causas do incidente, refere a CNN.

As explosões acontecem precisamente quatro dias depois de Salab Abdeslam, principal cúmplice dos ataques de 13 de novembro em Paris, ter sido detido naquela cidade.

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UE e Turquia fecham acordo para devolução de imigrantes

Manifestantes protestam contra acordo entre UE e Turquia em MadriLíderes da União Europeia finalizaram um acordo polêmico com a Turquia nesta sexta-feira cuja meta é deter o fluxo de imigrantes ilegais para a Europa em troca de recompensas financeiras e políticas para Ancara.

O acordo pretende fechar a principal rota usada por um milhão de imigrantes e refugiados no ano passado para chegar à Grécia pelo Mar Egeu antes de seguir para o norte, rumo a Alemanha e Suécia – mas ainda restam profundas dúvidas acerca da legalidade e da viabilidade do pacto.

Após uma manhã de conversas com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, recomendou que os 28 países-membros da UE aprovassem o texto sem alterações, e estes rapidamente concordaram em se reunir para um almoço em Bruxelas.

“Acordo com a Turquia aprovado. Todos os imigrantes ilegais que chegarem à Grécia via Turquia a partir do dia 20 de março serão devolvidos!”, tuitou o premiê tcheco, Bohuslav Sobotka, antes de Tusk confirmar a aprovação unânime entre o bloco e os turcos.

Conforme o entendimento, Ancara irá receber de volta todos os imigrantes ilegais que cruzarem para o território grego, incluindo sírios, e em troca a UE irá acolher milhares de refugiados sírios diretamente da Turquia e recompensá-la com mais dinheiro, a liberação antecipada de viagens sem necessidade de visto e avanços na negociação da filiação turca ao bloco.

A partir de domingo, os imigrantes que chegarem à Grécia estarão sujeitos a serem mandados de volta à Turquia depois de serem registrados e seus pedidos de asilo serem processados. Uma autoridade turca de alto escalão disse que as devoluções irão começar em 4 de abril e que o reassentamento de refugiados sírios na Europa irá começar simultaneamente.

A UE também concordou em acelerar o desembolso dos 3 bilhões de euros já prometidos em apoio aos refugiados na Turquia e em providenciar outros 3 bilhões de euros até 2018 assim que Ancara elaborar uma lista de projetos que se qualificam para receber assistência do bloco.

(Reportagem adicional de Renee Maltezou, Robin Emmott, Paul Taylor, Gabriela Baczynska, Julia Fioretti, Jan Strupczewski e Elizabeth Pineau em Bruxelas e Ayla Jean Yackley em Istambul)

Salah Abdeslam cogitou ataque suicida em Paris

Declaração foi dada pelo procurador de Paris, após prisão do acusado de ser o principal responsável pelo ataque de 13 de novembro

postado em 19/03/2016 17:45 / atualizado em 19/03/2016 17:56

Salah Abdeslam, detido na sexta-feira (18/3) em Bruxelas, afirmou aos investigadores belgas que “queria se explodir” no dia 13 de novembro, em Paris, mas depois “desistiu”. A declaração foi dada neste sábado (19/3) pelo procurador de Paris, François Mollins, em coletiva de imprensa.

“Estas primeiras declarações, que devem ser tomadas com cautela, deixam pendentes uma série de perguntas”, completou François Mollins. Salah Abdeslam, suspeito-chave nos atentados que deixaram 130 mortos na capital francesa, “terá que dar explicações” a respeito, declarou o procurador.

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Cubanos finalizam preparativos para receber Obama neste domingo

Visita do presidente ocorre 15 meses depois que os dois países anunciaram planos para restaurar relações

postado em 19/03/2016 17:38

Agência Brasil

Centenas de trabalhadores cubanos finalizam os preparativos na capital Havana para receber Barack Obama, o primeiro presidente norte-americano, em exercício, a visitar a ilha caribenha em 88 anos. Nos últimos dias, o governo de Cuba acelerou as providências, que incluem a restauração de prédios, limpeza dos principais monumentos de Havana e repavimentação de ruas e estradas, como a famosa avenida à beira-mar Malecón, onde está instalada a embaixada dos Estados Unidos, reaberta oficialmente em agosto passado.

Obama chega à cidade na tarde deste domingo (20), 15 meses depois que os dois países anunciaram planos para restaurar relações. Acompanhado da primeira-dama Michelle, das filhas Malia e Sasha e da sogra Marian Robinson, Obama visita, ainda no domingo, alguns pontos de Havana Velha, como a catedral, onde serão recebidos pelo arcebispo de Havana, cardeal Jaime Ortega. Ortega é apontado como uma das principais figuras que participaram das negociações, lideradas pelo papa Francisco, pelo acordo de reaproximação.

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Separados por apenas 145 quilômetros, Estados Unidos e Cuba viveram um congelamento diplomático que durou mais de 50 anos. Desde 1961, quando as relações entre os dois países foram cortadas, depois da revolução cubana liderada por Fidel Castro, os cubanos viveram sob o embargo econômico dos Estados Unidos. Ao longo destes anos, a única visita de um presidente norte-americano ao país foi feita por Calvin Coolidge, em 1928.

A agenda oficial começa na segunda-feira (21), quando o presidente norte-americano visita o memorial do poeta e herói nacional cubano José Martí e segue para encontro bilateral com o seu homólogo cubano, Raul Castro. De acordo com a Secretaria de Imprensa do governo norte-americano, Obama vai discutir a ampliação das relações com o governo local, buscando avanço dos laços comerciais que podem melhorar o bem-estar do povo cubano, e formalizar apoio aos direitos humanos.

Barack Obama fica no país até terça-feira e ainda deve se encontrar com empresários e representantes de diferentes segmentos sociais. Nas últimas entrevistas concedidas sobre a viagem, o presidente norte-americano tem reforçado que as medidas para a retomada das relações com Cuba não devem ser consideradas concessões.

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Polícia belga prende fugitivo de ataques de Paris

Antes da prisão, promotores públicos belgas anunciaram nesta sexta-feira que as impressões digitais de Abdeslam foram encontradas durante a operação policial realizada na última terça-feira.

Do Mais Goiás, com agências internacionais

Polícia belga prende fugitivo de ataques de Paris

Salah Abdeslam, o principal suspeito dos ataques terroristas de Paris, em novembro passado, foi preso nesta sexta-feira (18/03) durante uma operação em Bruxelas, no bairro de Molenbeek, disseram fontes policiais. Segundo a agência de notícias Reuters, Abdeslam foi ferido durante uma troca de tiros com a polícia. “Nós o pegamos”, confirmou o ministro da Justiça belga, Koen Geens.

Antes da prisão, promotores públicos belgas anunciaram nesta sexta-feira que as impressões digitais de Abdeslam foram encontradas durante a operação policial realizada na última terça-feira. “Podemos confirmar que as digitais de Abdeslam foram encontradas no apartamento em Forest [distrito de Bruxelas]”, informou um porta-voz da Promotoria Federal, sem fornecer maiores detalhes.

As digitais foram encontradas no mesmo local onde atiradores abriram fogo contra agentes de segurança durante um cerco policial. Um homem argelino de 35 anos, armado com um fuzil kalashnikov, foi morto, e quatro policiais ficaram feridos.

O atirador morto na operação foi identificado como Mohamed Belkaid, que utilizava o nome de Samir Bouzid. Segundo a emissora pública belga RTBF, Bouzid era procurado pelas autoridades da Bélgica e da França desde dezembro, após evidências de que ele teria feito um transferência bancária, a partir de Bruxelas, para uma mulher que foi morta em Paris juntamente com os outros suspeitos, cinco dias após os atentados.

A RTBF, citando uma fonte não identificada, afirmou que Bouzid seria cúmplice de Abdelsam.

Dois suspeitos teriam fugido durante a operação policial, onde os investigadores encontraram uma bandeira da organização extremista “Estado Islâmico” e uma grande quantidade de munições.

O irmão de Abdeslam estava entre os terroristas suicidas que participaram dos ataques em Paris, que deixaram 130 mortos. Segundo informações das autoridades, o fugitivo teria transportado os criminosos até o local dos atentados. Após os ataques, a polícia francesa encontrou um cinto com explosivos, supostamente de Abdeslam, no bairro parisiense de Montrouge.

As buscas em Forest foram realizadas em conexão com as investigações dos ataques em Paris, mas, segundo informações, não tinham Abdelsam como alvo.

Em carta aberta, Lula diz que respeita o STF e que espera justiça

Ele criticou o vazamento de grampos de conversas telefônicas.
Nesta quinta, ex-presidente tomou posse como ministro de Dilma.

dilmaDo G1 São Paulo

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante posse de Lula no cargo de ministro-chefe da Casa Civil em Brasília (Foto: Adriano Machado/Reuters)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma “carta aberta” nesta quinta-feira (17) em que diz confiar no Supremo Tribunal Federal (STF) e esperar justiça. Diz também que, “sob o manto de processos conhecidos primeiro pela imprensa e só depois pelos diretamente e legalmente interessados, foram praticado atos injustificáveis de violência contra minha pessoa e de minha família”.

No documento, que foi enviado pela assessoria de imprensa do Instituto Lula, ele diz lamentar “os tristes e vergonhosos episódios das últimas semanas”, mas acrescenta que tais atos “não me farão descrer da instituição do Poder Judiciário”. “Nem me farão perder a esperança no discernimento, no equilíbrio e no senso de proporção de ministros e ministras da Suprema Corte”, disse o petista. “Justiça, simplesmente justiça, é o que espero, para mim e para todos, na vigência plena do estado de direito democrático”, acrescentou. 

Lula criticou o vazamento de grampos de conversas que teve com parentes e políticos, como a presidente Dilma Rousseff. “Não me conformo que se palavras ditas em particular sejam tratadas como ofensa pública, antes de se proceder a um exame imparcial, isento e corajoso do levantamento ilegal do sigilo das informações.”, afirmou (leia a íntegra da carta no fim desta reportagem).

Nesta quinta, o o ex-presidente tomou posse como ministro-chefe da Casa Civil. Duas liminares, porém, o impediram de exercer as funções do cargo (até a publicação desta reportagem, uma delas havia sido derrubada; leia mais).

Lula acrescentou que “dos membros do Poder Judiciário espero, como todos os brasileiros, isenção e firmeza para distribuir a Justiça e garantir o cumprimento da lei e o respeito inarredável ao estado de direito”. “Creio também nos critérios da impessoalidade, imparcialidade e equilíbrio que norteiam os magistrados incumbidos desta nobre missão.”

O juiz Sérgio Moro retirou na quarta-feira (16) o sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva e acabou revelando conversas gravadas pela Polícia Federal com a presidente Dilma Rousseff, que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil.

Leia a íntegra da carta de Lula:

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“Carta aberta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva 

Creio nas instituições democráticas, na relação independente e harmônica entre os Poderes da República, conforme estabelecido na Constituição Federal.

Dos membros do Poder Judiciário espero, como todos os brasileiros, isenção e firmeza para distribuir a Justiça e garantir o cumprimento da lei e o respeito inarredável ao estado de direito.

Creio também nos critérios da impessoalidade, imparcialidade e equilíbrio que norteiam os magistrados incumbidos desta nobre missão.

Por acreditar nas instituições e nas pessoas que as encarnam, recorri ao Supremo Tribunal Federal sempre que necessário, especialmente nestas últimas semanas, para garantir direitos e prerrogativas que não me  alcançam exclusivamente, mas a cada cidadão e a toda a sociedade.

Nos oito anos em que exerci a presidência da República, por decisão soberana do povo – fonte primeira e insubstituível do exercício do poder nas democracias – tive oportunidade de demonstrar apreço e respeito pelo Judiciário.

Não o fiz apenas por palavras, mas mantendo uma relação cotidiana de respeito, diálogo e cooperação; na prática, que é o critério mais justo da verdade.

Em meu governo, quando o Supremo Tribunal Federal considerou-se afrontado pela suspeita de que seu então presidente teria sido vítima de escuta telefônica, não me perdi em considerações sobre a origem ou a veracidade das evidências apresentadas.

Naquela ocasião, apresentei de pleno a resposta que me pareceu adequada para preservar a dignidade da Suprema Corte, e para que as suspeitas fossem livremente investigadas e se chegasse, assim, à verdade dos fatos.

Agi daquela forma não apenas porque teriam sido expostas a intimidade e as opiniões dos interlocutores.

Agi por respeito à instituição do Judiciário e porque me pareceu também a atitude adequada diante das responsabilidades que me haviam sido confiadas pelo povo brasileiro.

Nas últimas semanas, como todos sabem, é a minha intimidade, de minha esposa e meus filhos, dos meus companheiros de trabalho que tem sido violentada por meio de vazamentos ilegais de informações que deveriam estar sob a guarda da Justiça.

Sob o manto de processos conhecidos primeiro pela imprensa e só depois pelos diretamente e legalmente interessados, foram praticado atos injustificáveis de violência contra minha pessoa e de minha família.

Nesta situação extrema, em que me foram subtraídos direitos fundamentais por agentes do estado, externei minha inconformidade em conversas pessoais, que jamais teriam ultrapassado os limites da confidencialidade, se não fossem expostas publicamente por uma decisão judicial que ofende a lei e o direito.

Não espero que ministros e ministras da Suprema Corte compartilhem minhas posições pessoais e políticas.

Mas não me conformo que, neste episódio, palavras extraídas ilegalmente de conversas pessoais, protegidas pelo Artigo 5o. da Constituição, tornem-se objeto de juízos derrogatórios sobre meu caráter.

Não me conformo que se palavras ditas em particular sejam tratadas como ofensa pública, antes de se proceder a um exame imparcial, isento e corajoso do levantamento ilegal do sigilo das informações.

Não me conformo que o juízo personalíssimo de valor se sobreponha ao direito.

Não tive acesso a grandes estudos formais, como sabem os brasileiros. Não sou doutor, letrado, jurisconsulto. Mas sei, como todo ser humano, distinguir o certo do errado; o justo do injusto.

Os tristes e vergonhosos episódios das últimas semanas não me farão descrer da instituição do Poder Judiciário. Nem me farão perder a esperança no discernimento, no equilíbrio e no senso de proporção de ministros e ministras da Suprema Corte.

Justiça, simplesmente justiça, é o que espero, para mim e para todos, na vigência plena do estado de direito democrático.

Luiz Inácio Lula da Silva”