Ambos buscam conquistar pelo menos mais 60 deputados para engrossar seus grupos e barrar ou aprovar o afastamento da presidente Dilma Roussef

Por: Guilherme Mazui
21/03/2016 – 02h00min | Atualizada em 21/03/2016 – 06h00min

Governo e oposição batalham votos no processo de impeachment Gustavo Lima/Câmara dos Deputados

Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Na última quinta-feira, plenário da Câmara aprovou instauração do processo de impeachment por 443 votos a favor

Passa por mapas de bancadas atualizados dia a dia, ofertas de cargos, cerco aos indecisos, cortejo ao PMDB e pressão das ruas o desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rous­seff. A batalha na Câmara já teve início. O governo trabalha em uma ofensiva, com o reforço do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para impedir a oposição de alcançar os 342 votos que levam o processo de afastamento ao Senado.

O passaporte para a continuidade da gestão petista exige 171 votos. Planalto e oposição sabem que não contam com as somas necessárias no momento. Cada lado corre atrás de, no mínimo, mais 60 parlamentares para suas bases. Ambas coalizões veem na comissão especial, com 65 titulares, um termômetro. Independentemente do teor do parecer do colegiado, a palavra final será de todos os deputados. Assim, a comissão tem maior peso para Dilma, pois um relatório pró-impeachment seria mais difícil de ser derrubado no plenário, que deve votar a abertura do processo por volta de 13 abril.

– A comissão é apenas uma expressão. O plenário é outra conversa, são 513 votos. É possível reverter votos. Não está em jogo só o governo Dilma, o que está em jogo é a democracia – afirma a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ).

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O colegiado se reúne nesta segunda-feira para definir seu plano de trabalho. Um dos embates centrais é anexar ou não à denúncia contra Dilma a delação do senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS). A Câmara aceitou com o argumento de que a colaboração constava no pedido original. Presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF) aguarda parecer técnico. A base só aceita discutir as pedaladas fiscais. Do contrário, irá ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Na comissão, o PT também avalia se Dilma antecipa a apresentação de defesa por escrito, que deve ser feita em até 10 sessões da Câmara – o prazo está correndo desde sexta-feira. Parlamentares cobram que o documento seja lido pelo ministro José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União (AGU). O esforço tentará convencer que as pedaladas fiscais não representaram crime de responsabilidade e alertar para os impactos da queda do governo.

– Vamos mostrar o prejuízo que é romper com a normalidade, o prejuízo econômico que trará para o país essa tentativa de golpe – diz Henrique Fontana (PT-RS).

Algumas estratégias são similares para governo e oposição. Ambos tentam decifrar os efeitos da janela que, até o momento, contabiliza 68 deputados trocando de partido. As próximas semanas serão de articulação à mesa, em jantares e cafés da manhã. O Planalto prevê marcação cerrada em Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão e aliado de Cunha.

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