Ninguém nega o drama que enfrentam os empreendedores. Mas a bandeira deve ser outra.

Com o pulmão bastante comprometido por conta da Covid-19, um amigo querido ligou pedindo ajuda no final da noite desse domingo, 7, para conseguir um simples leito clínico. Foi uma luta inglória até a 1 hora da madrugada. Com muito esforço, conseguiu se acomodar numa UPA da Capital, com soro no braço. Leito clínico na rede pública não está fácil.

Nas inúmeras ligações que fiz, a que mais me deixou angustiado foi para outro amigo que trabalha na saúde. “Vou ser bem sincero com você: é apocalíptico… Terra arrasada… Hoje quase choro de desespero”, começou ele. “Está todo mundo cansado, todo mundo desesperado, sem saber o que fazer, e o povo na rua, cara, pelo negacionismo! É assustador, é assustador! Não sei o que vai ser de nós, não. Que Deus nos proteja.”

Na tarde de sábado, 6, algumas pessoas foram para a porta da Câmara e da residência da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB) gritar contra o decreto que suspendeu o funcionamento do comércio até o dia 16. Entre os manifestantes, uma enorme faixa tirava dúvida sobre o grau de entendimento da situação. Pedia o fatídico “tratamento precoce”. Assim, é simples, a prefeita adota o tal “tratamento precoce” nas UPAs e é o fim da crise da Covid-19. O cúmulo da parvoíce.

Ninguém nega o drama que enfrentam os empreendedores. Mas a bandeira deve ser outra. Não é para não suspender o comércio, mas para que o Poder Público garanta a eles condições mínimas de subsistência no período de recolhimento. Por isso, sim, acho que Estado e município devem ser pressionados e precisam se mobilizar com urgência para assegurar cestas básicas, linhas de crédito e o que mais for necessário para dar o mínimo de tranquilidade para que as pessoas possam ficar em casa nesse período.

Com exceção da vacina, não existe nenhuma outra forma de conter o avanço da Covid-19 que não seja o isolamento social. Sobretudo sob o iminente colapso do sistema de saúde. Nos Estados Unidos, foi o que fez com que os casos diários caíssem de 260 mil em janeiro para pouco mais de 60 mil.

Esses movimentos alucinados que ainda colocam mais em risco a vida das pessoas são incentivados pelas falas estapafúrdias e até criminosas do presidente da República, que, com o País todo à beira do colapso, continua insistindo em não aceitar o isolamento social como medida eficaz, pede para as pessoas irem às ruas, prega contra o uso de máscara e, por outro lado, sugere medicamentos sem nenhuma comprovação científica e questiona a eficácia das vacinas.

Na espetacularização da crise sanitária mandou uma missão de beócios – já devidamente apelidada nas redes sociais de “missão da morte”— a Israel e ninguém entendeu por qual motivo. Nas poucas horas, a missão desse Incrível Exército de Brancaleone conseguiu três coisas: cumprir protocolos que ignora no Brasil, tomar pito das autoridades locais para manter distanciamento e usar máscara e ainda ser proibida de acessar a fábrica para conhecer o remédio que diz ter ido pesquisar e que está em fase preliminar de teste com – pasmem! – 30 pessoas!

De outro lado, nos chega a informação de que, em nota oficial, do dia 7 de janeiro, a farmacêutica Pfizer confirmou que o governo brasileiro rejeitou a oferta de 70 milhões de doses de vacina contra a Covid-19 já em agosto de 2020, de um total de três propostas.

Me desculpem a falta de paciência, mas, diante de tudo o que o Brasil vive, temos que conviver com missões patéticas de um lado, que só servem para nos humilhar ainda mais diante do mundo, e da sabotagem à luz do dia aos esforços da sociedade, governadores e prefeitos para combater uma doença que nos leva ao desespero. Só posso concluir o que é óbvio para qualquer um que não tenha déficit de QI: somos governados por um idiota. E pelo pior tipo de idiota, o idiota com iniciativa, que tem um projeto de poder que usa do genocídio como arma para desacreditar as instituições e consolidar sua proposta autoritária. Esse projeto covarde já custou a vida de mais de 265 mil irmãos brasileiros.

Até quando vamos tolerar isso?

Também vemos uma população extremamente despreparada, alvo fácil dessa ação genocida por sua ignorância. Absurdo vermos o tanto de festinhas assassinas que estão sendo realizadas em chácaras, casas e apartamentos. As pessoas se deixam levar facilmente pela conversa de “tio do zap”, pelas lives desse mentiroso que está na Presidência da República, que transforma em “fatos” as fake news que seu projeto genocida precisa inocular na mente dos incautos.

O Brasil precisa reagir nesses dois campos: abraçar as orientações de médicos sérios (não os charlatões de WhatsApp) e cientistas para se livrar do vírus e pressionar os congressistas para que possamos nos livrar também do berne que está na Presidência do Brasil. Sem darmos fim a essas duas pragas, que se retroalimentam, não poderemos falar em vida normal ou de retomada econômica.

CT, Palmas, 8 de março de 2021.

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