Não sou bandido, mas odeio a polícia!

Não sou bandido, mas odeio a polícia! – por Sérgio Nunnes

 

Vocês já pararam para pensar que em toda nossa vida sempre existiu um pentelho nos proibindo das melhores diversões?

Quando somos crianças pequenas descobrindo o mundo, existem dois pentelhos que se acham no direito de nos proibir as coisas mais divertidas que existem.

Ora, você não pode comer doces antes do almoço! Você não pode falar com estranhos, não pode banhar na chuva.

A gente até que tolera essas chatices, porque normalmente, esses dois opressores nos compensam comprando presentes, levando pra passear… e quando ficamos doentes, eles dizem que nos amam.

Haaa… e como é bom aquele cheirinho de mãe… o pai da gente até que é legal também, mas está sempre nos lembrando que se quebrarmos, temos que consertar, se sujarmos temos que lavar e se nos esquecemos disso por duas, três ou quatro vezinhas só, lá vem ele nos recordar das chatices…

Aí, quando crescemos e vamos à escola, liberdade! Agora sim, estamos livres daqueles dois chatos. É o que pensamos até descobrir que aquilo é uma prisão e todos lá estão contra nós e a favor deles.

Lá sim tem gente chata. É um tal de “menino, não bata no colega! Menino, presta atenção na aula.”

Ora, todos sabem que poucas coisas são tão irritantes quanto é ter um enxerido nos fiscalizando. Credo! Afinal, é tão bom ser dono do próprio nariz, sem ninguém pra torrar a paciência da gente.

Mas, não! A gente nunca pode ser inteiramente livre por que tem sempre um chato de plantão nos lembrando dessa montanha de regras. Agora, quem disse que eu não posso andar pelado na rua? Ou ir para o trabalho só quando eu estiver com vontade? A vida é minha, faço dela o que me der na telha, não é?

Espera aí… agora fiquei com vergonha… (Risos!) É que lembrei de uma coisa que li outro dia e, claro, foi escrita por um chato de carteirinha, mas, parece fazer sentido.

Ele disse que nós humanos somos um ser gregário. Nossa natureza nos conduz a viver em sociedade… Vishi… quer dizer que quando nasce um direito para mim, surge do outro lado um dever para alguém? E que quando essa pessoa descumpre esse dever ela fere o meu direito? E quando eu não cumpro o meu dever, firo o direito dela?

Hum… talvez agora essas regras chatas façam algum sentido. É, verdade!

Tá, talvez quem criou as regras não seja assim tão chato, mas, continuo odiando os dedos duros que ficam fiscalizando a gente. Se a gente descumpre as regras, sempre tem um delator para nos entregar… isso é horrível. Que chatice! Caramba, quem gosta disso?

Espera aí, será que é isso? Não… isso é viagem minha. Não pode ser… ou seria isso?

Caramba, quer dizer que todas as vezes que vejo um carro da polícia minhas memórias limitantes são imediatamente acionadas? Fazendo com que todos os sentimentos de frustração e revolta gerados pelas vezes que sofri fiscalização, venham à tona? O policial representa o fiscal, ou aquele que irá exigir o cumprimento das regras? Em resumo, o dedo duro?

Para vai! Quem disse que eu odeio polícia? No máximo, não gosto de me sentir vigiado, cobrado… afinal, quem gosta de alguém que retira sua liberdade, sua individualidade?

A não ser que esses sentimentos se aflorem em mim de forma inconsciente. Mas, isso só aconteceria se existisse uma espécie de gatilho mental que ligasse o policial à figura do dedo duro, daquela pessoa que irá nos exigir o cumprimento das regras, acionando assim, aqueles sentimentos de frustração, causando-nos profunda irritação… será? Mas, nem bandido eu sou!

Aff! Nada a ver…

Prof. Sérgio Nunnes:

Especialista em Direito Constitucional, Especialista em DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR, Professor Universitário no Curso de Direito, já tendo ministrado aulas no Centro universitário Unirg (Gurupi), Faculdade Serra do Carmo (Palmas), Faculdade FAPAL/OBJETIVO (Palmas), Faculdade UNEST (Paraíso-TO), Professor em preparatórios para concursos públicos, Palestrante, Coach, Autor de Artigos Científicos (Jusnavigandi, Âmbito Jurídico, Editora Plenum), Coautor do livro “Estatuto PM-BM-TO Comentado: Artigo por Artigo”, Subtenente PM/TO lotado no Quartel do Comando Geral em Palmas e Consultor Jurídico.

O telefonema

Era de manhã e eu ainda estava na cama quando o telefone tocou.

Na tela aparecia número desconhecido.

Como fazia muito frio, continuei deitado por mais um tempo, mesmo depois de ter tomado café da manhã.

Curiosamente, o celular insistia em iniciar uma conversa entre mim e o desconhecido.

Quando chegou a hora do almoço, aquele aparelho teimoso já contabilizava vinte ligações, todas do mesmo número, aliás, não tinha número algum, eram chamadas desconhecidas.

Aquilo foi me intrigando, mas, mesmo assim resistia a não atender, afinal, todos os meus amigos sabiam que eu jamais cedia a telefonemas privados.

Às 15h, fui à Confeitaria Chantilly para uma tarde de conversa com Katerina, conforme havíamos combinado na véspera.

Ao comentar sobre as ligações com ela a resposta foi certeira:

– Se o número é desconhecido, trata-se de alguém que não te conhece, Bill. Obviamente!

Ainda durante o nosso café, meu Iphone tocou mais uma vez, insistentemente.

Katerina sempre foi uma namorada muito equilibrada e não demonstrava indícios de ciúmes por motivo banal, mas essas chamadas a deixaram desconcertada.

Mais tarde, em casa, quando preparava o nosso jantar ela disparou:

– Quando essa coisa irritante tocar novamente, eu o atenderei. E não tente me fazer mudar de ideia.

– Ok, Katerina. O celular é todo seu!

Então ela deu um sorrisinho ligeiramente nervoso e prosseguiu com o jantar.

Parecia até que a pessoa que havia ligado por quase cinquenta vezes sabia da intenção de Katerina, pois o telefone que antes era todo insistência, agora emudecia estranhamente.

Perto da madrugada, depois de uma tórrida dose de amor, o Iphone disparou a tocar e Katerina, que estava do outro lado da cama quase me derrubou para pegá-lo, com medo que eu me antecipasse.

Quando ela atendeu a chamada que dizia numa mensagem automática:

– Senhor, seu bilhete foi premiado e por isso o senhor acaba de ganhar 5 milhões de reais! Por favor, dirija-se à agência mais próxima do Banco NOTAL para a transferência do valor.

Katerina boquiaberta sussurrava: Bill, meu bem, foi a melhor ligação da sua vida, das nossas vidas!

Ah Brasil!!!

WASTITONSão 2 horas da madrugada e ainda não dormi.

Já que estou sem sono, decido que é necessário um cappuccino para deixar a madrugada mais quente e doce.

Saio de casa, pego um metrô e desço na primeira estação.

O bom de morar em uma megalópole é que a cidade não dorme e sempre há um restaurante, ou café à sua espera.

Meio absorto, entro no Café Expresso e peço ao garçom um cappuccino médio, que me traz o pedido com a agilidade e eficiência de poucos.

Com o propósito de estender o delicioso sabor dessa bebida na boca, fico brigando com a minha vontade absurda de virar o copo de uma vez.

Morar aqui é muito bom, mas confesso que ainda estou me habituando aos costumes do lugar.

Ô gente que gosta de comida crua!, mas até que tem um bom sabor.

Bem… ultimamente tenho me lembrado por bastantes vezes do Brasil.

Bate uma saudade!

Tomando o cappuccino, me vem à memória um episódio de quando eu ainda estava na terra de Gonçalves Dias.

Cena bizarra, diga-se de passagem!

Era uma manhã linda, dia tranquilo e eu estava tomando café, sentado na varanda da chácara, onde foi palco dos meus melhores verões…

De repente, a 500 metros de casa, as pessoas começaram o alarde… Parecia que algo de muito grave havia acontecido e eu ali observando de longe; a curiosidade demasiada não é meu forte.

Porém, a cada gole do café, mais gente se aglomerava…

Aquilo foi mexendo comigo, aguçando as expectativas do que poderia ser.

Não resisti!

Tinha que ver o que era, dar fim àquilo que servia de ânimo para os gritos e pulos do povo.

Coloquei a xícara sobre a mesa e fui, precisava descobrir o que causava tamanho tumulto.

Quando me aproximei do local e abri espaço entre as pessoas, o inesperado surgiu no meu campo de visão; contando ninguém acredita; aquela cena não sairá da minha cabeça e o pior é que ela fazia jus ao alvoroço:

Dois tatus brigando como se fosse a coisa mais normal!

É por isso e muito mais que sinto muitas saudades do Brasil, enquanto permaneço aqui no Japão…

– Garçom, a conta, por favor!

Washington Batista Cristã de Sousa