Quanto mais confiamos em nossa obediência aos mandamentos, mais maldição nós vemos e menos fé conseguimos ter.

Autor: Pr. Aluízio A. Silva

O Novo Testamento declara que o justo viverá pela fé. O nosso problema é que, em vez de vivermos pela fé, nós nos esforçamos para viver pela obediência. Você não foi chamado para viver pela obediência, mas pela fé. Evidentemente, a obediência é muito importante, mas é preciso esclarecer que a obediência não é a raiz, mas o fruto da vida cristã. A raiz é a fé.

Aquele que vive pela fé pode manifestar obediência, mas aquele que vive com base em sua obediência nunca consegue ter fé, pelo simples motivo de que ele nunca pensa ter obedecido o suficiente.

Muitos irmãos, a maioria, quando acordam pela manhã, olham para si mesmos buscando ver as áreas em que precisam melhorar ou questionando se Deus está com eles mesmo depois de terem falhado. Em vez disso, eles deveriam acordar todos os dias e se perguntar: “Qual a minha fé para esse dia?”

Quando um irmão está enfermo, qual é o questionamento dele? Ele pergunta ao Senhor onde tem errado ou se há pecado não confessado em sua vida. Ao fazer esses questionamentos, ele está procurando descobrir se tem algum merecimento. E todas as vezes que procuramos algum merecimento, nós caímos na justiça própria, que procede da lei. O fato de questionarmos sobre a nossa obediência em vez de declararmos a nossa fé mostra que ainda estamos debaixo da lei.

Não estou dizendo que a obediência não é importante. O que estou dizendo é que o justo vive pela fé. No momento em que o justo baseia sua vida na obediência que tem ou deixa de ter, ele se apoia num terreno movediço, e o resultado é a queda.

A obediência não é lei quando provém de fé, mas quando confiamos em nossa obediência para nos relacionarmos com Deus, então a obediência se torna lei. Viver pela lei é viver pelo princípio da justiça própria e do merecimento. Sempre que nos relacionamos com Deus com base em nosso merecimento, estamos tentando nos aproximar confiados na lei. Paulo diz que isso é muito grave, porque a lei traz duas terríveis consequências: a maldição e a incredulidade (Gl. 3.9-12)

PRIMEIRA CONSEQUÊNCIA: MALDIÇÃO

Em primeiro lugar, viver pela lei nos coloca debaixo de maldição. Em Gálatas 3.10, Paulo diz claramente que “todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição”. Pare com a introspecção. Pare de tentar encontrar em si mesmo alguma virtude ou mérito para se apresentar diante de Deus. Apenas creia que você é justiça de Deus em Cristo. Você não é justo porque obedece, mas porque crê na obra consuma do Senhor Jesus.

Aqueles que vivem pela lei precisam entender que somente serão aceitos por Deus se cumprirem todos os mandamentos. Se quebrar apenas um, será culpado de todos. Como nenhum homem consegue cumprir a lei, o resultado é a maldição da desobediência descrita em Deuteronômio 28.

Se você vive pela obediência da lei, lembre-se de que somente poderá ser abençoado se cumprir todos os mandamentos. Não adianta se esforçar para cumprir alguns ou se desculpar pela sua boa intenção. Paulo diz claramente em Gálatas 3.10 que aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei para praticá-las será amaldiçoado.

O resultado de quem tenta viver pela lei é sempre maldição. É triste, mas esta é a razão por que muitos crentes ainda padecem debaixo de maldição.

Todavia, quando entendemos que o justo vive pela fé, já não olhamos para nós mesmos tentando achar mérito, mas confiamos que Cristo já cumpriu as justas exigências de Deus, então nós descansamos, porque já somos justos pela fé em Cristo. Você é quem escolhe a forma como quer se relacionar com Deus. Você pode se relacionar baseado na lei, na qual terá de esforçar-se todo o tempo para merecer a bênção pela obediência ou você escolhe se relacionar pela fé.

Pela fé, nós declaramos que Cristo se tornou a nossa justiça e hoje nos achegamos ao Pai confiados unicamente na justiça d’Ele, e não na nossa. No início do seu ministério, o Senhor foi a Nazaré. Ali Ele entrou numa sinagoga e leu Isaías 61. Ao terminar o texto, Ele disse: “Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir”.

Todos ficaram surpresos perguntando se não era Ele o filho de José. Mas eles ficaram furiosos quando o Senhor lhes disse: “Havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses, reinando grande fome em toda a terra; e a nenhuma delas foi Elias enviado, senão a uma viúva de Sarepta de Sidom.

Havia também muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o siro” (Lc. 4.25-27).

Por que eles ficaram tão irados? Aquela viúva não era judia, era fenícia. Naamã também não era de Israel, mas da Síria. Eles não tinham participação nas promessas de Israel, mas mesmo assim foram os únicos abençoados.

O Senhor deu um exemplo de provisão e cura para duas pessoas que não eram de Israel. Ele estava dizendo ao povo: “Não pensem que vocês merecem. Quando você reconhece que não merece, mas mesmo assim vem a Deus para receber, então você obtém o que está pedindo”. Nunca confie no quão bom ou obediente você é para merecer a bênção de Deus.

Mas se estamos livres da lei, será que podemos agora fazer o que quisermos? Claro que não! Fazer o que quer é também um tipo de escravidão. Fomos libertos da lei porque agora temos o Espírito habitando em nós para nos guiar. Quem vive pela lei se guia pelo certo e o errado, mas quem é guiado pelo Espírito segue a vida de Deus.

O problema daqueles que vivem pela lei é a hipocrisia de pensarem que cumprem a lei. Eles podem, na verdade, cumprir alguns mandamentos, mas não cumprem todos. Todo crente deveria estar debaixo da bênção, mas quando escolhe viver pela lei, o resultado é maldição.

O livro de Gálatas foi escrito para crentes, portanto os crentes podem ainda padecer debaixo de maldição. Veja bem que o problema não é o pecado, e sim a justiça própria, o desejo de se justificar diante de Deus para merecer a bênção.

Mas será que isso significa que basta assumir que sou pecador para receber a bênção de Deus? Reconhecer-se pecador é o primeiro passo; depois disso, precisamos reconhecer que Cristo se fez pecado por nós para que agora possamos ser feitos justos diante de Deus. Dessa forma, nos achegamos confiados que fomos feitos justos pelo sangue da cruz. Confiamos no merecimento de Cristo, e nunca em nosso próprio.

SEGUNDA CONSEQUÊNCIA: INCREDULIDADE

A segunda consequência de viver pelo merecimento da obediência aos mandamentos é a incredulidade. Paulo diz claramente em Gálatas 3.12 que “a lei não procede de fé”. Quem vive pela lei não tem base para exercer fé. Quem julga ter obedecido acha que agora merece receber a bênção e assim não precisa ter fé. Ele confia que Deus será justo para abençoá-lo.

Tais pessoas desconhecem o alto critério da justiça de Deus e a impossibilidade de o alcançarmos. Mas quando reconhecemos que não temos justiça e mesmo assim cremos no Deus que justifica o ímpio, essa fé nos é atribuída como justiça (Rm. 4.5).

Todos os milagres do Senhor foram feitos exclusivamente pela fé. Em nenhum momento, o Senhor exigiu das pessoas um bom comportamento antes de fazer o milagre. As pessoas certamente tinham problemas conjugais, ressentimentos e intrigas, mas o Senhor nunca lhes disse que primeiro deveriam cumprir os mandamentos antes de curá-los.

Em nenhum momento, o Senhor faz os milagres com base no merecimento das pessoas, mas sempre com base na fé. Todos os enfermos que vieram a Jesus foram curados. Será que todos eles cumpriam a lei perfeitamente? Claro que não! Eles somente recebiam pela fé. A graça depende de fé, mas a lei é a confiança nas próprias obras e méritos.

Aquelas pessoas não eram perfeitas. Certamente tinham pecados. Elas não receberam o milagre com base em quão santas eram. Infelizmente, muitos ainda estão focados em sua obediência em vez de apenas crerem. Na verdade, quanto mais olham para o que têm feito, menos fé conseguem ter. Mas quando entendemos que a justiça é pela fé, espontaneamente nos colocamos na posição de receber o favor de Deus.

Que tipo de vida você deseja? Uma vida de esforço para merecer ou uma vida de fé? Não precisamos mais viver debaixo de maldição. No entanto, existe uma condição para a bênção: crer na justiça que procede da fé. Quanto mais confiamos em nossa obediência aos mandamentos, mais maldição nós vemos e menos fé conseguimos ter.

CREIA NO EVANGELHO DO DEUS FELIZ

“Segundo o evangelho da glória do Deus bendito, do qual fui encarregado” (1Tm. 1.11).

Esse texto de 1 Timóteo é muito interessante. Ele faz uma descrição de Deus verdadeiramente peculiar. A palavra “bendito” no grego é makarios, que significa “feliz, bem-aventurado”. Paulo diz que ele prega o evangelho da glória do Deus feliz. A palavra usual para “bendito” é eulogia, mas aqui ele usa a palavra é makarios, feliz e exultante.

Nós pregamos um Deus feliz, e não um Deus irado sempre a ponto de perder a paciência e nos castigar a qualquer momento. Esta não é maneira como o mundo vê o Pai, mas a verdade é que Ele é um Deus feliz. Como precisamos conhecer o Pai mais profundamente! Precisamos ter os nossos olhos constantemente abertos para ver mais d’Ele em Cristo (Jr. 9.23-24).

Por que Deus está feliz? Porque Ele está satisfeito com a obra do seu Filho Jesus Cristo na cruz do Calvário. Ele é feliz quando assumimos que somos pecadores e nos achegamos unicamente confiados na obra de Cristo.

Quando o Senhor estava na terra, muitas pessoas vieram a Ele. Alguns vieram para ouvi-lo como mestre. Eles o viam como superstar e talvez quisessem saber o seu segredo para fazer tantas curas e atrair tantas multidões. Se fosse hoje, muitos viriam para pedir autógrafos ou tirar uma selfie ao seu lado.

Eles o viam como mestre, mas não como salvador. O Senhor não é resposta para aqueles que o buscam como um mestre ou como modelo. Evidentemente, Cristo é o maior mestre e o mais perfeito modelo, mas vê-lo assim não irá salvá-lo.

Para todos aqueles que vieram a Ele como mestre, o Senhor deu ensinos que eles jamais seriam capazes de cumprir; porém, para aqueles pecadores que vieram não para aprender, mas para serem salvos, Ele revelou o seu amor e profunda compaixão.

Se você diz que não tem pecado, o Senhor não pode fazer coisa alguma em sua vida, pois Ele é o salvador dos pecadores. Somente pecadores são recebidos pelo salvador. Se você diz que é completamente pecador, Ele lhe diz que é completamente salvador, mas se você diz que é apenas parcialmente pecador, Ele será apenas parcialmente salvador. Tudo depende de como você se apresenta.

O que faz Deus feliz é quando os pecadores vêm a Ele. Quando Ele pode perdoar os pecados pela obra da cruz, pelo sangue de Jesus, então Ele é feliz. Quando nos julgamos justos e merecedores, nós entristecemos a Deus, mas quando nos achegamos confiados apenas nos méritos de Cristo, nós podemos contemplar a glória do Deus feliz.

Perguntas para compartilhar:

1. Como você definiria sua vida cristã, vida de obediência ou de fé?
2. Qual atitude do homem torna Deus feliz?

Fonte: http://www.videiraipatinga.com.br

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