Um dos afetados é o delegado Bruno Boaventura, de Araguaína. Ele estava à frente das investigações sobre um galpão encontrado com quase 200 toneladas de lixo hospitalar irregular.

Doze delegados regionais do Tocantins foram exoneragos dos cargos de chefia. Um dos afetados foi o delegado regional de Araguaína, Bruno Boaventura. Ele comandou casos de grande repercussão e atualmente estava à frente das investigações sobre um galpão encontrado com quase 200 toneladas de lixo hospitalar irregular. O local foi ligado pela Polícia Civil ao ex-juiz eleitoral João Olinto, que é pai do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB). O parlamentar é líder do governo na Assembleia Legislativa do Tocantins. A decisão foi publicada no Diário Oficial na noite desta sexta-feira (16) e o delegado acredita estar sofrendo retaliação por parte do governo.

Segundo o delegado, a transferência tem motivações políticas. Em uma rede social, ele explicou o motivo da saída. “Minha exoneração será publicada hoje no DOE [Diário Oficial do Estado]. Acabo de ser informado. Retaliação em virtude de minha atuação.”

Em outra rede social, o delgado comentou: “Hoje recebo a notícia de meus superiores que serei exonerado do cargo de Delegado-Regional de Araguaína, com muita hombridade e sentimento de dever cumprido, pois, se incomodamos esses malfeitores o trabalho foi realizado da melhor forma possível.”

Além de Boaventura, outros onze delegados regionais foram exonerados dos cargos. São eles:

Abelice Abadia da Cunha Oliveira – delegacia regional de Alvorada
Adriano Carrasco dos Santos – delegacia regional de Guaraí
Afonso José Azevedo de Lyra Filho – delegacia regional de Dianópolis
Clecyws Antônio de Castro Alves – delegacia regional Miracema
Eduardo Morais Artiaga – delegacia regional de Araguatins 
José Antônio da Silva – delegacia regional de Arraias
Lucélia Maria Marques Bento – delegacia regional de Gurupi
Olodes Maria de Oliveira Freitas – delegacia regional de Colinas do Tocantins
Tiago Daniel de Morais – delegacia regional de Tocantinópolis
Raimunda Bezerra de Souza
Wagner Rayelly Pereira Siqueira.

Outras 149 pessoas foram dispensadas de cargos de chefia exercidos na Secretaria de Segurança Pública do Tocantins.

Entenda

A polêmica envolvendo o lixo começou quando um galpão foi encontrado com quase 200 toneladas de resíduos hospitalares armazenados de maneira irregular. No galpão deveriam funcionar duas empresas cadastradas no nome do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), filho de João Olinto.

Além disso, um caminhão com lixo hospitalar foi encontrado dentro do terreno do hotel da família Olinto. O veículo estava no nome da empresa Agromaster S/A, também registrada no nome do deputado estadual.

O ex-juiz eleitoral, inclusive, teve a prisão decretada e está sendo procurado pela Polícia Civil. O delegado Bruno Boaventura afirmou que ele seria o dono da empresa responsável pela coleta de lixo dos hospitais e que teria despejado os resíduos no galpão.

“Ele tinha a função de coordenar os trabalhos da Sancil por interpostas pessoas. Ele não constava na relação de sócios da empresa, mas ele utilizou de duas funcionárias do escritório de advocacia para o fim de constituir essa empresa”, relatou Boaventura.

Além disso, o delegado também deu declarações polêmicas após sargentos da Polícia Militar serem acusados de assassinatos em Gurupi, no sul do estado.

Na época, Bruno Boaventura revelou que o delegado responsável pelo flagrante deixou o Tocantins após sofrer ameaças. O caso foi negado pelo secretário de segurança pública do estado.

“Ele entendeu que neste momento ele poderia estar muito vulnerável na cidade. Isso mostra que a falta de controle da situação por parte da Polícia Militar, principalmente do comando, faz com que os colegas se sintam intimidados”, disse o delegado naquela ocasião.

Outro lado

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada, mas informou que não vai se manifestar. A Secretaria de Comunicação também foi questionada sobre o assunto, mas ainda não respondeu. O sindicato dos delegados do Tocantins.

G1 Tocantins.

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