Delegado relatou que vítima de 17 anos tem cicatrizes por todo o corpo
Investigador disse que adolescente era torturada quase todos os dias

Um jovem de 21 anos foi preso suspeito de torturar a namorada, de 17 anos, por mais de um ano em Santa Helena de Goiás, no sudoeste do estado. O delegado responsável pelo caso, Thiago Latorre, afirmou ao G1 que, em depoimento, a adolescente contou que apanhava quase todos os dias do namorado. O preso nega as agressões.

Latorre explicou que a situação foi descoberta por causa de um acidente de trânsito, no último dia 12 de julho, quando o casal sofreu ferimentos leves. Segundo ele, durante atendimento da ocorrência, o Corpo de Bombeiros notou machucados antigos e infeccionados na cabeça da vítima e a levaram para o Hospital de Urgências de Santa Helena de Goiás (Hurso).

“Eles viram um corte na cabeça dela e perguntaram o que havia acontecido, mas ela não contava. Policiais também tentaram conversar com ela, mas ela não dizia o que havia causado os cortes. O Conselho Tutelar foi acionado, por ela ser menor, mas também não conseguiram que ela explicasse o que havia acontecido”, contou.

Após investigações, o Conselho Tutelar conseguiu o contato da mãe da adolescente, que foi até a cidade para encontrar a filha e o Hurso deu alta para a paciente, na última segunda-feira (18).O delegado explicou que, com a presença da mãe, a vítima se sentiu mais segura para contar o que havia acontecido.

Segundo o investigador, a adolescente relatou que namorou o jovem cerca de seis meses, em Votorantim, antes dele levá-la para Santa Helena de Goiás. Também em depoimento, a vítima relatou que já havia sido agredida no início do relacionamento, mas quando ele a retirou de casa, as ações violentas se intensificaram.

“Ele passou a agredi-la com facão, faca, fero, arame, garrafa e mordidas. Ela tinha lesão no corpo todo e cicatrizes. Ele quebrava os dedos dela, que ficaram deformados por causa disso. No rosto, ela tem uma cicatriz muito grande por causa de uma garrafada que ele deu na cabeça dela. A vítima também estava bem magra porque ele não a alimentava direito e não a levava para o hospital depois das agressões, mesmo quando ela sangrava muito”, disse.

O delegado relatou que, por causa das cicatrizes, o autor só permitia que a vítima saísse de casa coberta por roupas longas, para esconder os machucados. O detido, segundo Latorre, também quase não permitia que ela falasse com a família e não deixava que a adolescente revelasse o local onde eles estavam.

A conselheira tutelar Divina Gadelha participou da operação e afirmou que ficou assustada ao ver como a vítima mudou. “Ela saiu uma menina linda de lá, como vimos por fotos, e depois encarar a situação em que estava. Com 20 kg a menos, toda cortada, toda machucada, com o rosto deformado”, comentou.

A Polícia Civil prendeu o jovem na última segunda-feira e levado para o Centro de Inserção Social (CIS) de Santa Helena de Goiás.

“O autor tinha uma banquinha de CDs piratas e, para que ele fosse detido o quanto antes, ele foi autuado em flagrante por violação de direitos autorais. Depois a prisão dele foi convertida em preventiva. Ele foi indiciado por tortura e subtração de incapaz, que é quando tira um menor de casa sem a autorização dos pais. Ele também vai responder por desacato porque ameaçou conselheiras tutelares enquanto menor estava internada”, relatou.

Reencontro
A conselheira tutelar Rejane Teobaldo acompanhou o caso da adolescente e contou que mãe e filha ficaram emocionadas ao se verem pela primeira vez desde que foram afastadas. “As duas choraram muito. A mãe comentou que não via a filha há mais de um ano, foi uma cena muito emocionante. Depois desse encontro que a adolescente conseguiu contar tudo que aconteceu ao delegado”, disse ao G1.

Também conforme Rejane, a adolescente já voltou para a casa dos pais acompanhada da mãe.(fonte:g1/go)

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