Rozineide Gonçalves

Três são mortos e três presos no caso da tentativa de latrocínio em Dueré

Na tarde desta terça-feira, 12, em confronto com a Polícia Militar, nas proximidades das margens da TO-070, no trecho que liga Dueré a Formoso do Araguaia, três acusados de participar de uma tentativa de latrocínio na tarde de ontem na TO-374 entre Gurupi e Dueré, foram motos. “Os policiais foram recebidos com disparos de arma de fogo e, no intuito de repelir esta injusta agressão, os policias revidaram os disparos e conseguiram alvejar três indivíduos”, informou o comandante do 4º BPM, Major Flávio Santos Brito, durante entrevista coletiva.

De acordo com o comandante do 4º BPM, Major Flávio Santos, a ação da Polícia Militar foi uma resposta à tentativa de latrocínio na TO-374, ocorrido no final da tarde de ontem, (11/04) entre as cidades de Gurupi e Dueré, quando uma senhora foi baleada ao ser abordada por três homens encapuzados e fortemente armados que levaram seu veículo.

“As buscas começaram de imediato e seguiram durante todo o período noturno, e na manhã desta terça-feira nós localizamos o veículo que havia sido roubado e um outro veículo que estava sendo utilizado para a prática do roubo, que era um golvermelho. Também encontramos uma outra moto que havia sido roubada nas mediações onde o crime aconteceu”, explicou o comandante.

Confronto

“Ao chegarem no ponto os policiais foram recebidos com disparos de arma de fogo", Major Flávio.

“Ao chegarem no ponto os policiais foram recebidos com disparos de arma de fogo”, Major Flávio durante entrevista coletiva.

Conforme o comandante, o confronto aconteceu na tarde desta terça-feira, quando a Polícia Militar encontrou três suspeitos.

“No inicio da tarde de hoje os nossos policiais receberam a informações de que esses indivíduos teriam sido vistos às margens da TO-070, no trecho que liga Dueré a Formoso do Araguaia. “Ao chegarem no ponto os policiais foram recebidos com disparos de arma de fogo e, no intuito de repelir esta injusta agressão, os policias  revidaram os disparos e conseguiram alvejar três indivíduos”, explicou.

Os três homens chegaram a ser socorridos pela polícia, mas não resistiram. “Eles foram conduzidos, de imediato, ao Hospital de Formoso do Araguaia e foram a óbito durante o atendimento médico”, disse.

Em poder do bando, foram apreendidas uma espingarda semi-automática calibre 22 e uma espingarda calibre 28.

Os copos foram levados ao IML de Gurupi para identificação e comprovação dos nomes e assim possam ser divulgados.

“Vale ressaltar que outras duas senhoras foram presas, e, supostamente, estão ligadas ao apoio à esta quadrilha e um outro individuo que também foi preso por ligação a este fato criminoso. Ele tinha mandato de prisão em aberto por vários crimes”, acrescentou o comandante.

Formoso F3

Não sei se era para fazer assalto e só sei que eles queriam o carro”, disse Wilson.

O preso citados pelo comandante, trata-se de Willian Rodrigues dos Santos, 19 anos, acusado de participar da tentativa de latrocínio. Em entrevista ao Portal Atitude, ele disse que mora em Figueirópolis e adiantou que conhecia os acusados da tentativa de latrocínio e falou ainda sobre o suposto destino que daria aos veículos roubados.

“Foi de uma hora para outra e qualquer carro que passasse (era para ser roubado). Acho que não era para vender, mas, não sei se era para fazer assalto, e só sei que eles queriam o carro”, disse

Conforme adiantou o comandante Major Flávio, o preso Willian Santos possui  passagenspor diversos crimes. Recentemente ele chegou a fugir de uma Delegacia em Figueirópolis no momento em que prestava depoimento ao delegado local. “Quando eu era menor e um cara me batia demais e um dia eu comprei uma arma e dei um tiro na perna dele e o outro foi por causa de uma pensão e também repondo por receptação”, disse Willian ao Portal Atitude.

"Eu não sei quem foi e quem não morreu”, disse Katielly Ribeiro

“Eu não sei quem foi e quem não morreu”, disse Katielly Ribeiro

As mulheres presas foram: Thaiany Araújo Queiroz Santos e Katielly Ribeiro de Souza, 19 anos. Katielly é acusada de ter furtado uma moto em Formoso para dar cobertura aos supostos comparsas. Ela foi presa na TO-070, entre Formoso e Dueré.

“Eu falei que conhecia os caras, que sabia onde estavam os caras, mas na verdade eu não sabia. Eu não sei quem foi e quem não morreu”, disse Katielly Ribeiro ao Portal Atitude.

O comandante do 4º BPM, Major Flávio Santos, resumiu a ação como “mais uma ação da Polícia Militar no sentido de conter a criminalidade aqui na região Sul do Estado”.

(Em breve mais informações com os nome dos três mortos)

Fonte:atitude tocantins

Nova ponte de Porto Nacional: Aprovado na CCJ parecer favorável de Ricardo Ayres para financiamento

(12 de abril) – Foi aprovado na tarde desta terça-feira, 12, na Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle (CCJ) o parecer do deputado Ricardo Ayres em favor do financiamento para a construção da nova ponte de Porto Nacional sobre o rio Tocantins. A matéria é do Governo do Estado, que solicita aprovação para contratar 36 milhões de euros para o serviço junto aoUnicredit – Atividades Bancárias Coorporativas e de Investimento. A matéria deve ser votada ainda esta semana.

“Com este empréstimo, o governador Marcelo Miranda sinaliza o reconhecimento do Governo do Estado para com esta dívida com Porto Nacional, que é a construção da sua nova ponte que liga inúmeros municípios e representa desenvolvimento para o município e o Estado”, enfatizou Ayres durante a apresentação da relatoria.

Ricardo Ayres destacou que a interrupção do tráfego na ponte, como é de conhecimento público, tem causado inestimáveis prejuízos ao Tocantins. Ayres enumera, por exemplo, a competitividade do agronegócio que tem sido afetada em municípios como Palmas, Porto Nacional, Santa Rosa, Monte do Carmo, Taguatinga, Mateiros e Dianópolis, com a interdição da ponte.

Ayres destaca este como um momento que ficará marcado na história de Porto Nacional e do Estado. Isso porque através da construção da nova ponte estará garantido o pleno desenvolvimento do município e da região produtora do seu entorno, tendo acesso aos mercados internacionais e a plataforma multimodal instalada no seu distrito do Luzimangues. “Pra mim é um privilégio ter sido relator dessa matéria, o sentimento é de satisfação em participar desse momento que a meu ver se tornará histórico para o Tocantins”, finalizou Ayres.

Histórico

A ponte atual foi concluída no ano de 1978, e ao longo desses 38 anos teve sua estrutura irremediavelmente comprometida, já que desde 2003 laudos apontam a sua situação precária. Apesar de reformada uma vez, os preocupantes sintomas de ruimento forçaram, em 2011, a sua interdição relativamente para o trânsito de ônibus e caminhões, inclusive os pequenos cargueiros.

 

Texto: Alba Cobo (estagiária) e Val Rodrigues

Fotos: Koró Rocha/Dicom-AL 

Deputado estadual Ricardo Ayres (PSB)

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Sessão solene mostra quadro do atendimento aos autistas

“Quando tem profissional, não tem estrutura. Quando tem estrutura, não tem profissional”. Assim resumiu a situação do atendimento público às crianças autistas no Tocantins a advogada Rosa Helena Carvalho, presidente da associação Anjo Azul, dedicada à questão. O pronunciamento aconteceu na sessão solene realizada na Assembleia Legislativa na tarde desta terça-feira, 12, requerida e presidida pela deputada Luana Ribeiro (PDT).

De acordo com Rosa Helena, há mais crianças autistas do que a soma das crianças vítimas de aids, diabetes e câncer. Ela citou estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) que informam haver 70 milhões de autistas no mundo, dois milhões no Brasil e, ao menos, 365 na rede pública de ensino no Tocantins, de acordo a Secretaria da Educação. No entanto, ao incluir os autistas fora das escolas no Estado, a Associação estima que o número ultrapasse mil.

“Ao contrário do que se pensa, não é uma doença rara”, comentou a dirigente que citou ainda uma estatística do Governo dos EUA, segundo a qual, há uma criança autista para cada 110 nascimentos.

No Tocantins, Rosa Helena informou que a Anjo Azul foi fundada há três anos e reúne mais de 100 famílias.

“O desafio é o desenvolvimento de terapias e de um ensino de qualidade. Como não existem dois autistas iguais e cada um responde ao tratamento ao seu modo, o atendimento precisa ser individualizado. No entanto, no Estado, não há política de proteção ao autismo”, queixou-se a presidente.

“Gostaria de solicitar mais apoio, atendimento de qualidade e inclusão verdadeira. O que a gente quer ter é o nosso espaço”, reivindicou.

Deputados

Aberta a oportunidade de fala aos deputados, Elenil da Penha (PMDB) respondeu aos pais que reclamaram da falta de assistência do Poder Público. “Cobrem da gente, participem das sessões e da construção dos orçamentos, do Plano Plurianual (PPA). Contem com a gente. Eu sei que devemos muito, mas queremos pagar”, disse.

Já a deputada Valderez Castelo Branco (PP) criticou o preconceito aos autistas e ressaltou que eles têm uma inteligência acima da média.

Autora do requerimento da sessão, a deputada Luana Ribeiro explicou que a solenidade foi uma tentativa de homenagear as famílias de autistas e seus filhos. Sobre as queixas dos pais, Luana explicou que os recursos das emendas parlamentares são reduzidos. “Os deputados podem dar algum apoio, mas isso é mais com o Executivo”, sinalizou.

Homenagens

Além da presidente da Anjo Azul, foram homenageadas a médica Daiane Tavarez de Melo, a pedagoga Inêz David Rodrigues, a psiquiatra Luciana Santana de Souza e a enfermeira e vice-presidente da Apae de Palmas, Perciliana Joaquina Carvalho, todas mães de crianças autistas.

Também participaram da solenidade o deputado José Bonifácio (PR) e a vice-governadora, Claudia Lelis (PV).

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi instituído pela ONU em 2007 e é celebrado em 2 de abril.

Glauber Barros.
Foto: Benhur de Souza.

Foragido da Justiça, ex-jogador de futebol é preso em Goiânia

Wellson Moura, que atualmente é personal trainer, fugiu da cadeia há 10 anos.
Ele é apontado como autor de assalto que vitimou um empresário em MS.

O ex-jogador de futebol Wellson de Barros Moura, conhecido como ‘Vovô’, foi preso em Goiânia, após quase 10 anos foragido da Justiça. Segundo a Polícia Civil, ele responde pelo latrocínio do proprietário de uma revendedora de veículos em Campo Grande (MS), ocorrido em 2002. Atualmente, ele é empresário e atua como personal trainer.

Conforme a Polícia Civil, Moura matou Marcos Nantes com dois tiros. Na época, ele foi indiciado pelo crime de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte, e respondeu em liberdade ao processo. Após o fato, o atleta se mudou para a Espanha para jogar futebol.

Moura retornou ao Brasil em 2004, quando foi preso devido a um mandado de prisão preventiva. No entanto, segundo a polícia, ele fugiu em junho de 2006 do Complexo Prisional de Campo Grande.

Segundo a investigação, inicialmente, ele seguiu para São Bernardo do Campo (SP). Só depois se mudou para Goiás, onde foi preso na segunda-feira (11). Moura está sob tutela do Estado de Goiás e à disposição da Justiça do Mato Grosso do Sul.(fonte:g1 go)

Casa de Prisão Provisória de Palmas recebe multa de R$ 175 mil por dano ambiental

Técnicos da Gerência de Fiscalização Ambiental da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMA) compareceram na manhã desta terça-feira, 12, à sede da Secretaria Estadual de Cidadania e Justiça para lavrar o auto de infração referente ao dano ambiental por poluição causado pelo vazamento de efluente bruto da Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP), objeto de denúncia recebida pela Secretaria Municipal de Saúde. A unidade prisional onde foi constatado o vazamento de esgoto está situada à rodovia TO 020, saída para Aparecida do Rio Negro.

A sanção está embasada no decreto federal 6514/08, artigos 61 e 62, que prevê a aplicação de multa por poluição com valor entre R$ cinco mil e R$ 50 milhões. No caso da CPP, considerando a gravidade do dano causado ao meio ambiente, o valor foi de R$ 175 mil, definido após elaboração do laudo de constatação 001/16, para embasar a mensuração do dano e o cálculo da multa.

Histórico do caso

A primeira notificação do problema ocorreu em 2013, conforme o relatório de fiscalização 022/13, que confirma a emissão de notificação à Secretaria de Estado e Defesa Social para que fossem tomadas medidas emergenciais para cessar o lançamento do efluente sanitário no solo e também apresentar medidas definitivas a serem tomadas como solução para o sistema de tratamento de esgoto da CPP.

Até junho de 2015, quando a Gerência recebeu nova denúncia sobre o mesmo problema, nenhuma providência havia sido tomada. A denúncia foi então protocolada no Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), ocasião em que o órgão encaminhou equipe até o local para constatação do vazamento do esgoto. Novamente, nenhuma providência efetiva foi tomada para sanar a situação.

O Sistema

CPP 2O sistema de tratamento é composto por três elevatórias que bombeavam o efluente para um tanque e uma quarta elevatória que bombeava o efluente para um filtro e em seguida para um reator. O material era depois conduzido por tubos até duas lagoas interligadas e posteriormente, por gravidade, para tratamento final em uma terceira lagoa, também interligada. Por último e depois de tratado, o efluente era utilizado na irrigação de plantas e gramas e o lodo direcionado para o leito de secagem.

Porém, além do sistema estar danificado com a tubulação quebrada e entupida, ele foi projetado com capacidade para atender uma média de 260 detentos, segundo o diretor responsável pela unidade. Atualmente, segundo o diretor, a CPP abriga um total de 608 detentos, o que representa quase o triplo da capacidade programada. Isso sem contar com os demais funcionários e usuários que também se utilizam do sistema, fato que inviabiliza sua eficiência.

Fonte:atitude tocantins

Em entrevista, Rogério Rosso critica grades e teme confronto no domingo

Presidente da comissão do impeachment diz que, se fosse governador do DF, tentaria evitar que a votação em plenário fosse no domingo

Em meados do mês de março, 24 horas depois de assumir o comando da comissão de impeachment, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), em entrevista ao Correio, garantiu que votaria o relatório na semana de 11 de abril. Na última segunda-feira, exatamente no prazo prometido, 38 parlamentares aprovaram o texto de Jovair Arantes (PTB-GO) a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade fiscal. Na tarde de ontem, Rosso, 47 anos, falou ao vivo no Facebook do Correio sobre o voto contra a petista, o trabalho do último mês e o receio de confrontos na votação do próximo domingo.

O que podemos esperar do Brasil na segunda-feira, independentemente do resultado, se a votação ocorrer mesmo no domingo?
Esse é o desafio de todos nós. Eu sou a favor do pacto geral: suponhamos que não prosperou o impeachment na Câmara. A presidente vai precisar reconstruir a base. Terá que fazer um pacto geral. O que é o pacto: quais são os assuntos que o Brasil não tem como fugir? Independentemente se é o PSDB que está na presidência, se é o PSD, se é o PT, se é o PMDB, independentemente do partido, quais são as reformas necessárias para o Brasil avançar? Reforma tributária, reforma do ICMS, pacto federativo, reforma da Previdência, impostos etc. Eu faria isso. Mas isso precisa da superação de cada líder, porque hoje, infelizmente, existe um pugilato político que deixa o país míope para as questões que o país deveras precisa.

A presidente cometeu crime de responsabilidade?
Que bom que eu tenho a oportunidade de responder. Eu fiz questão de ler as seis mil páginas de denúncia, depois a defesa da presidente quase toda, depois o relatório do deputado Jovair Arantes. Eu sou advogado, me especializei em direito tributário e comecei a formar minha convicção. Na minha convicção, nós devemos admitir sim, dar sequência de admissibilidade para que, no Senado federal, a presidente possa se defender, porque lá é a casa julgadora. Mas, na minha avaliação, é possível sim ter sido cometido crime de responsabilidade em questões fiscais.

A proporção da comissão não é a mesma do plenário. Qual é a sua avaliação sobre a votação em plenário?
É claro que, na Comissão, os 65 membros foram indicados pelos seus partidos, então os partidos estão ali representados. Poderíamos fazer o mesmo raciocínio para o plenário, mas, com a instabilidade política crescente, é realmente muito difícil uma previsão. Eu diria que hoje é impossível.

Uma aposta?
A minha bancada, o PSD, é uma das maiores e está bastante dividido, ou melhor, boa parte ou a maior parte dos parlamentares são favoráveis ao impeachment, nunca escondi isso. Uma parte do PSD é contra o impeachment. Levando essa proporção hoje, no plenário, existiria uma chance de os dois terços serem atingidos. Minha impressão é que vai chegar bastante apertado. Eu diria hoje que quem vencer terá vantagem de 20 votos.

Eduardo Cunha é um presidente denunciado. A partir de agora, o processo de impeachment será conduzido por ele. O senhor acha que a sociedade consegue entender isso?
A Constituição prevê o exercício pleno das funções enquanto ele não tem o trânsito em julgado de uma sentença. De fato, ele é réu no STF. São duas questões: a jurídica, em que ele está garantido pela Constituição; e a política, em que realmente existe resistência muito grande da sociedade quanto à condução dos trabalhos por Eduardo Cunha. Mas ele está legitimado constitucionalmente para fazê-lo.

Ele vai conseguir lidar com um rito tão delicado com isenção?
A Constituição prevê o seguinte: qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia e o presidente da Câmara dos Deputados faz um juízo de admissibilidade prévio, é constituída uma comissão e aí, sim, essa comissão dá um parecer sobre a admissibilidade ou não dessa denúncia. Então, na minha avaliação, toda capa constitucional necessária, vamos dizer assim, está acontecendo. Estamos, no parlamento, tratando com muita responsabilidade, mesmo com os nervos à flor da pele.

Como é que está esse jogo de convencimento dos deputados? A gente escuta muito que o governo está oferecendo cargos e execução de emendas. Isso é explícito no Congresso?
Não. Eu me afastei da liderança do partido assim que assumi a presidência dessa comissão. Era incompatível. Eu estou voltando oficialmente hoje (ontem), mas não tenho percebido esse jogo. O que eu tenho percebido, de fato, é um aumento muito forte da tensão política externa, e isso tem nos preocupado bastante. Uma coisa é o equilíbrio, são as divergências dentro da democracia, são as opiniões diferentes; outra coisa é a eventual separação do ponto de vista político que o país pode estar iniciando. Aí sim é grave.

Hoje existe uma separação no gramado do Congresso, por conta de uma preocupação muito grande com a violência. Como o senhor avalia isso, principalmente tendo em vista uma votação no domingo?
Simbolicamente, eu vejo com muito preocupação. O Correio fez uma capa no domingo que eu guardei, naquele alambrado uma coruja, ou seja, Brasília dividida. Simbolicamente, é péssimo, é como se fosse uma batalha medieval nos dois flancos. Do ponto de vista da segurança, eu acho que nós confiamos muito nos órgãos de segurança do DF. Eu fui governador por nove meses e sei que são muito bons, ainda mais associados à Polícia Civil e à Polícia Federal. Se aquilo foi feito, e o governador Rodrigo autorizou, é porque é bom do ponto de vista da segurança, mas a simbologia daquela divisão é muito perigosa.

Se o senhor estivesse exercendo o cargo de governador e recebesse essa orientação da Secretaria de Segurança, agiria da mesma forma?
Eu iria insistir o máximo que eu pudesse para que essa votação não fosse em um domingo. Eu sou um daqueles que defendem que esse assunto tem que ser resolvido o mais rápido possível dentro dos prazos legais. Independentemente do resultado, o Brasil precisa virar essa página. O Congresso está parado há semanas. Nas redes sociais, nas televisões e nos rádios, vemos caravanas de outras cidades vindo para Brasília. Podemos estimar algumas centenas de milhares de pessoas, e não vai ser aquele alambrado — Deus queira que sim —, com toda a competência que existe nos órgãos de segurança, que vai conter algum movimento mais hostil.

O senhor vê alguma possibilidade dessa votação não ocorrer no domingo?
Isso é imponderável. No sábado, teremos uma fotografia mais próxima do que acontecerá no domingo. Qualquer pessoa que for à Esplanada já vai ver um movimento mais crescente a cada hora. Então, a gente tem que pedir a Deus que não aconteça nada, porque, se acontecer algo mais sério…

Fonte: correio braziliense

Em meio à crise, Câmara registra maior troca-troca de partidos desde 2003

Em meio à grave crise política que o país atravessa, a Câmara dos Deputados registrou o maior troca-troca partidário em mais de uma década.

Segundo levantamento da BBC Brasil a partir de dados oficiais da Casa, 99 deputados trocaram de partido em 2016, até o momento. Isso representa 19,3% do total, ou seja, praticamente um quinto dos 513 integrantes da Câmara.

O número já supera o registrado em 2005, ano do escândalo do Mensalão, quando 95 deputados mudaram de sigla. Por hora, perde para o primeiro ano do governo Lula (2003), quando 107 trocaram de partido.

A maior parte dessas migrações aconteceu entre fevereiro e março deste ano, quando ficou aberta uma “janela” para trocas sem risco de perda de mandato. Essa possibilidade de punição em caso de trocas não justificadas foi estabelecida no final de 2007 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exatamente com objetivo de coibir o excesso de mudanças de siglas.

“Vinte porcento dos deputados mudarem de legenda, isso é avassalador para uma democracia tradicional. Se você olhar parlamentos de outros países, não há uma mudança dessa magnitude”, nota o cientista político Jairo Nicolau, professor da UFRJ.

O PP, partido com mais integrantes citados na Operação Lava Jato, liderou os ganhos, ao atrair doze novos deputados e perder apenas dois.

A BBC Brasil entrevistou parlamentares e analistas políticos para entender o fenômeno – a maioria aponta as eleições municipais deste ano como principal motivador da intensa troca de sigla. De acordo com eles, muitos deputados migraram de legenda na busca de melhores condições para se candidatar a prefeituras em seus Estados.

Para alguns, no entanto, a crise política também teve papel importante na intensificação da infidelidade partidária nos últimos meses.

A janela para o troca-troca foi criada por meio de uma emenda à Constituição Federal aprovada pelos deputados em junho, mas que só passou no Senado em dezembro, uma semana depois do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, dar início ao trâmite do impeachment da presidente Dilma.

  PP foi a legenda que mais atraiu novos deputados

“Houve duas razões para os parlamentares aprovarem a emenda. Uma era essa oportunidade de poder concorrer à eleição municipal. A segunda razão foi procurar um partido que também desse liberdade para votar de acordo com sua consciência, com a orientação do seus eleitores (no processo de impeachment). A crise teve influência”, afirma Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

De acordo com Queiroz, a ideia de criação da janela fazia parte de uma estratégia de Cunha para acomodar parlamentares oposicionistas em outros partidos, caso o PMDB não optasse pelo rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff.

“É por isso que quem ganhou mais parlamentares foram os partidos que nunca fecham questão em nada, sempre liberam os parlamentares para votar de acordo com seus interesses”, notou.

Maiores ganhadores

O levantamento da BBC Brasil revela que legendas consideradas de “centro” foram as que mais atraíram deputados nos últimos meses, como PP, PTN e PR – o balanço inclui as mudanças a partir de setembro, quando a criação de dois partidos (REDE e PMB) deu início ao troca-troca (veja tabela ao longo da matéria).

Diante do forte desgaste do governo, poderia se esperar um desempenho melhor das siglas que têm um histórico de oposição. No entanto, com exceção do DEM, que apresentou crescimento significativo, as demais (PSDB, PPS, Solidariedade e PV) encolheram.

Criação de novos partidos, como o Rede, de Marina Silva, deu início à troca de legendas

As maiores quedas foram registradas em PT (-5), PTB (-7) e PROS (-8).

Ex-ministro de Dilma e atual líder do PP na Câmara, o deputando Aguinaldo Ribeiro disse à BBC Brasil que o principal motivo que atraiu novos parlamentares ao partido foi a possibilidade de concorrer nas eleições municipais deste ano.

“Alguns estavam em partidos menores, não teriam a mesma estrutura que nós podemos oferecer. Outros estavam em partidos maiores, mas nesses casos a legenda já tinha outro nome em vista”, explicou.

Flexibilidade

Ele reconhece, porém, que a postura mais flexível do PP pode ter atraído deputados. “PT e PSDB estão muito desgastados. Os deputados podem ter visto partidos de centro como uma opção. São mais flexíveis, negociam com o governo”, afirmou.

Atualmente com a quarta maior bancada da Câmara (47 deputados), o PP foi fortemente assediado pelo governo petista nos últimos dias com a oferta de cargos na administração federal. O partido ensaiou apoio contra o impeachment, mas nesta terça anunciou que vai votar a favor do impeachment.

“O PP não vai punir ninguém (por seu voto sobre o impeachment). Cada um poderá votar dentro das suas convicções”, disse à BBC Brasil o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), na segunda-feira, por meio de sua assessoria.

Em seu quarto mandato eleitoral e em seu segundo partido, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) critica o excesso de infidelidade partidária e diz que são os interesses eleitorais o principal motivo das mudanças. Ele saiu do PT após a crise do mensalão.

“Falta qualquer critério ético da maioria dos parlamentares para troca de partidos e isso é atestado pelo fato do queimadíssimo PP, em função de arranjos eleitoreiros regionais, ter sido a legenda que mais cresceu. É patético”, disse.

Partido da Mulher Brasileira

O caso do Partido da Mulher Brasileira (PMB), criado em setembro, ilustra bem a total falta de ligação ideológica dos deputados com seus partidos.

A sigla, a 35ª do país, nasceu do esforço pessoal da sua presidente, Suêd Haidar Nogueira, que durante anos viajou o país coletando as assinaturas exigidas pelo TSE. Rapidamente atraiu 23 deputados, tornando-se uma bancada relevante na Câmara. No entanto, após a abertura da janela de infidelidade partidária, houve uma debandada, tendo sobrado apenas Weliton Prado (MG), oriundo do PT.

O que explica o forte crescimento do partido no ano passado foi a incerteza dos deputados quanto à aprovação da janela. Atualmente, a legislação prevê que a migração para novos partidos é uma das poucas opções que permite a troca de legenda sem risco de perda do mandato – essa regra contribuiu para impulsionar a criação de uma série de legendas nos últimos anos, como PSD, Solidariedade e PROS.

Entre os que tiveram passagem relâmpago pelo PMB, chama atenção o caso do deputado pernambucano Adalberto Cavalcanti – nos últimos meses ele mudou de partido três vezes, passou também pelo PT do B, e acabou voltando para a mesma legenda que tinha saído, o PTB.

Possível debandada do PT

Partido dos Trabalhadores, da presidente Dilma Rousseff, pode sofrer novas baixas

De setembro para cá o PT perdeu cinco deputados federais – diante do tamanho da crise que atinge o partido, foi um número pequeno, acredita o professor da UFRJ Jairo Nicolau.

“É muito pouco. Estão firmes. Sair agora é ter mais problemas com as bases, que estão muito ativadas politicamente. (Podem) pegar uma pecha de traidor.”

Um dos que saiu e acabou sendo criticado por seus eleitores foi Alessandro Molon (RJ), hoje na Rede. “Saí não por causa da crise política, mas da crise do partido. Não vi disposição (dentro do PT) para resolver seus problemas. A Rede também é um partido do campo progressista”, disse à BBC Brasil.

O PT, no entanto, ainda corre o risco de sofrer uma debandada. O deputado Zé Geraldo (PT-PA), que não pretende deixar a legenda, confirmou à BBC Brasil que existe a discussão revelada nesta semana pelo jornal Folha de São Paulo, mas ressaltou que não há nada definido no momento.

Segundo reportagem do diário paulista, 26 deputados estariam avaliando a desfiliação coletiva do partido após as eleições municipais. Hoje, há 57 deputados federais petistas.

Em 2005, ano do escândalo do mensalão, oito deputados federais deixaram o partido.

Fonte: bbc noticias

Investigação constata desvio de R$ 4 bilhões na saúde pública do Tocantins

Rombo foi investigado pela auditoria do SUS e Ministério Público Federal.
Esquema ocorreu entre 2012 e 2014, no governo de Siqueira Campos.

Uma investigação feita pela auditoria do Sistema Único de Saúde e pelo Ministério Público Federal (MPF) constatou um desvio de R$ 4 bilhões na saúde pública doTocantins. O esquema envolveu gestores públicos e 11 empresas durante o governo de Siqueira Campos, entre 2012 e 2014.

As investigações são uma extensão da Operação Pronto-Socorro deflagrada em 2014 pela Polícia Federal. Na época, a ação resultou na prisão da ex-secretária estadual da Saúde, Vanda Paiva, e de outros gestores da pasta. Além disso, foram apreendidos centenas de contratos da pasta.

Depois da operação, os auditores permaneceram no Tocantins para fazer uma investigação mais detalhada, juntamente com o MPF. Eles analisaram 151 processos de pagamentos feitos no critério de reconhecimento de dívida, ou seja, sem licitação. Parte destes pagamentos, cerca de 23, foi autorizada pelo próprio governador da época, Siqueira Campos.

Desvios provocaram falência do sistema de saúde público, segundo procuradora (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Desvios provocaram falência do sistema de saúde público (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)

“Houve uma estrutura montada com as principais figuras da Secretaria de Saúde, junto com o governador do estado, para adquirir medicamentos e produtos hospitalares sem licitação, os quais eram superfaturados e muitas vezes não eram entregues e para beneficiar determinadas empresas”, afirmou a procuradora da República, Renata Batista.

O MPF informou que dos R$ 666 milhões repassados pelo Governo Federal entre 2012 e 2014, R$ 475 milhões foram gastos de forma irregular. Centenas de remédios foram adquiridos com valores exorbitantes, como o medicamento “Manitol”, que é um diurético, foi comprado com 9.000% de superfaturamento.

Conforme a procuradora, o esquema gerou “o desabastecimento, uma fila de consulta de 12 mil pacientes cirúrgicos e de exames, e a falência do sistema de saúde do estado”.

O MPF propôs 24 ações apontando desvio de dinheiro da saúde no estado. Dentre os denunciados, estão o ex-governador Siqueira Campos, os ex-secretários da pasta, Vanda Paiva, Márcio Carvalho, Luiz Antônio, José Gastão Neder, o ex-diretor Luiz Renato Pedra e 11 empresas fornecedoras.

“Os ex-secretários estaduais, junto com o secretário executivo e o governador dispensava a licitação, ou seja, eles escolhiam qual empresa seria contratada. Essa empresa supostamente fornecia os medicamentos e quando fornecia era por preços altos, mas muitas vezes estes medicamentos sequer davam entrada”, explicou a procuradora.

Após as investigações, a Justiça Federal atendeu o pedido do MPF e determinou o bloqueio de bens de todos os citados e das empresas. Além disso, autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal. O MPF quer que eles paguem para o Estado cerca de R$ 4 bilhões, referentes aos prejuízos e também às multas por essas irregularidades.

Respostas
Por telefone, o ex-governador Siqueira Campos disse que não tem nenhuma preocupação quanto a esta decisão da Justiça. Informou que a ação tem de ser voltada contra aqueles que geraram prejuízos ao Estado. Ele disse ainda que nem tem advogado porque não foi responsável pelo o que houve.

A ex-secretária de Saúde, Vanda Paiva, disse não foi notificada desta decisão, mas que durante a gestão, ela não cometeu nenhuma irregularidade. Também afirmou que não tem qualquer bem que seja financiado e pago com o dinheiro público. Vanda ainda disse que as questões jurídicas vão ficar a cargo dos advogados para que façam defesa assim que ela for notificada.

O ex-secretário de Saúde, José Gastão Neder, disse que só vai se pronunciar depois que for notificado. Ele disse que não sabe do que as investigações se referem.

A produção da TV Anhanguera não conseguiu contato com o ex-secretário Luiz Antônio Fernandes.

O ex-secretário Márcio Carvalho afirmou que não foi notificado e que vai aguardar a notificação para saber que decisão vai tomar.

Já Marcelo Wallace de Lima, advogado do ex-diretor Luiz Renato Pedra Sá disse que não estava sabendo da decisão e iria se inteirar do caso para depois dar uma resposta.

Fonte:g1

Nigéria: Boko Haram obriga meninas a fazer atentados suicidas, adverte ONU

O uso de crianças em atentados suicidas pelo grupo extremista muçulmano africano Boko Haram cresceu ao ponto de um em cada cinco ataques do gênero atualmente serem levados a cabo por perpetradores infantis.

O alerta é da Unicef, agência da ONU para a infância e a adolescência, que publicou nesta terça-feira um estudo sobre o tema.

Número de ataques suicidas usando crianças cresceu 11 vezes desde 2014
Número de ataques suicidas usando crianças cresceu 11 vezes desde 2014

Há preocupação especial com o uso de meninas: segundo um relatório do órgão, elas são drogadas e usadas em pelo menos três quartos dos ataques cometidos pelo Boko Haram em Camarões, Nigéria e Chade. Desde 2014, o número de ataques pulou de quatro para 44.

A mudança de tática pode ser um reflexo da perda de território do Boko Haram na Nigéria. Há sete anos, o grupo promove uma insurgência no nordeste do país e em países vizinhos que já deixou mais de 17 mil mortos.

Segundo a Unicef, cerca de 1,3 milhão de crianças foi forçada a deixar suas casas por causa do conflito.

O estudo foi divulgado para aproveitar a proximidade do segundo aniversário do rapto de mais de 200 meninas de uma escola na cidade de Chibok por militantes do Boko Haram. Um incidente que despertou comoção mundial e gerou até uma campanha. Mas até hoje nenhuma delas foi encontrada.

Agora, meninos estariam sendo recrutados pelos extremistas e obrigados a atacar suas famílias como forma de demonstrar lealdade.

Meninas são expostas a abusos sexuais e casamentos forçados com militantes. O relatório da Unicef diz que, em Camarões, meninas de oito anos de idade já foram usada em ataques suicidas.

A insurgência do Boko Haram frequentemente teve escolas como alvo, em linha com o significado de seu nome na língua local hausa – “A educação ocidental é proibida”, em tradução livre.

A falta de segurança fez com que mais de 670 mil crianças ficassem sem aulas por mais de um ano. Mas de 1800 escolas permanecem fechadas.

Fundado em 2002, o Boko Haram anunciou no ano passado uma fusão com o grupo extremista muçulmano conhecido como Estado Islâmico.

Fonte:bbc noticias

“Governo Dilma se constituiu em cima de farsa de marketing”, diz Ciro Gomes

Ex-ministro de Lula e possível candidato nas eleições de 2018 pelo PDT, Ciro Gomes se diz cada dia mais crítico ao governo Dilma. Apesar de contrário ao impeachment, afirma que a atual gestão se constituiu em cima de uma “farsa de marketing”, com propostas de campanha nunca postas em prática.

Para Ciro, a política econômica é desastrosa, herança da “frouxidão moral” dos anos Lula. Ele diz não entender por que a presidente não propõe, por decreto, uma mudança nos rumos da economia – sugestão dada por ele em reunião com Dilma. “Quando sai da catatonia, não ela, mas o governo, sai para fazer bobagem.”

Prova de seu desgosto é seu apoio “entusiasmado” à sugestão de Carlos Lupi, presidente do PDT, de deixar a base aliada após a derrota do impeachment. No entanto, o partido não deve ir para a oposição.

“Nós não queremos participar de mais nada, está muito claro para nós. O ideal para nós é: ganhar a batalha pela democracia, preservar o mandato e comunicar à presidente que queremos sair. É uma ideia do Lupi com meu entusiástico apoio. E agora vamos validá-lo com os companheiros.”

O ex-ministro também falou dos casos de hostilidade que sofreu recentemente e chamou os manifestantes antigoverno de “fascistinhas”. No começo de abril, o Movimento Endireita Brasil, crítico ao governo Dilma Rousseff e ao PT, publicou em sua página do Facebook uma oferta de R$ 1 mil a quem hostilizasse Ciro no restaurante em que jantava em São Paulo.

“Eles se autodenominam manifestantes e acham que podem ir na porta de um ministro do STF 1h30 da manhã gritar impropérios. Não pode não, isto é crime. Eu, como presidente da República, teria pedido para a Polícia Federal abrir um inquérito e estava todo mundo presinho da silva.”

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC BrasilVocê costuma fazer críticas duras à política econômica de Dilma, mas se coloca contra o impeachment. Como se posiciona hoje?

Ciro Gomes – Minha percepção crítica do governo se agrava diariamente. Agora, no presidencialismo, você não pode desconstituir um governo apenas porque ele é um mau governo. O impeachment é a única forma de desconstituir um governo e só pode se dar, como está escrito na Constituição, pelo cometimento de responsabilidade consciente da presidente. O pedido formal que está dando azo ao impeachment não se baseia numa denúncia de crime de responsabilidade. É um golpe parlamentar. Só três presidentes da República neste país concluíram seu mandato normalmente. Todos os outros tiveram seu mandato interrompido por suicídio, renúncia, golpe. É nessa linha da história que me coloco. Hoje você faz uma ruptura que coesiona pela negação do governo três grandes grupos sociais.

BBC BrasilQuais são eles?

Ciro Gomes – O primeiro é o do eleitor do Aécio, que nunca aceitou o resultado da eleição. Desde o primeiro dia, esse grupo tem sido excitado a negar (o governo), com o agravante, correto, de que o governo Dilma se constitui em cima de uma grande farsa de marketing. A prática do governo é completamente mentirosa em relação ao marketing da coisa.

Um segundo movimento vai dentro dos eleitores dela. É o eleitor decepcionado com a crise. Nós temos uma depressão no Brasil, a pior (que já vi). Isso é uma coisa violenta na cabeça do nosso povo. Eu, concretamente, estou muito nessa razão aqui.

Por fim, tem o (grupo) da denúncia moral, que agravada pela crise econômica, acaba passionalizando o ambiente. Esse conjunto de valores se reúne apenas para negar (o governo).

BBC BrasilO que acontece com esses grupos se houver impeachment?

Ciro Gomes – No dia que esse impeachment for – espero que não aconteça – consumado, esse conjunto se dissolve. Porque quem assume é uma coalização de bandidos. Por desgraçada coincidência, a única pessoa que não está citada em nenhum desses gravíssimos escândalos é a Dilma. O vice-presidente está citado. O escândalo será inerente a essa turma que está entrando. E o eleitor da oposição vai se frustrar rapidamente. Então, você vai ter a mesma grave situação no Brasil só que com importantes bandas do país não reconhecendo a institucionalidade do governo e provavelmente descabando para a violência.

BBC BrasilVocê já chamou Michel Temer de capitão do golpe. Como vê ele hoje no processo de impeachment?

Ciro Gomes – Ele é o capitão do golpe. É amigo íntimo do Eduardo Cunha. (Um governo Temer) será a consumação do desastre. A elite que está embalando a Fiesp acredita em (algo) que ele não tem a menor chance de entregar. Todo esse papo furado, redução de impostos, de custos trabalhistas, é tudo mentira. Zero chance de sequer propor. Ela vai ser contestado por MST, CUT, UNE. Tudo o que é sociedade civil organizada que teve participação na vida brasileira vai à luta. Eu mesmo vou lutar contra o governo ilegítimo. Quando saiu o PMDB (do governo), as pessoas perceberam que o poder vai para Temer e Cunha. Começa a circular a informação. E não há consenso. Ajudei a fazer o impeachment de Collor e havia consenso.

BBC BrasilNa sua opinião, o impeachment será aprovado na Câmara?

Ciro Gomes – Na Câmara não passa.

© Copyright British Broadcasting Corporation Para ex-ministro, governo Dilma não cumpriu o prometido na campanha e é um "desastre completo"
© Copyright British Broadcasting Corporation Para ex-ministro, governo Dilma não cumpriu o prometido na campanha e é um “desastre completo”

BBC BrasilQuando você fala em “farsa de marketing”, se refere às promessas das eleições?

Ciro Gomes – Foi tudo o oposto (do prometido). É um desastre completo. Mas volto a dizer: o presidencialismo permite que a presidenta mude de caminho. Ela pode mudar a gestão da economia.

BBC BrasilHoje, sem apoio no Congresso, ela consegue fazer isso?

Ciro Gomes – Só pode. O presidencialismo tem esse lado positivo. Está na mão dela a plenitude dos poderes da Presidência. O que lhe impede de administrar uma política econômica diferente?

BBC BrasilPor meio de decretos?

Ciro Gomes – Boa parte. Deixei por escrito com ela um conjunto de sugestões que não dependem da interação com o Congresso. São da esfera do poder executivo.

BBC BrasilComo vê a paralisia da Dilma neste momento?

Ciro Gomes – Não consigo entender. Quando sai da catatonia, não ela, mas o governo, sai para fazer bobagem. Cooptar deputado na base do suborno. Isso vai nos igualando no plano moral com essa escória. Já é um erro ancestral do governo. Não aceitei ser ministro do segundo governo do Lula, não aceitei ser ministro dela. E não é porque sou moralista. É porque não ia dar certo. Lembro que, brincando com ela no primeiro mandato, já amargo, dizia: “Oh, presidente, isso não pode dar certo. Mas, se der, quero trocar o meu anjo da guarda com o seu”. Era óbvio que não ia dar certo porque a responsabilidade ancestral é do seu Lula brincando de Deus e colocando essa quadrilha na linha de sucessão do país.

BBC BrasilComo vê o parecer do Jovair Arantes?

Ciro Gomes – Ele foi redigido por um advogado do Eduardo Cunha. Os argumentos são razoáveis. Se você quiser sustentar uma crítica ao governo, você consegue. Agora a questão é: me diga onde está demonstrado o crime de responsabilidade? Essa é a questão. O governo fez pedalada fiscal? Não tenho a menor dúvida que fez. Isso é uma manipulação contábil, não é caracterizada como crime, nem sequer responsabilidade fiscal. É uma maquiagem contábil. Fernando Henrique fez oito anos (disso), Lula fez oito anos. O Michel Temer fez.

BBC BrasilE a possibilidade de novas eleições?

Ciro Gomes – Isso é um contragolpe de república de banana, imposto pela militância do marinismo, que não está dando corda de que ela vai ser eleita presidente da República se a eleição for antecipada. É uma coisa que não existe. Isso só poderia acontecer por emenda à Constituição. E qualquer um do povo, qualquer prefeito, pela Constituição, pode arguir a inconstitucionalidade disso junto ao STF. Provavelmente não haverá outra alternativa senão declarar inconstitucional esta emenda.

BBC BrasilMas isso já está sendo discutido como uma possibilidade viável pelo TSE.

Ciro Gomes – Isso é bobagem. A única chance de acontecer uma eleição é para a Presidência da República é se o Tribunal Superior Eleitoral cassar a chapa, declarar nulos os votos e ainda tudo acontecer neste ano. Sendo que, à decisão do TSE, cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal. Qualquer ministro que queira tomar vista desse procedimento pode fazê-lo sem prazo para devolver ao colegiado. O que quer dizer que, se isso for consumado até o fim deste ano, as eleições acontecem de forma indireta pelo Congresso. Ou seja, teremos, sem intermediários, Eduardo Cunha presidente da República. Por isso, é importante a gente pressionar o governo para mudar de rumo. Persistir na regra, porque amanhã um desses da oposição vai para o governo. O Brasil repete filmes velhos porque a democracia não está madura. Olhe nos arquivos, o Fernando Henrique Cardoso se elegeu mentindo para a população (em 1998). Ele toma posse do segundo mandato e desvaloriza o câmbio, a inflação vai a 12%. E aí, merda geral, Lula faz o pedido de impeachment. Quem recebeu o pedido foi o Michel Temer! E eu aqui fora dizia: “isso é besteira”.

BBC BrasilO pedido de impeachment naquela época poderia ser considerado um golpe?

Ciro Gomes – Claro que era golpe! E eu ainda disse para o Lula pessoalmente: “Não faça isso, rapaz. Deixe de ser irresponsável. Amanhã um de nós vamos para Presidência da República, e esse pessoal vai inventar qualquer coisa. Vão derrubar a gente com mais facilidade”.

BBC BrasilComo ele respondeu ao seu apelo?

Ciro Gomes – O Lula é um oportunista, sem nível. Naquela data, ainda tinha a desculpa de que não tinha vivência nenhuma. Mas eu já estava lá denunciando que interromper o governo que a gente não gosta…e eu tinha sido candidato duro contra o Fernando Henrique.

BBC BrasilComo a relação do PDT com o governo hoje, após saída do PMDB e mercadão de apoio e as negociações em busca de apoios?

Ciro Gomes – Nós não queremos participar de mais nada, está muito claro para nós. Estamos no governo. Já lá trás, antes dessa crise, o (Carlos) Lupi foi comunicar a presidente de que nós provavelmente já teríamos candidato próprio em 2018. E que, portanto, sentíamos a necessidade de sair do governo. Ela fez um apelo grande para gente ficar. Ainda ontem (quarta-feira), conversei com o Lupi e considero que temos que lutar pela questão da democracia.

Eu estou pelo valor superior da democracia, porque conheço a Dilma. Ela é uma senhora honrada, mas tem uma contradição original de ter herdado um governo mestiço feito pela frouxidão moral do Lula. Agora, nós do PDT, não participaremos dessa discussão, vamos votar disciplinadamente contra o impeachment, como posição do partido para preservar a democracia. Carregamos a memória do trabalhismo brasileiro, da tragédia do Getúlio Vargas, do João Goulart. Isto posto, estou defendendo que a gente saia do governo. O ideal para nós é: ganhar a batalha pela democracia, preservar o mandato e comunicar à presidente que queremos sair. É uma ideia do Lupi com meu entusiástico apoio. E agora vamos validá-lo com os companheiros.

BBC BrasilAlém do impeachment, há outros processos que ameaçam a estabilidade do governo…

Ciro Gomes – Não vamos para a oposição. Apenas não gostamos desse governo e chega. Já pagamos o nosso preço. Tudo que puder ajudar vou continuar ajudando, mas não quero ter responsabilidade de defender o indefensável. Qual é a explicação para a taxa de juros a 14% no Brasil hoje?

BBC BrasilO que achou do convite de Dilma a Lula no ministério da Casa Civil?

Ciro Gomes – É o maior erro político da minha já longa vida pública. O Lula tem direito a presunção de inocência e eu o considero inocente até que alguém prove o contrário. Mas ele tem explicações a dar. Que história é essa do tríplex? Eu, como professor de Direito, não vejo crime, vejo imoralidade. Mas tem que explicar. E aí quem está tomando a frente dessa investigação é um juiz visto como “severo”. Ainda que não seja, todo mundo vai dizer que (a nomeação) é para fugir de um juiz “severo” e se omezinhar na república, com a presunção de que isso garantiria a ele a impunidade. De passagem, acabou-se a autoridade da presidente da República. Chamar o ex para fazer o quê? O que ele vai fazer lá que ela não seria capaz de fazer? É uma confissão. E a sociedade não aceita a desconstituição da liderança que lhe deu.

Roberto Stuckert Filho l PR: Ciro Gomes diz que Dilma é "uma senhora honrada" que herdou um governo problemático de Lula
© Copyright British Broadcasting Corporation Ciro Gomes diz que Dilma é “uma senhora honrada” que herdou um governo problemático de Lula

BBC BrasilVocê chegou a conversar com ela sobre isso?

Ciro Gomes – Claro! Quando ela me chama, falo com toda franqueza. Disse “por favor, me interrompa se lhe incomodar, mas foi a pior ideia que já vi na minha vida”. Ela fala qualquer coisa. Solidariedade não é possível no espaço público. Por exemplo, vamos montar uma força-tarefa para sequestrar o Lula se achar que ele vai ser preso arbitrariamente. Vamos sequestrá-lo e entregar para uma embaixada estrangeira. Qualquer coisa é possível, não pode é fazer o que foi feito.

BBC BrasilSeu nome estaria sendo cotado por Lula, caso assumisse a Casa Civil, para o governo. Aceitaria o convite?

Ciro Gomes – Em nenhuma hipótese. Não só agora, já tinha dito com muito respeito à presidente: em nenhuma hipótese participo desse governo.

BBC BrasilQual a sua relação com Lula? Em março, você apareceu em um vídeo dizendo que ele era um merda.

Ciro Gomes – Na verdade, falei porque a menina disse que ele era um merda. Aí eu disse: é um merda, mas tem direito a se defender. Tiraram um pedacinho.. Tenho hoje muita decepção com o Lula.

BBC BrasilVocês têm contato?

Ciro Gomes – Não. Me afastei há algum tempo. Já falei muitas vezes, o Lula virou Deus e se autorizou a fazer o que quisesse. Como se fosse realmente o Deus, ao qual todos os súditos só teriam que agradecer pelo privilégio de ele pisar na cabeça das pessoas. E começou a fazer bobagem.. Se um presidente da República quisesse ser corrupto, não é um tríplex cafona numa praia cafona, que seria objeto da corrupção. Uma informação privilegiada que Fernando Henrique deu os bancos em 1999 custou US$ 16 bilhões ao país.

Reuters: Ex-ministro Lula, Ciro diz que se afastou do petista por falta de afinidade: "ele acha que é Deus"
© Copyright British Broadcasting Corporation Ex-ministro Lula, Ciro diz que se afastou do petista por falta de afinidade: “ele acha que é Deus”

BBC BrasilEsses equívocos do Lula vêm desde o primeiro mandato?

Ciro Gomes – No primeiro mandato ele resistiu. Zé Dirceu enchia o saco para fazer o acordo com o PDMB orgânico e eu nunca aceitei. Lula bancava, porque não queria. No segundo mandato já resolveu (aceitar) e eu não aceitei mais. Não tenho mais afinidade…acho que ele é grande responsável sobre essa tragédia que está se abatendo sobre o país.

BBC BrasilVocê foi alvo de um post do Facebook do Movimento Endireita Brasil, que ofereceu R$ 1 mil para que te hostilizassem em um restaurante de São Paulo. Como vê a polarização política no país?

Ciro Gomes – A polarização política é uma coisa boa para o país. Não é isso que está acontecendo. O que está acontecendo é que o fascismo saiu do armário. Ele estava na moita por conta da memória da ditadura. É irrelevante, mas saiu do armário. A parte que faz esse tipo de coisa é minúscula. Evidente que o conservadorismo é mais amplo, mas violência física é uma minoria. Eles se autodenominam manifestantes e acham que podem ir na porta de um ministro do STF 1h30 da manhã gritar impropérios. Não pode, isto é crime. Eu, presidente da República, tinha pedido para a Polícia Federal abrir um inquérito e estava todo mundo presinho da silva. Esses grupeiros expõem meu número pessoal. Mas é tudo frouxo. São todos fascistinhas, com problemas sérios de carinho em casa.

BBC BrasilVocê ainda está pensando em ser candidato em 2018?

Ciro Gomes – Quando começou essa crise, estava num momento pessoal em que pensava se não era a hora de me dar uma vida privada. Pela primeira vez, aceito um emprego na iniciativa privada. Pela primeira vez, alguém paga um salário que acho que mereço e nunca recebi. E aí, enfim, estou bem, tranquilo, feliz. Tenho 58 anos. Fiquei pensando nisso e tomei a decisão, de vir para São Paulo, aceitar um emprego aqui. Às vezes vou para o trabalho a pé, não tenho carro. Ninguém tem nada a ver com a minha vida. E aí vem a confusão e o Lupi me procura. Acho que não posso me omitir. A questão básica é a seguinte: é uma honra muito grande servir ao país e se eu for (candidato), vou para fazer história.

Fonte:msn noticias